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Agroecologia e meio ambiente* - Calos Vogt
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Plantas não convencionais são utilizadas como alternativa na alimentação
Juan Mattheus
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Erik Nardini Medina
O caminho para fiscalização e certificação
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Somos uma gente que semeia e cria. Palavras sobre as culturas e os saberes da gente do campo*
Carlos Rodrigues Brandão
A contribuição das ciências e do movimento social para a agroecologia no Brasil
Lucimar Santiago de Abreu, Stéphane Bellon e Tércia Zavaglia Torres
Propondo uma outra agricultura: a agroecologia como caminho
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Panorama dos cursos e da pesquisa em agroecologia no Brasil
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A fotografia triste do território onde a agroecologia não está
Juliana Schober Gonçalves Lima
Resenha
As sementes
Patricia Santos
Entrevista
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Entrevistado por Juliana Schober Gonçalves Lima
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Resenhas
As sementes
Documentário de 2015 dirigido por Beto Novaes e Cleisson Vidal, reúne depoimentos de Maria Andrelice dos Santos (BA), Neneide Lima (RN), Efigênia Tereza Marco de Acaiaca (MG) e Izanete Colla de Ibiaçá (RS).
Patricia Santos
10/10/2016

O documentário “As Sementes” retrata com sensibilidade e profundidade o que é a experiência de viver a partir da agroecologia. Esse tipo de cultivo é menos agressivo ao meio ambiente, promove a inclusão social e oferece melhores condições econômicas aos produtores. Além disso, desenvolve-se como área de pesquisa multidisciplinar, abordando a transição do modelo de agricultura predominante para a produção de base ecológica e sustentável. Os diretores do documentário, Beto Novaes e Cleisson Vidal, apresentam esse universo a partir do olhar de quatro mulheres de diferentes regiões brasileiras. Elas relatam a sua atuação como produtoras de agroecológicos, como membros de organizações de mulheres, e também como esposas e mães nesse contexto.

Como a agroecologia abrange o desenvolvimento social, os relatos também dão uma ideia da transformação pela qual elas passaram à medida que entenderam cada vez mais seus direitos e deveres como cidadãs. Nos depoimentos, essas trabalhadoras contam como foi a inserção nesse sistema, os desafios que enfrentaram, inclusive questionamentos que sofreram da família e da comunidade que desconfiavam do modelo agroecológico e da independência que elas estavam adquirindo.

Sobre a participação em organizações populares e feministas, elas contam como passaram a refletir sobre gênero, geração de renda e divisão de tarefas. Falam sobre a necessidade de conscientização sobre essas questões em casa, na comunidade, sobre economia solidária, atuação política local e global.

Com a experiência agroecológica, elas passaram a buscar também melhorias nos processos de trabalho, maneiras de agregar valor ao que produziam, tecnologias ou alternativas de produção que fossem além dos produtos obtidos no campo, em caso de seca ou outros obstáculos à produção.

Maria Andrelice Silva dos Santos, de Camumu (BA), recorda como rompeu barreiras, já no início da jornada, em 1998: “Quando a gente começou a trabalhar nessa atividade, muita gente dizia até que a gente era louco e que ia morrer de fome”. Neneide Lima pensa em expandir a produção em seu quintal, em Mossoró (RN), e afirma que “hoje quem mais se identifica com agroecologia são as mulheres, por mais que isso não saia nas pesquisas”. O trabalho ao redor de casa permite a elas renda extra e encanta por promover o cultivo ao mesmo tempo em que  preserva a diversidade do meio ambiente.

“O que eu ganho deixando de gastar?”, orgulha-se a mineira Efigênia Tereza Marco de Acaiaca (MG), porque tira do próprio terreno alimentos de qualidade para a família, e ainda fornece produtos a escolas, restaurantes e consumidores diretos. “Nosso supermercado é ao redor de casa, é chegar e colher”, acrescenta Izanete Colla de Ibiaçá (RS).

Porém, a agroecologia é uma atividade socialmente invisível: os alimentos suprem as famílias, trazem renda extra, mas não são vistos como uma produção formal, segundo o depoimento de Neneide.

Outra questão relevante, e que intitula o documentário, é o uso das sementes que para elas têm um valor econômico e também simbólico. As sementes obtidas nas próprias produções agroecológicas são multiplicadas e armazenadas. Os ângulos fechados escolhidos pelos documentaristas mostrando a grande quantidade e qualidade das sementes nos ajudam a entender a dimensão do empoderamento presente nessas práticas. Com sementes próprias, elas não dependem do mercado e isso é fundamental para a manutenção de suas atividades e crescimento da produção.

Izanete traz um dos depoimentos mais impressionantes do vídeo ao refletir a respeito do modelo de produção agrícola que visa o lucro em detrimento da natureza e também subjugando as mulheres. “Acreditamos que só nós podemos mudar isso. Temos que desconstruir essa cultura, algo que poderá levar gerações”, diz.

O filme é de 2015 e foi produzido com o apoio institucional do Ministério do Desenvolvimento Agrário e da Fundação Universitária José Bonifácio, com a realização da Universidade Federal do Rio de Janeiro.

As Sementes (2015)

Gênero: documentário

Duração: 30 minutos

Disponível no Youtube