Ter um espaço que compile informações sobre a produção
científica e tecnológica de todos os 22 países da Iberoamérica. Esse é o
objetivo anunciado pela equipe de pesquisadores e jornalistas da Agência de
Notícias para a Difusão da Ciência e Tecnologia (DiCYT) durante um workshop que
reuniu profissionais de comunicação de vários países iberoamericanos, de 27 a 30 de abril, em Cartagena
de Indias (Colômbia). A idéia é que os países da Iberoamérica utilizem e
alimentem a Agência DiCYT com a produção de conteúdo de divulgação científica
dos seus respectivos países.
Criada em 2003,
a Agência DiCYT surgiu com o objetivo de facilitar o
acesso a notícias especializadas em temas científicos e tecnológicos nas
regiões espanholas de Castela e Leão. Após cinco anos, por meio do projeto “Plataforma
Iberoamericana de Divulgação Científica”, da Universidade de Salamanca
(Espanha), a Agência DiCYT passou a ter um objetivo mais amplo: fortalecer as
relações entre pesquisadores de língua espanhola e portuguesa, fomentando a
colaboração e o intercâmbio de recursos e conhecimentos.
Além de operar como um sistema de informação diretamente
para a sociedade, que acessa seu conteúdo na internet, a Agência DiCYT fornece
informações para grandes veículos de comunicação, o que contribui para uma
ampla disseminação da ciência em meios como TV, jornal e rádio. Hoje, a DiCYT
possui diferentes versões em três idiomas – espanhol, português e inglês. O
conteúdo em língua portuguesa, por enquanto, é alimentado por traduções feitas pela
equipe espanhola.
Por que divulgar ciência?
De acordo com Miguel Angel Quintanilla, criador da Agência
DiCYT e coordenador do Instituto de Estudos para Ciência e Tecnologia, da
Universidade de Salamanca, que a mantém, a ciência tem a obrigação de divulgar
os seus resultados, “já que é a sociedade que apóia e financia o funcionamento
da ciência”. Para ele, um dos aspectos mais problemáticos na comunicação da
ciência é que a sociedade percebe a informação científica quase sempre
associada com conflitos, como, por exemplo, nas questões de saúde e de mudança
climática. Quintanilla abriu as sessões apresentadas no workshop abordando a
relação entre ciência, tecnologia e sociedade – área de estudos que ficou
conhecida pela sigla CTS.
No encontro, estavam presentes alguns representantes do
Brasil, dentre eles o professor Carlos Vogt, que é coordenador do Laboratório
de Estudos Avançados em Jornalismo (Labjor/Unicamp) e atual Secretário de
Ensino Superior do Estado de São Paulo. Vogt apresentou os últimos trabalhos
realizados pelo Labjor em percepção pública da ciência e da tecnologia – área
que estuda, por meio de pesquisas realizadas com a população, o conhecimento, o
interesse e a apropriação da ciência e da tecnologia. Também participaram do
evento profissionais do México, da Guatemala, da Costa Rica, da Nicarágua, da Argentina, da Venezuela, do Equador,
do Chile e da própria Colômbia.
O workshop foi realizado sob o patrocínio da Organização dos
Estados Iberoamericanos para a Educação, a Ciência e a Cultura (OEI). Para dar
continuidade às discussões, a OEI planeja a organização de um Primeiro Foro de
Comunicação Científica na Iberoamérica, a ser realizado no Brasil (na Unicamp),
em novembro, em parceria com o Labjor.