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Blockchain: além da bolha do Bitcoin

Por Steven Johnson

O que Satoshi Nakamoto (ninguém sabe quem ele é ou se na verdade é um coletivo de programadores) introduziu no mundo em 2008 foi uma maneira de concordar com o conteúdo de um banco de dados que não tivesse ninguém “no comando”, e uma forma de compensar as pessoas por ajudar a tornar esse banco de dados mais valioso, sem que essas pessoas estivessem numa folha de pagamento oficial ou detivessem ações numa entidade corporativa. Juntas, essas duas ideias resolveram o problema do banco de dados distribuído e o problema de financiamento. De repente havia uma forma de suportar protocolos abertos não disponíveis na infância do Facebook. A ideia do blockchain propõe soluções não estatais para excessos capitalistas como monopólios de informação. Todos devem ter direito a um armazenamento de dados privado, onde todas as várias facetas de sua identidade online sejam mantidas. Esses protocolos de identidade seriam desenvolvidos no blockchain, fonte aberta. Ideologicamente falando, aquele depósito de dados privados seria um verdadeiro esforço em equipe: construído como um ‘intellectual commons’, financiado por especuladores de ‘tokens’, apoiado por regulamentação do Estado. Continue lendo Blockchain: além da bolha do Bitcoin

Por uma política pró-competitividade para a indústria

Por Igor Rocha, Venilton Tadini e Guilherme Magacho

Análises a-históricas têm propagado a ideia de que o crescimento econômico não tem um caráter setorial específico, que não há dinamismo distinto entre os setores da economia. Uma análise pragmática das trajetórias de crescimento mostra que estão fortemente associadas à composição setorial da produção e à pauta de exportações dos países. Quando se fala em indústria 4.0, deve-se considerar quais são os setores em cada país que mais se beneficiarão da adoção de novas tecnologias e novos processos e, então, criar condições para que realizem a transição. Continue lendo Por uma política pró-competitividade para a indústria

Bem-vindo à Era do Homem

Por Reinaldo José Lopes

Do ponto de vista da quase totalidade dos 4,5 bilhões de anos de história da Terra, a cozinha da sua casa provavelmente é uma aberração completa – e não é porque a maioria dos alimentos por aí seja preparada com a ajuda do uso controlado do fogo ou da radiação de micro-ondas (embora essas duas coisas também sejam bem esquisitas). Estou falando das panelas de alumínio que devem estar em algum lugar das suas prateleiras. Elas são feitas principalmente de alumínio metálico, um material que, na natureza, só existe em quantidades ínfimas, dada a grande afinidade dos átomos de alumínio pelos de oxigênio, que tende inexoravelmente a produzir óxidos e silicatos a partir do encontro desses dois elementos (e de mais alguns outros). E, no entanto, como que por mágica, nada menos que meio bilhão de toneladas de alumínio metálico – esse material que não deveria existir – podem ser encontradas na Terra neste ano de 2017. Mais de 95% desse montante, aliás, foi produzido dos anos 1950 para cá. Continue lendo Bem-vindo à Era do Homem

Por que espero estar errado sobre a mudança do clima

Por Claudio Angelo

A disputa entre descarbonização emergente e inércia do clima e da economia determinará o futuro da humanidade. Torço pela primeira e espero daqui a alguns anos poder rir de tudo o que escrevi sobre a segunda. Mas por enquanto não apostarei dinheiro nisso. Continue lendo Por que espero estar errado sobre a mudança do clima

Ciência e sociedade do Antropoceno: transição a partir do Holoceno*

Por Jan Zalasiewicz

É fácil pensar que somos especiais e que o momento presente marca um ponto especial no tempo simplesmente por causa de nossa presença. Porém, na escala geológica do tempo, e supondo-se que “nós” significa a espécie humana, a realidade é que podemos estar no limiar de uma nova era – uma idade que os geólogos estão chamando de Antropoceno. Como geólogo, Jan Zalasiewicz, da Universidade de Leicester, explica que se trata de uma era criada por nós mesmos. Tradução de Amin Simaika. Continue lendo Ciência e sociedade do Antropoceno: transição a partir do Holoceno*

Idealizações, projetos e programas para a colonização sideral. O que pode haver de novo?

Por Leandro Siqueira

Abandonar a Terra para fazer do sideral a nova morada do humano é um tema que tem desafiado a imaginação científica há pelo menos um século. Ao longo desse período, várias motivações instigaram o humano a idealizar, projetar e programar como povoar o inóspito sideral. Continue lendo Idealizações, projetos e programas para a colonização sideral. O que pode haver de novo?

Imaginando o redondo

Por Victória Flório

A forma geométrica dessa terra que nos sustenta é redonda. Isso não tem a ver com a forma “objetiva” do mundo-considerado-um-objeto, mas com o lugar das coisas no mundo em que se habita. De maneira recorrente, quando é necessário falar do “lugar das coisas” e descrever os mundos ocupados em termos topológicos, o circular é evocado. Assim, a imagem da Terra redonda está presente em várias culturas e épocas, e muito nas culturas herdadas da antiguidade greco-latina. Continue lendo Imaginando o redondo

“(A)mares e ri(s)os infinitos”: a catástrofe de estar junto diante da finitude

Por Susana Dias e Sebastian Wiedemann

Aprender com os rios que não é possível recuperar uma condição original, mas fazer da nascença constante nosso modo metamórfico de viver e pensar, que não é possível reaver um território existencial que se encontraria pressuposto desde o início, nem regenerar seu caráter supostamente real e verdadeiro, mas seguir proliferando modos de existência particulares que desafiam qualquer modelo de verdade e resistam a qualquer vontade de julgamento. Continue lendo “(A)mares e ri(s)os infinitos”: a catástrofe de estar junto diante da finitude

A Unicamp e os novos desafios de inclusão

Por José Alves de Freitas Neto

O intuito da Unicamp com as cotas é ampliar a presença da população negra entre seus estudantes e promover a convivência entre grupos diversos quanto às origens étnicas, sociais e culturais. As experiências indicam que as cotas são um instrumento para combater o racismo existente na sociedade brasileira e as fortes desigualdades determinadas pela origem étnico-racial, num país marcado pela exclusão e por seu passado escravocrata. 

Muitos poderiam se perguntar se a adoção de cotas étnico-raciais não seria suficiente para a inclusão dos indígenas. A resposta é não. As realidades educacionais de indígenas e da população negra não são comparáveis. Embora os dois grupos tenham sido tradicionalmente excluídos, a população negra foi submetida à educação regular tradicional contemplada pelo vestibular. Submeter estudantes com experiências educacionais muito distintas a um processo de seleção padronizado é perpetuar a exclusão de indígenas.  Continue lendo A Unicamp e os novos desafios de inclusão

Povos indígenas, mobilizações e representações das práticas corporais

Por Maria Beatriz Rocha Ferreira e Vera Regina Toledo Camargo

OsJogos Indígenas agregam um número significativo de etnias e proporcionam negociações, trocas de saberes, atualizações, ressignificações, e ampliação das redes inter-setoriais nacionais e internacionais, com o objetivo de valorizar e fortalecer a cultura indígena através das práticas corporais e da interação por meio de danças, cantos, pinturas corporais e jogos. Há um fortalecimento da identidade cultural indígena e uma celebração do espírito de confraternização com a sociedade não indígena, buscando também conscientizar a sociedade brasileira sobre a importância desses povos no cenário cultural e os seus direitos como cidadãos brasileiros. Continue lendo Povos indígenas, mobilizações e representações das práticas corporais