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Valoração da agricultura convencional não prevê custos ambientais

É comum a afirmativa de que o modelo agrícola não-convencional, ou agroecológico, tem um custo de produção maior do que o modelo convencional. Porém, nessa conta não são incluídos os custos ambientais gerados pelo uso de defensivos agrícolas e pela erosão do solo. Computados estes custos, a atividade agrícola convencional ainda seria a mais interessante economicamente? Visando responder a esta pergunta e estabelecer um diagnóstico comparativo destes dois modelos no estado de São Paulo, Ademar Ribeiro Romeiro, professor no Núcleo de Economia Agrícola da Unicamp e atual chefe-geral da Embrapa Monitoramento por Satélite, iniciou, em julho de 2003, um projeto temático com financiamento da Fapesp.

O projeto, "Diagnóstico ambiental da agricultura em São Paulo: bases para um desenvolvimento rural sustentável", está previsto para quatro anos, e os resultados e propostas resultantes serão entregues ao governo do estado de São Paulo, visando a elaboração de políticas públicas mais adequadas à realidade sócio-econômica e ambiental do meio rural paulista.

O projeto funcionará, também, como uma espécie de complemento ao projeto de diagnóstico da biodiversidade nos remanescentes florestais do estado de São Paulo, o Biota-Fapesp, pois, serão identificados fatores de pressão ambiental nos ecossistemas naturais com origem nas atividades agrícolas. "Serão avaliadas as dinâmicas agrícolas tanto espacialmente - quando a atividade ocupa ambientes florestais - como as práticas agrícolas que afetam os remanescentes, como, por exemplo, o uso de produtos tóxicos e o assoreamento de locais de reprodução de peixes", explica Romeiro.

A pesquisa será realizada inicialmente numa região piloto: a Bacia do Rio Mogi Pardo. O local foi escolhido porque, além de ter sido bem estudado, possui desde grandes propriedades com agricultura irrigada até pequenos agricultores familiares. A idéia inicial é a adaptação de técnicas existentes e desenvolvimento de novas técnicas, de custo baixo, para a avaliação da erosão e do uso de agrotóxicos. O método científico mais comum que avalia a erosão no solo, por exemplo, é muito caro. Romeiro pretende desenvolver metodologias para realizar estimativas da ação da erosão com um custo consideravelmente menor, sem perder o grau de acurácia da técnica. Com isso, será possível um amplo diagnóstico ambiental que poderá ser feito, inclusive, em outros estados.

O uso e a ocupação do solo paulista serão avaliados via satélite e por meio de parâmetros, já usados em outras regiões, desenvolvidos pelo IBGE e outras instituições. Na opinião de Romeiro, apesar de o sistema convencional ter em um primeiro momento custos persuasivos para o agricultor, o custo da produção poderia diminuir na medida em que mais pesquisas forem feitas para otimizar a agroecologia. "Na medida em que mais pesquisas públicas são feitas pensando a questão agroecológica, a tendência é a diminuição de custos, a exemplo do que ocorreu com a agricultura convencional", conclui.

Atualizado em 05/12/03
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