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Uma
divulgação científica profícua depende de dois atores
fundamentais: cientistas e jornalistas. A dita difícil relação
entre ambos tem progredido nas últimas décadas com a melhor
formação dos profissionais da comunicação e a compreensão por
parte dos especialistas de que a divulgação de suas pesquisas pode
render frutos para si próprios, para sua instituição e para a
sociedade. Nesta segunda-feira, Luisa Massarani, diretora do Museu da
Vida (Fiocruz)e jornalista, anunciou a criação de uma agência
nacional de notícias de ciência e tecnologia para facilitar o
acesso de jornalistas à pesquisa brasileira. O projeto tem apoio do
Ministério da Saúde e da Ciência e Tecnologia. “É preciso
desenvolver estratégias para tornar a ciência brasileira mais
visível e levar o melhor das pesquisas para a mídia”, afirmou.
A
agência, a ser lançada até o ano que vem, seguirá os moldes de
agências internacionais de fôlego, como o Eurekalert e o Alpha
Galileu, iniciativas norte-americana e britânica, respectivamente. A
estratégia é disponibilizar informações ágeis, enfatizando os
comunicados e temas mais interessantes, assim como um banco de
fontes, fotos, gráficos, entrevista, além de ser um canal de
discussão direto com jornalistas.
A
iniciativa, há tempos requisitada por profissionais da comunicação,
exigirá que os cientistas também se coloquem mais a disposição da
mídia. Não é incomum que os jornalistas de ciência afirmem ser
mais fácil contatar cientistas estrangeiros do que os de seu país.
Depoimentos como este foram coletados por Elisa Oswaldo Cruz Marinho,
assessora de comunicação da renomada Academia Brasileira de
Ciência, que entrevistou membros da academia e jornalistas de
ciência para entender quais os principais ruídos dessa relação.
Entre os
cientistas, as críticas mais comuns foram as dificuldades dos
jornalistas em “traduzir” conceitos científicos com precisão,
obstáculo que poderia ser superado, como sugeriu um dos
entrevistados da pesquisa, enviando os textos jornalísticos para a
fonte antes da publicação, prática adotada por alguns e criticada
por outros. Elisa acredita que os cientistas mais jovens, a exemplo
dos membros afiliados à ABC, estejam mais abertos e disponíveis
para lidar com a mídia, e lembra que quem possui o Currículo Lattes
- plataforma nacional de currículos de pesquisadores do Conselho
Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) - já
reconhece a importância da divulgação científica como atividade,
reservando espaço para um item sobre a comunicação do cientista
com o público.
Para os
jornalistas, a relação com os cientistas pode ser melhorada a
partir do momento que se estabelece confiança entre as partes. Uma
das formas de se alcançar isso seria evitar o sensacionalismo e
cuidar para entender com maior profundidade os temas a serem
divulgados.
Ações
que auxiliem a capacitação de profissionais da mídia e da academia
para que ambos entendam o trabalho do outro tem ampliado no Brasil, o
que se reflete no espaço e qualidade da comunicação da ciência
para o público. Luisa reforçou que ainda é preciso investir em
diagnósticos mais eficientes para analisar a qualidade da divulgação
científica hoje praticada. A cada dia, lembra, crescem as pesquisas
nessa área. O banco de teses e dissertações da Coordenação de
Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) registra 227
documentos sobre jornalismo científico e outros 687 em divulgação
científica, dos quais 88 foram concluídos apenas em 2008. “É
preciso conectar pesquisa e prática em jornalismo científico e usar
isso para melhorar a prática que tem sido feita”, defendeu.
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