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Biblioteca pública ganha núcleo temático de ciência
Por Enio Rodrigo Barbosa
04/12/2008

A biblioteca Mário Schenberg se torna a primeira biblioteca pública da rede municipal no Brasil a assumir uma vocação na divulgação da ciência. A partir da idéia de aproximação dos espaços das bibliotecas públicas com a população do entorno urbano em que elas estão, foi desenvolvido o projeto de Núcleos Temáticos, que desde o começo do ano passado vem tomando corpo na cidade de São Paulo. O projeto prevê, além do aumento das obras referenciais no tema escolhido, a utilização do espaço das bibliotecas (incluindo sala multimídia, anfiteatros e outros espaços potenciais) para realizar eventos diversos. Originalmente idealizado pela Secretaria Municipal de Cultura, o projeto chegou à Lapa, onde o Sistema Municipal de Bibliotecas (SMB) da cidade de São Paulo inaugurou, no dia 9 de novembro, o núcleo temático da Biblioteca Temática de Ciências Mário Schenberg. Além do acervo temático, o hall principal ganhou uma exposição temporária e uma programação de eventos contínuos, aproveitando o espaço do auditório, que também deverá abrigar peças teatrais. Essa é a sexta biblioteca, de um total de 52 unidades administradas pelo sistema municipal, que ganha um núcleo temático, cujas temáticas variam de poesia a ficção fantástica.



Hall de entrada é um convite ao espaço dedicado à ciência. Foto: Divulgação

 

Mas as bibliotecas não perdem seu acervo, ao contrário, soma-se a ele um acervo temático, explica Marlon Florician, coordenador geral de programação dos núcleos temáticos do sistema municipal de bibliotecas. “Como são bibliotecas de bairro, a idéia é dar continuidade à vocação projetada pela comunidade que frequenta o espaço. No caso da Lapa, a proximidade com a Estação Ciência museu de ciências deu o tom”, continua. Florician lembra que a Estação não tinha um acervo e o apoio institucional dos pesquisadores para a biblioteca é construtivo para ambos, pois os prédios são bastante próximos.

 

Olga Sato, que participa do grupo de três curadores contratados para o projeto e que são responsáveis pela escolha do acervo científico, além de serem responsáveis pela exposição no hall de entrada na biblioteca, explica que a idéia é transformar o espaço de entrada em um convite para um ambiente que instigue a curiosidade e a exploração. “Tentamos dar uma pincelada sobre vários temas, de física à música, passando por aquecimento global, e também montamos um painel que dá aos visitantes noções de micro e macro”, diz a pesquisadora que é física formada pela Universidade de São Paulo e doutora em oceanografia pela Universidade de Rhode Island (EUA). Trabalham na equipe também Marianne Frederick, responsável pela área de ciências biológicas e de saúde, e Armando Oliveira, responsável pela curadoria na área de física. “A intenção”, afirma Sato, “é também formatar um espaço onde possamos incentivar a ciência e talvez inspirar os usuários para carreiras de pesquisa, quem sabe até futuros cientistas”.

Patrono da biblioteca, Mário Schenberg foi cientista de destaque e crítico de arte, merecendo lugar de honra no espaço inaugurado. Foto: Enio Rodrigo

 

O site da biblioteca também foi pensado para facilitar a busca de obras no acervo além de ser um portal com diversos recursos multimídia. É possível ter acesso a textos atualizados sobre ciência e biografias de grandes cientistas. “Agora vamos nos concentrar em consolidar uma agenda de palestras e eventos, e trabalhar em idéias de divulgação da cultura científica em cooperação com museus de ciência, por exemplo”, finaliza a curadora.