Sistema
aplica inteligência artificial ao controle de fronteiras
A
equipe do Instituto Jurídico de Inteligência e Sistemas
(Ijuris), uma organização especializada em pesquisa
e desenvolvimento de sistemas para recuperação inteligente
de informações, criou um sistema voltado para o Conselho
de Defesa Nacional resolver problemas que afetam a integridade territorial
do país. A Constituição prevê que operações
junto à faixa de fronteira do Brasil, sejam elas imobiliárias,
ligadas às comunicações ou à exploração
de recursos minerais, estão sujeitas ao assentimento prévio
do Conselho.
Entre
os problemas que podem surgir nessa área, Marcelo Ribeiro,
um dos idealizadores do sistema, aponta a exploração
indevida de jazidas e de telecomunicações internacionais,
além da compra de faixas de terras por estrangeiros que,
segundo ele, podem gerar "fronteiras particulares".
"O
sistema em desenvolvimento pode ajudar na identificação
desses tipos de utilizações danosas, cruzando pedidos
de autorização anteriores com os novos e verificando
padrões, nomes ou locais que possam gerar informações
estratégicas", diz o pesquisador. "Antes do sistema,
o analista do pedido tinha um trabalho hercúleo para ser
capaz de identificar o conjunto das informações",
completa.
Batizado
de AP Visual, o sistema, também desenvolvido por Hugo Hoeschl,
Tânia Bueno e Eduardo Mattos, utiliza duas técnicas:
a Representação do Conhecimento Contextualizado Dinamicamente,
metodologia responsável pela modelagem da base de conhecimento;
e a Pesquisa Contextual Estruturada, que é o motor da busca
inteligente do sistema. De acordo com o pesquisador do Ijuris, esta
última é uma evolução de uma tecnologia
de inteligência artificial chamada de Raciocínio Baseado
em Casos. "Sistemas que se utilizam de algoritmos inteligentes
ou baseados em técnicas de inteligência artificial
são também conhecidos como sistemas baseados em conhecimento,
pois representam o conhecimento de especialistas humanos para a
máquina poder tomar decisões", explica Ribeiro.
A
equipe do Ijuris se destacou no final de junho como o grupo com
maior número de trabalhos aprovados para apresentação
na 9ª Conferência Internacional sobre Inteligência
Artificial e Direito, realizada na Universidade de Edimburgo, na
Escócia, entre eles o sistema AP Visual.
Hugo
Hoeschl e Tânia Bueno também participaram da copa mundial
de futebol de robôs, na Itália, também no mês
de junho. Além do futebol de robôs e do governo eletrônico,
Ribeiro aponta, entre os avanços ligados à inteligência
artificial, o reconhecimento de voz por computadores, as máquinas
tolerantes a falhas ou auto-corretivas e mecanismos de busca de
informações mais inteligentes que não dependem
de palavras-chave. "Encaramos a inteligência artificial
como uma série de avanços na maneira de fazermos o
computador apoiar o ser humano em várias de suas atividades
pontuais", afirma. "Hoje, a inteligência artificial
científica procura aplicações específicas
para apoiar o ser humano em suas relações com as máquinas
e com o mundo das informações", conclui.