Arquivo da categoria: editorial

A nave da melancolia

Por Carlos Vogt

Ray Douglas Bradbury nasceu em 1920 em Waukegan, Illinois, nos Estados Unidos da América do Norte.

Condensada assim em poucas palavras, essa informação, contudo, é fundamental para compreender alguns aspectos marcantes da obra desse escritor, mundialmente conhecido e tão ligado às lembranças de sua infância. Continue lendo A nave da melancolia

Febres odiosas

Por Carlos Vogt

No século XIX, mais de 3 mil pessoas foram, durante nove anos, vitimadas pela febre amarela no município de Campinas.

Luiz Roberto Camargo Penteado, estudante de medicina em Paris, e a professora Rosa Beck, suíça, apaixonaram-se e ficaram noivos. Ao final do curso, ele volta a Campinas. Ela, para fazer-lhe uma boa surpresa, movida pelos sentimentos, decide no ano seguinte à partida do amado, embarcar para o Brasil, onde chega em fevereiro de 1889, no porto de Santos. Contraíra, contudo, Continue lendo Febres odiosas

A lógica do destino

Por Carlos Vogt

Maurice Blanchot, na parte III – “De uma arte sem futuro” – de O livro por vir (Martins Fontes, São Paulo, 2005) ao tratar de Hermann Broch (1886-1951) autor, entre outros, de Os sonâmbulos (1928-1931) e de A morte de Virgílio (1945), seu romance mais famoso e um dos mais importantes da literatura ocidental, aponta e analisa com perspicácia poética a vertigem lógica da obra desse escritor vienense perseguido pelo nazismo e conhecedor, por tê-las vivido, das misérias das prisões de Hitler. Continue lendo A lógica do destino

Substâncias tóxicas

Por Carlos Vogt

Aldous Huxley (1894-1963) dividiu sua vida entre a Inglaterra, onde nasceu, a Itália que amou e onde conviveu intensamente com o amigo D. H. Lawrence ─ cuja Correspondência ele edita em 1932, mesmo ano do aparecimento de  Admirável  mundo novo − e os Estados Unidos para onde se transferiu em 1937 e onde morreu, no mesmo dia e ano do assassínio do presidente John F. Kennedy e do escritor C. S. Lewis, autor, entre outras obras, da série de livros infantis As crônicas de Nárnia. Continue lendo Substâncias tóxicas

Pós-verdade e pós-falsidade

Por Carlos Vogt

Pós-verdade é mais um conceito-coringa, próprio da contemporaneidade, como pós-modernidade, e outros pós que virão. Diz tudo e diz nada, porque é feito da confusão entre o que se transforma, por conhecer, e a transformação do conhecimento na banalidade de receitas de autoajuda epistemológica. Mas é, ele próprio, derivado, entre outras coisas, da mudança de paradigma científico que se deu ao longo do século XX, com ênfase na substituição de um modelo ontológico de verdade por um modelo probabilístico. Continue lendo Pós-verdade e pós-falsidade