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Reportagem
Mercado de drones está aquecido e cheio de inovações
Por Viviane Lucio
10/06/2016
Quando se pensa em um drone, que conceito vem à mente? Se for a imagem de um objeto usado apenas para diversão, saiba que hoje esse artefato possui um papel muito mais abrangente. Ele está presente na agricultura, segurança, pesquisas ambientais, distribuição de alimentos em campos para refugiados e eventos, só para citar alguns casos. Apesar de ainda não haver legislação específica, o produto encontrou um mercado ávido, cada vez mais em expansão.

O aparelho pode receber o nome mais popular, drone, palavra inglesa que remete a um zangão devido ao barulho das hélices, ou VANT (veículo aéreo não tripulado). Pode ter diversos tamanhos, número de hélices, pesos e duração de bateria.

Segundo estimativas da PwC, empresa de auditoria e consultoria de negócios, o mercado de drones vai movimentar, nesse ano, US$ 127 bilhões no mundo, em infraestrutura (US$ 45,2 bi), agricultura (US$ 32,4 bi), transportes (US$ 13 bi), segurança (US$ 10,5 bi), entretenimento (US$ 8,8 bi), seguros (US$ 6,8 bi), telecomunicações (US$ 6,3 bi) e mineração (US$ 4,3 bi).

Emerson Zanon Granemann, da MundoGEO, empresa responsável pela feira Droneshow Latin America, estima que esse mercado vá movimentar internamente, nesse ano, cerca de R$ 200 milhões. “Mesmo com o atraso na liberação da regulamentação atrapalhando, as vendas continuam aquecidas, e o mercado de prestação de serviços gera muita receita. É difícil afirmar, mas acredito que esses números vão se confirmar ao se contabilizar toda a receita gerada pela cadeia produtiva do setor: importação, fabricação e prestação de serviços”, diz. 

A Droneshow Latin America é a versão brasileira das feiras para empreendedores do setor que acontecem pelo mundo, como Droneshow, no Reino Unido e Interdrone, em Las Vegas.  A segunda edição nacional foi realizada em São Paulo, no início de maio deste ano, e reuniu 3200 participantes.

“Embora seja um mercado relativamente novo, não regulamentado e com dificuldades tecnológicas, o Brasil possui 10 fabricantes, 10 importadores de drones e dezenas, talvez centenas, de prestadores de serviços, se considerarmos o setor de mapeamento, agricultura e engenharia em geral. Se considerarmos as empresas de filmagens de publicidade e eventos, são milhares”, afirma. 

Diversidade de modelos

Para usar como hobby, há preços entre R$ 300 e R$ 500. Geralmente são feitos a partir do plástico, possuem configurações básicas, porém pouco tempo de bateria. Há também modelos mais elaborados, com configurações mais robustas, para colecionadores.

Os aparelhos mais completos podem ser adquiridos a partir de R$ 5 mil – e os valores podem chegar a R$ 3 milhões. O preço depende da finalidade, qualidade da imagem capturada, condições climáticas suportadas, tipo de dado coletado e se é para recreação ou uso profissional. Quanto mais sensores, mais preciso – e mais caro.

Um dos modelos mais populares é o chinês Phantom, que possui diferentes versões e pode ser usado por colecionadores ou por profissionais que trabalham com filmagens, entretenimento, e não precisam usar o aparelho por tempo prolongado. Ele é um quadricóptero, alcança uma média de 25 minutos por voo, pesa cerca de 1,5 kg e atinge a velocidade de 16m/s O preço varia de R$ 4 mil a R$ 9 mil. Para concorrer com ele, com preço mais baixo, foi lançado o Mi Drone, da também chinesa Xiaomi.

Entre os fabricantes brasileiros, o foco é a produção de equipamentos para mapeamento de áreas. “Temos o domínio quase que total na produção do equipamento, desenvolvemos a estrutura, componentes de bordo, piloto automático e placa controladora. Só não produzimos GPS e alguns outros componentes. Isso nos dá autonomia, pois não dependemos de componentes importados”, comenta Thatiana Miloso Franceschi, diretora comercial da XMobots, que fornece três modelos para o mercado.

Mercado global e novos usos

Os produtores mais competitivos para aparelhos populares são os chineses. “Se considerarmos os drones para uso mais popular, para publicidade e eventos, os chineses dominam. Mas para drones multirrotores e, principalmente, de asa fixa, para aplicações em agricultura e engenharia, outros países têm destaque na Europa”, aponta Granemann.

O engenheiro eletrônico Marcos Daniel Rodrigues, da Drone Mania, importa e fornece componentes e treinamento para uso dos VANTs. Atendendo clientes de diversos setores, como agropecuária, vistoria, bombeiros, fotógrafos, engenheiros e colecionadores, Rodrigues conta que consegue satisfazer as necessidades do público com produtos da chinesa DJI (do Phantom) e a francesa Parrot, com seu popular Bebop. Apesar de ser um mercado ativo, Rodrigues comenta a queda das vendas. “O mercado de produtos importados teve queda de 50%, os clientes estão preferindo fazer manutenção em seus aparelhos, pois o poder aquisitivo está menor”, aponta.

Franceschi, da XMobots, porém, está otimista. “Fechamos 2015 com 70% de crescimento. Este ano as expectativas estão de acordo com o esperado, e, continuando assim, fecharemos o ano alcançando 100% da meta”, comenta.

Para Granemann, há ainda muitas possibilidades de ampliar o uso do artefato. O empresário aposta no mercado de infraestrutura, além de delivery e agricultura. “Primeiro temos que consolidar o mercado de voos manuais e semiautônomos que são permitidos no Brasil. Temos muito a fazer nesta área para aplicações comerciais. Acredito que nos próximos 5 anos o mercado de serviços de delivery vai se fortalecer muito no mundo, e no Brasil também. Teremos uma segunda onda chegando, que vai depender da modernização da legislação para missões integralmente autônomas e de avanços significativos na tecnologia e sistemas de controle aéreo”, diz. 

Os avanços nos próximos anos devem aparecer tanto na parte de softwares quanto de materiais. “Temos que evoluir nas fontes de energia para ampliar a autonomia, e no design, para facilitar as manobras. O sistema é mais complexo, e os sensores e os softwares de navegação e processamento das imagens têm muito a evoluir”, aposta Granemann. 

Faça você mesmo

A cultura do “faça você mesmo” (Do it yourself), ou cultura “maker” atinge grande número de pessoas que buscam ter objetos personalizados ou exclusivos. No Youtube é possível encontrar uma infinidade de canais, com milhares de visualizações, de aulas para aprender a fazer um drone. Essa liberdade permite que o consumidor se torne mais ativo, e decida de forma mais livre o que, e como, realmente quer um produto.

A startup BonaDrone, sediada em Barcelona, criou uma campanha de crowdfunding que pretende arrecadar € 45 mil para viabilizar o Mosquito, drone customizável feito em impressoras 3D. A iniciativa surgiu para que os clientes se aproximem da tecnologia e participem da composição, e não apenas como consumidor final.