CARTA AO LEITORNOTÍCIASENTREVISTASREPORTAGENSRESENHASCRÍTICA DA MÍDIALINKS DE C&TCADASTRE-SE NA REVISTABUSCA POR PALAVRA-CHAVECARTA AO LEITORNOTÍCIASENTREVISTASREPORTAGENSRESENHASCRÍTICA DA MÍDIALINKS DE C&TCADASTRE-SE NA REVISTABUSCA POR PALAVRA-CHAVE
 

 

Notícias da Semana

Notícias Anteriores

Eventos
Dezembro
2004

Divulgue
seu evento


 



Alta diversidade de interações entre vertebrados e plantas na Mata Atlântica

Saíra-militar (Tangara cyanocephala).
Foto: Mauro Galetti

A diversidade de espécies em áreas de Mata Atlântica é uma das maiores do mundo. Segundo a organização não-governamental Conservation International, esse Bioma possui mais de 20 mil espécies de plantas, das quais 8 mil ocorrem apenas nessa região e cerca de 1.700 são vertebrados. Se o número de espécies é imenso, as interações entre elas podem ser complexas e também em número muito grande. É o que o pesquisador Wesley Silva e outros pesquisadores do Instituto de Biologia da Unicamp observaram no Parque Estadual Intervales, no sul do estado de São Paulo.

O projeto enfocou as interações entre vertebrados e plantas, principalmente as relações de frugivoria, que é o ato de comer frutos. A frugivoria é uma interação mutuamente benéfica (mutualismo) tanto para os vertebrados, por terem uma fonte de alimentos, quanto para as plantas, por terem suas sementes dispersas por esses animais.

A idéia da pesquisa surgiu em 1997, na reunião preparatória para a montagem do Programa Biota/Fapesp, do qual o projeto faz parte. "Percebi que a diversidade era encarada de uma forma muito estanque, apenas dentro dos grupos taxonômicos: de plantas, peixes, borboletas. Por que não ver como dois grupos taxonômicos interagem? Por que não colocar uma abordagem de interação entre dois grupos taxonômicos?" explica Wesley Silva. A pergunta principal era verificar se, de fato, uma grande diversidade de organismos se reflete na diversidade de interações.

A pesquisa permitiu constatar que a Mata Atlântica possui uma rede de mutualismo de frugívoros altamente complexa. As observações de campo geraram uma lista de frugívoros e outra de plantas, interligadas por meio das interações existentes entre um e outro. Esses registros foram únicos, isto é, cada interação de um animal com uma planta foi anotado apenas uma vez, o que permitiu verificar a diversidade dessas relações, resultando em cerca de 1.200 interações.

A análise dos resultados revelou que o grau de especificidade das interações entre frugívoros e plantas é menor do que, por exemplo, entre polinizadores e plantas. Segundo o pesquisador "as forças que unem os dois grupos são mais frouxas porque a natureza do fenômeno é diferente. No caso da polinização, o pólen ao sair de uma planta deve aterrissar em outra planta, não há outro substrato possível. Nesse caso, é possível encontrar adaptações visíveis como os beija-flores com bicos enormes que se encaixam perfeitamente nas flores". Em frugivoria isso não ocorre porque não há um lugar exato para a semente ser colocada. A semente pode cair em qualquer lugar e, a partir daí, deverá passar por outras fases do chamado processo de dispersão. "O fato de um frugívoro comer um fruto, engolir a semente e leva-la para longe é só uma das etapas de todo um processo bastante complexo, que poderá resultar na sobrevivência e germinação da semente e no estabelecimento de uma nova planta".

Uma observação que chamou a atenção dos pesquisadores foi a mudança que ocorreu na comunidade e nas interações após uma geada, em julho do ano 2000. Após mudanças e o transcorrer do tempo o padrão de equilíbrio foi novamente alcançado após cerca de um ano. Para Wesley Silva, isso os fez perceber que "mesmo em uma comunidade complexa, como a Mata Atlântica, a oferta de frutos pode ser extremamente sazonal. Nós percebemos a ausência de vários animais e que poucas plantas conseguiram continuar com frutos após a geada. Vimos os frugívoros alternando a dieta, outros comendo insetos, animais que nunca havíamos visto comendo insetos. Isso indica que mesmo comunidades que tem uma oferta boa e prolongada de frutos podem passar por gargalos que as tornam bastante frágeis".

O número de interações encontrados na pesquisa "mostra que conseguimos obter um retrato bastante complexo da comunidade. Mas, ainda achamos necessário mesclar várias metodologias para termos uma amostragem maior" ressalta. Isso porque o método utilizado permite saber a diversidade das interações, mas não os aspectos quantitativos e mais intensivos como, por exemplo, quantas vezes cada animal visita a planta. "O ideal é fazer uma análise mais superficial em que você aumente a chance de encontrar interações mais raras mas, também, usar métodos de observação focal em que você aumenta a quantidade de observações em grupos particulares".

Os resultados que formam esse retrato complexo das interações na Mata Atlântica, unidos a informações da literatura e de pesquisas, foram reunidos em um banco de dados "Banco de Dados de Frugivoria Neotropical" que, de acordo com Wesley Silva, tem como finalidade subsidiar estudos acadêmicos, avaliações da biodiversidade e programas de recuperação de áreas degradadas.

Atualizado em 08/12/03
http://www.comciencia.br
contato@comciencia.br

© 2001
SBPC/Labjor

Brasil 

Click Here!