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Demência vascular é tão agressiva quanto Alzheimer
Por Erica Guimarães
02/10/2009

No Brasil, estima-se que de 8% a 12% da população com mais de 65 anos apresente hoje algum grau de demência causada por alteração vascular cerebral ou pela doença de Alzheimer. Diante desses números, um estudo inédito foi realizado pelo Grupo de Estudos em Envelhecimento Cerebral, da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP), que avaliou 137 cérebros de pessoas que manifestaram demência moderada e grave. O trabalho foi apresentado no último Congresso Internacional da Doença de Alzheimer (Icad), que aconteceu em julho, em Viena, na Itália.

A pesquisa constatou que 30% dos casos de demência tinham origem somente vascular, contra os 25% que foram causados apenas por doença de Alzheimer. Foram excluídos casos de derrame cerebral. Até a realização do estudo da USP, o diagnóstico de Alzheimer e de demência vascular só eram feitos por meio de autópsia, mas algumas alterações nos vasos cerebrais, no entanto, podem ser apontadas em exames de ressonância magnética.

A pesquisa apontou também que dos casos de demência vascular, apenas metade eram diagnosticados clinicamente. Os sintomas manifestados por indivíduos com demência causada por problemas vasculares são semelhantes aos do Alzheimer, como por exemplo, problemas de memória, dificuldade para se concentrar, mudança de humor, fraqueza, dificuldade para se expressar e depressão.

Ainda não existe tratamento para a demência vascular, que é manifestada quando os pequenos vasos sanguíneos do cérebro são obstruídos ao longo da vida e a chegada de nutrientes e de oxigenação fica comprometida e insuficiente. Os prolongamentos celulares se degeneram e dificultam a circulação de informações. Ocorre, então, a lesão nessa região do cérebro. Quando atacam as regiões relacionadas à cognição, as lesões podem levar à demência. As áreas da cognição são responsáveis pela memória, linguagem, comportamento, entre outras habilidades intelectuais.

A neuropatologista Lea Grinberg, coordenadora do Banco de Cérebros da USP, sugere que a atenção deve ser para a prevenção. “As pessoas precisam saber quais os fatores de risco, como por exemplo, hipertensão arterial, doenças cardiovasculares, diabetes e tabagismo”, alerta. Outros fatores também devem ser destacados, como aterosclerose – doença provocada por depósitos de gordura nas paredes das artérias –, condições que favoreçam a coagulação sanguínea e distúrbios genéticos.

Para Grinberg não existem políticas públicas de prevenção à demência no país, mas este é um ponto fundamental para alertar a população. Sua preocupação é que o envelhecimento da população brasileira possa desenvolver uma epidemia de demência que, de acordo com ela, pode ser prevenida com a informação. Ela acredita que o diagnóstico de demência vascular deixou a desejar e que os casos poderiam ser ao menos adiados em 40% com controle de fatores de risco vascular.

Outro encontro internacional

De 19 a 22 de novembro, em Barcelona (Espanha), acontece o 6° Congresso Internacional da Demência Vascular. O evento reúne especialistas da área e discute os novos desenvolvimentos das demências, com especial atenção às doenças cerebrovasculares e ao fluxo sanguíneo cerebral. Outros assuntos são os pequenos e grandes vasos cerebrais e como as lesões contribuem para o declínio cognitivo. Serão discutidos os marcadores específicos psicológicos e os fatores genéticos envolvidos. A sobreposição com a doença de Alzheimer será a questão central.