Todos os posts de comciencia

Educando os policiais brasileiros

Por Susana Durão

Nas polícias brasileiras, não estar do mesmo lado em questões de trabalho significa não apenas percorrer a travessia dos dilemas éticos. Pode muito bem significar um desafio punível com a morte. A imaginação dos programas de direitos humanos nunca incorporou claramente esse dado. Nos próximos parágrafos exploro alguns contornos de um anseio social de transformar o policiamento no Brasil a partir da educação e “redenção” individual dos policiais. Mudanças estruturais, essas esperam a sua vez. Continue lendo Educando os policiais brasileiros

Sobre a autopunição. Uma perspectiva freudiana

Por Claudio Eduardo Rubin

Autor aborda um viés ao qual a psicanálise dedica, desde seus primórdios, uma particular atenção. Ao sediar impulsos moralmente censuráveis num âmbito diferente da consciência, Freud colocava o primeiro degrau para uma explicação da autopunição. Continue lendo Sobre a autopunição. Uma perspectiva freudiana

Punição e educação: fragmentos da história de uma relação inacabada

Por Áurea M. Guimarães e Carolina de Roig Catini

A consolidação das instituições disciplinares conta com o processo de aprimorar a noção da “criança bem-educada” diferenciando-a dos moleques, desordeiros e vagabundos. A lógica do liberalismo se manifesta na instauração da meritocracia e competição também nas instituições escolares, nas quais a punição se desloca para o fracasso, exclusão e estigmatização daqueles que não alcançam os objetivos no tempo previsto e mensurado pelas avaliações. Continue lendo Punição e educação: fragmentos da história de uma relação inacabada

Sanções econômicas: punição ou “humanitarização das intervenções”?

Por Alcides Eduardo dos Reis Peron

Agindo mais como um mecanismo punitivo sobre as sociedades do que um dispositivo de coação política, as sanções colocam a população civil em estado de vulnerabilidade e estimulam diversas partes a um potencial conflito. Continue lendo Sanções econômicas: punição ou “humanitarização das intervenções”?

A privatização das prisões em duas perspectivas: preso como mercadoria e gestão compartilhada com Comandos

Por Camila Nunes Dias e Josiane da Silva Brito

No Brasil, a produção da delinquência se efetiva na constituição da prisão como lócus de articulação da criminalidade e de conformação de redes criminais mais amplas, densas e complexas. Para que a posição política estratégica da prisão seja preservada, faz-se necessário recriar continuamente formas de justificá-la, dispositivos técnicos e discursivos que a legitimem e permitam o fortalecimento do círculo vicioso que articula a dinâmica criminal e o encarceramento em massa como elementos políticos centrais.
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A lógica do destino

Por Carlos Vogt

Maurice Blanchot, na parte III – “De uma arte sem futuro” – de O livro por vir (Martins Fontes, São Paulo, 2005) ao tratar de Hermann Broch (1886-1951) autor, entre outros, de Os sonâmbulos (1928-1931) e de A morte de Virgílio (1945), seu romance mais famoso e um dos mais importantes da literatura ocidental, aponta e analisa com perspicácia poética a vertigem lógica da obra desse escritor vienense perseguido pelo nazismo e conhecedor, por tê-las vivido, das misérias das prisões de Hitler. Continue lendo A lógica do destino