Mudar a alimentação pode ser um caminho para regressão
do Parkinson
Uma
nova terapia desenvolvida por pesquisadores da Universidade Federal
de São Paulo (Unifesp), coordenados pelo professor Cícero
Galli Coimbra, promete parar o avanço - e até regredir
- a doença de Parkinson. A base do tratamento é a
mudança na alimentação: retirar a carne vermelha
(bovina e de porco) e repor a vitamina B2 (riboflavina). O mal de
Parkinson afeta o sistema nervoso central e provoca, principalmente,
tremores, rigidez nos músculos e dificuldades de movimentos.
É possível, também, que a doença cause
problemas na memória, depressão e alterações
no sono.
Os
pesquisadores, estimulados pela busca de padrões de falta
de vitaminas entre pacientes com Alzheimer e Parkinson, constataram
que esses últimos possuíam baixas concentrações
da vitamina B2. "Passamos a investigar a dieta para verificar
se não havia ingestão deficiente de boas fontes de
B2. As fontes alimentares de B2 encontradas eram boas, o que indica
uma absorção deficiente", diz Coimbra.
As
respostas aos questionários sobre alimentação
demonstraram, ainda, que os pacientes tinham uma predileção
pela carne vermelha, ingerindo três vezes mais carne que o
grupo utilizado como controle. "Revisando-se a literatura,
verificamos que a carne vermelha libera, durante a digestão,
a substância hemina, que possui propriedades tóxicas,
porque penetra as membranas celulares carregando ferro para o interior
das células, onde este eleva a produção de
radicais livres. Para evitar tal efeito, a hemina é destruída,
em sua maior parte, na própria célula intestinal (e
o restante, no fígado), utilizando a vitamina B2. Tornou-se
claro, então, que o indivíduo absorve a hemina, não
tendo então a B2 para destruí-la. Assim, solicitamos
a parada completa da ingestão de carne". Coimbra acrescenta
que o tratamento tradicional contra a doença, à base
de medicamentos, deve ser concomitante à dieta proposta pelos
pesquisadores.
Algumas
correntes da medicina têm restrições sérias
à ingestão de carne vermelha, mas Coimbra diz que
a restrição do tratamento desenvolvido pela sua equipe
"não é filosófica, apesar de que possa
reforçar essas correntes, o que me parece adequado pelos
benefícios à saúde".
A
cura para a doença vem sendo pesquisada em todo o mundo com
as mais avançadas técnicas da medicina atual, como
terapias genéticas e implantes cerebrais, mas o tratamento,
segundo essa pesquisa, parece ser mais simples do que isso: é
mais barato, não é invasivo e, principalmente, é
eficaz e está ao alcance de todos. Para Coimbra, esse tratamento,
pela primeira vez, está "combatendo a origem da doença,
e não os seus efeitos". Mas necessita de mudanças
mais profundas no estilo de vida das pessoas, visto que a retirada
de alguns alimentos do dia-a-dia é apenas um dos aspectos
para uma vida mais saudável.
Para
Luiz Meira, médico de família de Campinas, é
preciso cuidar, também, da qualidade dos alimentos ingeridos
e de procurar um equilíbrio na ingestão de proteínas,
sais, gorduras e carboidratos. A diminuição da carne
vermelha na dieta traz, para Meira, dois benefícios principais:
diminuir o contato com a carne suína que, para ele, pode
produzir a reações alérgicas profundas; e com
substâncias presentes no manejo da carne bovina, como agrotóxicos
das forragens, hormônios, antibióticos e quimioterápicos,
que acabam passando ao alimento.
Privilegiar
as sementes e frutos sem aditivos químicos ou modificações
genéticas e diminuir as gorduras (animal e vegetal) são
algumas das outras indicações de Meira. Além
disso, precisamos de cuidados intensos para a não contaminação
por metais pesados como, por exemplo, o alumínio liberado
de panelas. Contra isso, Meira sugere a utilização
de panelas de vidro no preparo dos alimentos. Mudanças que
parecem simples e que tornam, rapidamente, a vida mais saudável.