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Olimpíadas de conhecimento - Carlos Vogt
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Chris Bueno
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Ensino e aprendizagem da geometria: uma proposta metodológica em projeto de extensão
Mariane K. Giareta, Neuza T. Oro, Rosa M. T. Rico, Milene Giaretta e Alessandra C. Rüedell
Desigualdades sociais e de desempenho nas olimpíadas de ciências
Flavia Rezende e Fernanda Ostermann
Olimpíada Internacional de Ciências da Terra, uma ferramenta para estimular o ensino
Roberto Greco, Luiz A. C. N. Ifanger e Carolina Baldin
O significado das olimpíadas científicas para professores e estudantes da educação básica
Ana L. de Quadros e Gilson de F. Silva
A contribuição das olimpíadas de ciências no Instituto Federal do Amazonas
Fabiano Waldez, Manuel R. S. Rabelo e Ronaldo C. da Silva
Resenha
Tantos anos luz
Denise Lourenço
Entrevista
Cristina Meneguello
Entrevistado por Kátia Kishi
Poema
Crime e castigo
Carlos Vogt
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Artigo
A contribuição das olimpíadas de ciências no Instituto Federal do Amazonas
Por Fabiano Waldez, Manuel R. S. Rabelo e Ronaldo C. da Silva
10/10/2015

Com o objetivo de melhorar o processo de ensino e aprendizagem de ciências, o Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Amazonas (Ifam), campus Tabatinga, localizado no interior da Amazônia brasileira, na fronteira com a Colômbia e o Peru, tem incluído as principais olimpíadas científicas nacionais em seu calendário acadêmico. Desde 2012, estudantes do ensino técnico e integrado ao ensino médio, têm participado das etapas regionais e nacionais das olimpíadas científicas de química, matemática, língua portuguesa, física, computação, biologia e agropecuária.

O Ifam campus Tabatinga ainda não revelou um medalhista em olimpíadas de ciências. No entanto, essas participações têm sido utilizadas para realizar avaliações mais amplas das disciplinas, como de biologia e ciências naturais, oportunizando comparações com outras regiões e diferentes realidades socioeducativas no país, tentando, assim, ampliar localmente as discussões sobre as estratégias de ensino e aprendizagem (Waldez et al., 2014). De fato, os resultados obtidos nas olimpíadas de ciências, em alguns casos, têm sido corroborados pelas observações feitas em sala de aula. Por exemplo, os resultados obtidos na Olimpíada Brasileira de Biologia (OBB) pelo Ifam campus Tabatinga apontaram uma maior dificuldade dos estudantes nos anos iniciais do ensino médio em interpretar conteúdos relacionados com os temas de genética, bioquímica e biologia celular (por exemplo, processos de divisão celular) (Waldez et al., 2014). Relacionamos os resultados desse diagnóstico com a falta de acesso dos estudantes às práticas de estudo de células, em função do elevado custo para adquirir os instrumentos necessários (por exemplo, microscópios, lâminas preparadas) e as dificuldades em lidar com problemas de cálculos de probabilidade presentes no conteúdo de genética (Lopes; Rosso, 2013).

No Ifam, assim como em outras escolas públicas, as inscrições dos alunos nas olimpíadas de ciências são feitas automaticamente pelos professores e esses utilizam um sistema de bonificação de pontos para motivar a participação dos discentes. Entretanto, o desempenho dos estudantes na resolução das provas tem sido relativamente baixo. Em geral, menor que 50%. O insucesso dos estudantes foi justificado pelo elevado grau de dificuldade na resolução das questões abordadas nas olimpíadas de ciências. Diferente do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) que traz, em maior número, questões contextualizadas com o cotidiano dos alunos, na Olimpíada Brasileira de Matemática das Escolas Públicas (OBMEP), por exemplo, muitas das questões tinham foco em demonstrações de matemática pura.

O modelo adotado pelas principais olimpíadas de ciências realizadas no Brasil estimula a competição. Rezende e Ostermann (2012) discutem que a disseminação do espírito competitivo demonstra diferenças socioculturais dos alunos e das escolas que participam das olimpíadas de ciências e as desigualdades sociais pesam muito nas desigualdades escolares. No entanto, Marques (2013) destaca que a participação em olimpíadas de ciências durante o ensino de nível médio pode proporcionar aos estudantes maior autonomia com relação à aprendizagem de ciências. Através da motivação ao autodidatismo e à participação em projetos de pesquisa, os estudantes têm acesso a conhecimentos avançados que só seriam explorados no ensino superior.

Essa atitude proativa na aquisição do conhecimento contribui para desenvolver um pensamento científico crítico. Dentre as estratégias praticadas para aumento de significância do processo pedagógico de ensino e aprendizagem de ciências, destacamos a “alfabetização científica”, que busca desenvolver a capacidade de usar o conhecimento científico para identificar questões e chegar a conclusões baseadas em provas, de forma interligada com a formação cidadã voltada para ação e atuação em sociedade (Sasseron; Carvalho, 2011).

No ensino de ciências em cursos técnicos destaca-se ainda a importância do método científico e das tecnologias nas mais diversas profissões e a relação positiva verificada entre o desenvolvimento científico e os índices de produtividade econômica dos países e, também, os índices de bem-estar material e social (Guimarães, 2011). Dessa maneira, procura-se utilizar as olimpíadas de ciências como uma ferramenta para desenvolver, nos alunos do ensino técnico, competências voltadas para uma formação que contemple o ensino, a pesquisa e a extensão, em consonância com os objetivos dos institutos federais.

Fabiano Waldez (fw.ifam@gmail.com), Manuel Ricardo dos Santos Rabelo (manuel.ricardo@ifam.edu.br) e Ronaldo Cardoso da Silva (ronaldo.cardoso@ifam.edu.br) são professores do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Amazonas (Ifam) campus Tabatinga

Referências bibliográficas

Lopes, S.; Rosso, S. Bio - volume único. 3. ed. São Paulo: Saraiva, 2013.

Guimarães, S. K. “Produção do conhecimento científico e inovação: desafios do novo padrão de desenvolvimento”. Cad. CRH online. 2011, vol.24, n.63, pp. 461-465.

Marques, F. “Eles gostam de ciência e desafios”. In: Pesquisa Fapesp n. 205. Março, 2013 (pp. 33-37).

Rezende, F.; Ostermann, F. “Olimpíadas de ciências: uma prática em questão”. Ciência & Educação. 2012, vol.18, n.1, pp. 245-256.

Sasseron, L. H.; Carvalho, A. M. P. 2011. “Alfabetização científica: uma revisão bibliográfica”. Investigação em Ensino de Ciências, 16(1), pp. 59-77.

Waldez, F.; Silva, R. C.; Duarte, E. C.; Moraes, R. P.; Rabelo, M. R. S.; Gonçalves, N. F.; Baima, A. P. S.; Rocha, J. M.; Bernhard, G. G. R.; Alves, J. C. “Olimpíada de ciências biológicas como ferramenta para o ensino de biologia no alto Solimões, Amazônia brasileira”. Areté (Manaus), 2014, v. 7, pp.127-135.