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Desastres ambientais no Brasil - Carlos Vogt
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Desastres ambientais no Brasil e no mundo: características semelhantes, maneiras de agir distintas
Carolina Medeiros
Impactos econômicos, socioambientais e as mazelas da mineração
Erik Nardini
Romprimento da barragem Fundão: tecnologia poderia evitar a tragédia
Tiago Alcantara
Fragilidades em estudos de impacto ambiental prejudicam real avaliação de riscos
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Oceanos: contrastante império de riqueza e poluição
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Artigos
Os impactos das mudanças climáticas globais
Ana Maria Heuminski de Avila e Chou Sin Chan
Novas configurações míticas para a Idade Antropoceno da supremacia dos plásticos: a deusa do mar e as sereias vigilantes
Elizabeth Doud
O estudo de impacto ambiental e as atividades minerárias no estado de São Paulo
Andréa Mechi e Djalma Luiz Sanches
Os desastres em uma perspectiva antropológica
Renzo Taddei
Objetividade e sensacionalismo na cobertura jornalística de mudanças climáticas e meio ambiente
Rubens Neiva
Resenha
Desafios na gestão de desastres
Kátia Kishi
Entrevista
Marilene Ramos
Entrevistado por Sarah Schmidt
Poema
Decreto
Carlos Vogt
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Editorial
Desastres ambientais no Brasil
Por Carlos Vogt
10/03/2016
O rompimento da barragem da Samarco em Mariana (MG), no dia 5 de novembro do ano passado, provocou um desastre de tais proporções que, passados mais de quatro meses de sua ocorrência, não se tem ainda a medida completa das terríveis consequências que acarretou, está acarretando e vai acarretar para a vida e para o meio ambiente, por quilômetros e quilômetros da extensão de sua rota e de suas adjacências.

Do Distrito de Bento Rodrigues, totalmente destruído, das vidas interrompidas, da transformação do rio Doce em rio de lama e da lama espalhada pelo litoral do Espírito Santo, a dimensão da contaminação da vida pelos rejeitos da mineração é tão despropositadamente grande que só de pensá-la sob a ótica da responsabilidade da empresa mineradora causa calafrios ao próprio pensamento do tamanho da irresponsabilidade que acompanha o tamanho do desastre.

No Brasil, há outros desastres que trazem também a marca da irresponsabilidade de agentes causadores que, na maioria dos casos, não seguiram ou negligenciaram os protocolos de precaução que deveriam orientar a conduta ética e pragmática das empresas e instituições envolvidas.

É o caso, em 1984, do incêndio da Vila Socó, em Cubatão (SP), do Césio 137, em Goiânia (GO) em 1987, do vazamento de óleo na Baia de Guanabara (RJ), em 2000, das chuvas da região serrana do Rio de Janeiro (RJ), em 2011, e do vazamento de óleo na Bacia de Campos (RJ), no mesmo ano.

Há vários outros!

O esforço para entendê-los, explicar suas causas, conhecer suas consequências, adotar ações preventivas, responsabilizar – ética, material e judicialmente – os que contribuíram para o seu desencadeamento, militar por sua divulgação e divulgar a militância da defesa da preservação da vida e do meio ambiente é parte da tarefa cidadã que temos de fazer em todas as circunstâncias da nossa vida social.