Notícias da Semana

Notícias Anteriores

Eventos
Novembro
Dezembro

Divulgue
seu evento


 


Manejo florestal na Amazônia pode ser mais competitivo que a agropecuária


O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou no início de novembro a segunda edição dos Indicadores de Desenvolvimento Sustentável do país, uma ampla pesquisa que abrange as áreas ambiental, social, econômica e institucional. Um dos dados dessa pesquisa é o de que a Amazônia sofre um desmatamento de cerca de 20 a 25 mil quilômetros quadrados por ano, grande parte devido à expansão da agropecuária na região. Mas de acordo com uma tese de doutorado defendida recentemente na Universidade de Brasília (UnB), pelo engenheiro florestal Écio Rodrigues, a exploração do ecossistema florestal amazônico possui maior condição de competitividade do que a exploração agropecuária.

Segundo o pesquisador, além de envolver desmatamento e queimada antes do plantio de pasto ou de culturas como a soja, as atividades de pecuária extensiva e de monoculturas agrícolas reduzem a distribuição espacial da atividade produtiva, localizando-se sempre ao longo das rodovias. Já o extrativismo, por estar no interior do próprio ecossistema florestal, possibilita uma distribuição demográfica mais compatível com a capacidade de suporte da floresta amazônica. "Os produtores vão se dispersando segundo a existência de potencial produtivo no ecossistema", afirma. "Isso permite um maior dinamismo econômico na região como um todo", completa.

Rodrigues vê a perspectiva de que a agropecuária da região amazônica, mesmo aumentando a sua produtividade, sofra uma redução de áreas disponíveis e um corte de incentivos, enquanto novos incentivos surgirão para a exploração do ecossistema florestal, com a ampliação do mercado e o surgimento de novos produtos e serviços. O chamado manejo florestal de uso múltiplo, incentivado por governos como o do Acre, amplia as tradicionais explorações de borracha e castanha na região para múltiplas atividades que envolvem, entre outras possibilidades, o ecoturismo, o artesanato, a fitoterapia e a biotecnologia.

No Acre, o pesquisador se envolveu diretamente com duas experiências que considera fundamentais para o manejo florestal comunitário realizado por extrativistas: uma na Floresta Estadual do Antimary, realizada pela Fundação de Tecnologia do Estado do Acre, e outra, no Projeto de Assentamento Porto Dias, realizada pela ONG Centro dos Trabalhadores da Amazônia. "Em ambas, apesar das dificuldades operacionais e burocráticas enfrentadas, foi possível perceber que o extrativista possui condições de compreender e assimilar as técnicas de manejo com extrema facilidade", conta.

O manejo florestal, além de aumentar a atividade econômica da região, pode aumentar também o poder de compra do trabalhador. Rodrigues estima que ao se introduzir novas formas de exploração e manejo do ecossistema, o extrativista pode elevar em até cinco vezes seu nível de renda. O risco de que haja exploração além da capacidade produtiva da floresta, segundo o pesquisador, não existe nas comunidades de manejo. "O extrativista compreende perfeitamente a importância em se manter intensidades menores de exploração para que se possa explorar sempre, para ele, seus filhos e netos", conclui.

Exploração madeireira
Essa intervenção em intensidades menores inclui a exploração de madeira, uma das atividades previstas no múltiplo uso do manejo florestal. Atualmente, as explorações de baixo impacto, que envolvem algo em torno de 14 metros cúbicos de madeira por hectare, recebem certificado internacional do Forest Stewardship Council, exigido por países europeus que importam a madeira do Brasil. "O ideal que deve ser buscado é que os ditos 'outros produtos florestais', como óleos, resinas, cascas, ervas medicinais, artesanatos e, principalmente, a fauna silvestre e as sementes possam, num futuro próximo, ter valor suficiente para dispensar a produção de madeira", avalia Rodrigues.

Atualizado em 11/11/04
http://www.comciencia.br
contato@comciencia.br

© 2001
SBPC/Labjor

Brasil