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Falta de padronização da Libras dificulta inclusão de alunos surdos
Por Monique Lopes
22/03/2012
Reconhecida em lei, a Língua Brasileira de Sinais (Libras) é amplamente difundida e incentivada atualmente. O decreto nº 5626/05, que regulamenta a referida lei, dispõe, entre outras coisas, sobre a inserção da Libras como disciplina curricular na formação de professores em nível médio e superior, a fim de garantir a inclusão de deficientes auditivos em escolas de ensino regular. Uma pesquisa realizada no Pará pela professora de ciências Esilene dos Santos Reis, no entanto, aponta que não há padronização na linguagem quando o assunto é o ensino de ciências naturais - química, física e biologia - o que dificulta a inclusão.

A língua de sinais não é universal, como explica Reis: “Cada país tem a sua. O que me preocupou foi  perceber que pela ausência de uma padronização na Libras no que se refere ao ensino das disciplinas que compõem as ciências naturais, intérpretes e professores podem estar criando sinais diferentes para o mesmo conceito”. No ensino de química, por exemplo, a professora encontrou dois sinais para “átomo” – um no Pará e outro numa escola em Uberlândia/MG. “Se os sinais forem criados aleatoriamente, haverá uma linguagem de sinais regionalizada para o ensino de ciências”, declara.

A pesquisa foi feita de forma qualitativa, como um estudo de caso, na Escola Aloysio Chaves, em Concórdia/PA, que conta atualmente com quatro estudantes surdas no ensino médio. “A principal dificuldade foi encontrar referencial bibliográfico, pois não há registro ou referências a estudos na área de ensino de ciências para estudantes surdos no Brasil”, conta Reis. Segundo da professora, falta interesse público no assunto: “Os órgãos educacionais (federais e estaduais) competentes deveriam dar mais importância para essa problemática. Enquanto se ignora a necessidade de se aprofundar o estudo do biliguismo para o ensino das ciências naturais, aumenta cada vez mais a inclusão de alunos surdos no ensino regular, e as escolas não estão preparadas”.

Depois de apresentar seu trabalho durante o primeiro Encontro de Divulgação de Ciência e Cultura (Edicc) na Unicamp, reis pretende retomar a pesquisa, expandindo o estudo para as línguas de sinais fora do país.