Programa
de biodiesel prevê inclusão social no semi-árido
baiano
A
agricultura é uma importante alternativa para a geração
de renda e emprego. Este fator aliado à necessidade de inclusão
social da maioria da população brasileira levou a
Secretaria de Ciência e Tecnologia e Inovação
da Bahia (Secti), que coordena o Programa Baiano de Biodiesel, a
incluir no seu projeto uma parceria com a Secretaria de Combate
à Pobreza (Secomp) para que famílias pobres do chamado
semi-árido baiano possam complementar sua renda plantando
mamona em consórcio com outras culturas. A mamona seria utilizada
como matéria prima para fabricar o biodiesel, combustível
alternativo não poluente.
Como
qualquer óleo vegetal pode ser transformado em biodiesel,
isso propicia a descentralização da produção,
diminuindo assim, os custos com a distribuição do
combustível. "A descentralização é
um ponto importante, pois cada região tem aptidão
e potencial de produção de oleaginosas diversas, a
exemplo do Nordeste que produz dendê e mamona, entre outras,
que poderão incrementar a produção de matéria
prima para transformação em biodiesel", explica
Rosenira Serpa, coordenadora da Rede Baiana de Biodiesel
e professora de química da Universidade Estadual de Santa
Cruz, UESC, em Ilhéus.
Esta
rede integra o Programa Brasileiro de Biodiesel que tem como meta
até 2005, misturar 5% de biodiesel ao diesel de petróleo
(B-5), o que representaria uma economia de 1,3 bilhão de
litros. O objetivo é aumentar esse índice 5% ao ano
até atingir 20% em 2020. "O governo está muito
interessado no projeto baiano de produção de biodiesel.
A UESC é a única universidade que tem uma planta piloto
para produção do óleo. Com o repasse de R$
500 mil pelo Ministério da Ciência e Tecnologia, pretendemos
trabalhar na melhoria da qualidade do biodiesel baiano", diz
Serpa. Ainda segundo ela, o estado da Bahia está avaliando
a construção de uma planta comercial na região
metropolitana de Salvador em 2004, com capacidade de produção
de trinta mil litros de biodiesel mensais.
Para atender a esta nova demanda a área de produção
de mamona terá que ser expandida. A Secomp apoiará
a organização de cooperativas de pequenos produtores
e a capacitação destes agricultores familiares em
técnicas de policultivo e convivência com a seca que
possibilitem a produção de matérias primas
para a produção do biodiesel de maneira sustentável
e ecologicamente correta.
Para concretizar o projeto, a Secomp pretende estender a parceria
com o Instituto de Permacultura da Bahia (Ipeba) que já trabalha
há mais de três anos testando a transferência
da tecnologia da permacultura (cultura permanente) no semi-árido
baiano. "A permacultura tem possibilitado a ampliação
sustentável da produção agrícola de
mamona consorciada com diversas outras culturas sem irrigação
em pleno semi-árido. O segredo deste sucesso tem sido o trabalho
de forte capacitação em associativismo e técnicas
de manejo do solo e de lavouras de ciclos diferenciados, que mantêm
a umidade do solo e auxiliam no combate à desertificação",
explica Sidney Suerdieck, economista da Secomp, que trabalha no
desenvolvimento deste projeto junto ao Programa Baiano de Biodiesel.
O potencial de resgate econômico e social das famílias
rurais, no caso da mamona, é alto por se tratar de uma lavoura
comercial com crescente demanda no mercado internacional. O óleo
de mamona é um óleo nobre, utilizado pela indústria
química e pela indústria de lubrificantes. "Com
demanda adicional decorrente do biodiesel, o preço de mercado
da mamona pode dobrar assim que o Programa estiver funcionando efetivamente.
O plantio da mamona pode ser um forte instrumento de renda para
os produtores familiares que se inserirem no programa", diz
Suerdieck. As primeiras ações do Programa Baiano de
Biodiesel serão iniciadas ainda no primeiro semestre de 2004.
Biodiesel no Brasil
O Brasil vem estudando a alternativa do biodiesel desde os anos
80. Ele pode ser usado nos motores a diesel sendo, portanto, um
bom substituto quando puro, ou misturado ao diesel fóssil.
O uso no transporte coletivo pode resultar em economia de combustível
e redução da poluição nas grandes cidades,
por exemplo. O biodiesel não é tóxico, é
biodegradável, seu uso promove redução da emissão
de gases tóxicos no escapamento dos veículos e a redução
de gases que contribuem para o efeito estufa. Quanto ao impacto
econômico pode-se citar a redução das importações
de petróleo e diesel refinado, melhoria na balança
comercial, desenvolvimento regional e fixação do homem
no campo.