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Pesquisadores Franceses criam anticorpos que podem gerar vacina contra HIV

A revista especializada Immunity (Imunidade, em inglês) publicou, na edição de novembro, um estudo que conseguiu gerar anticorpos capazes de bloquear, em experimentos laboratoriais (in vitro), o vírus HIV, causador da aids. A experiência foi realizada pelo Centro Nacional de Pesquisa - Instituto Pasteur, de Paris, e pelo Centro Nacional de Pesquisa de Estrasburgo, no nordeste da França. A equipe dos dois Centros obteve resultados positivos em testes realizados com coelhos, e ainda deve repetir a experiência com primatas e seres humanos. Segundo o professor e pesquisador da Faculdade de Medicina da USP, Edecio Cunha Neto, estes procedimentos pode levar pelo menos três anos e, em caso de êxito, uma possível vacina a ser desenvolvida usando estes anticorpos deverá ser testada em uma área com incidência endêmica da doença, o que deve levar mais três anos.

O HIV é conhecido por ser um vírus que apresenta uma grande capacidade de mutação, gerando uma enorme variação genética e tornando difícil a identificação de um mecanismo eficaz de combate à doença, ou seja, uma vacina eficaz para todos os variantes genéticos do microorganismo. "O vírus apresenta uma capacidade de mutação muito maior, por exemplo, que o vírus da gripe", afirma Cunha Neto. Além disso, o vírus também invade e se reproduz nos linfócitos T, célula responsável pela defesa do corpo, destruindo-os logo em seguida.

Segundo o pesquisador, existem duas grandes linhas de pesquisa que buscam obter uma vacina eficaz contra a aids. Uma delas busca tentar melhorar a resposta do sistema imunológico como um todo, por meio de vacinas que aumentem a "resposta citotóxica", ou seja, as respostas das células de defesa ao ataque imediato do vírus. Outra linha visa desenvolver anticorpos específicos que bloqueiem diretamente a contaminação das células do nosso corpo - estratégia que poderia proteger os indivíduos vacinados de adquirirem infecção pelo HIV. O estudo da equipe francesa está situado na segunda linha de investigação e teve como ponto relevante a geração de anticorpos capazes de bloquear muitas variedades diferentes do HIV.

Outra dificuldade mencionada pelo especialista para o desenvolvimento de vacinas para a aids é o fato de que, mesmo após o teste bem sucedido em seres humanos voluntários, o teste em populações de regiões de incidência endêmica da doença pode não dar certo. Foi o caso da vacina desenvolvida por pesquisadores da Universidade de Oxford (Inglaterra) e de Nairôbi (Quênia). O desempenho da vacina na etapa final dos testes, em voluntários do país africano, ficou bem abaixo do esperado, por razões ainda desconhecidas. (Leia mais na Pesquisa Fapesp)

Apenas os testes feitos pelos pesquisadores da Inglaterra e do Quênia consumiram um montante de cerca de US$ 80 milhões desde o início do desenvolvimento, o que mostra o alto custo de pesquisa nessa área, mesmo sem a certeza de um êxito final. "O ciclo completo de uma pesquisa que culmina com o desenvolvimento de uma vacina ou droga de última geração pode chegar a centenas de milhões de dólares", conclui o pesquisador.

A equipe de Cunha Neto, do Instituto de Investigação em Imunologia e da Faculdade de Medicina da USP, também tem investigado a resposta imunológica ao HIV e já desenvolveu um trabalho na mesma linha da equipe francesa, divulgados neste ano em congressos internacionais sobre o HIV e aids na Suíça e na Tailândia. Os resultados obtidos, no entanto, ainda serão testados em cobaias, antes de tentativas de uso em seres humanos.

Atualizado em 29/11/04
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