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Diretor do Ippur critica mercantilização da água
Carlos Bernardo Vainer

Ciro Gomes garante que transposição é medida mais apropriada
Ciro Gomes

 

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FOTO: DIVULGAÇÃO

Ciro Gomes garante que transposição é medida mais apropriada

Governador do Ceará de 1990 a 1994 e candidato à presidência da República em 1998 e 2002, Ciro Gomes assumiu o ministério da Integração Nacional em janeiro de 2003, com uma missão histórica a cumprir: Integrar a bacia do rio São Francisco com as bacias hidrográficas do Nordeste Setentrional, ação que vem levantando discussões há mais de um século. Em entrevista à ComCiência, realizada em novembro de 2004, ele afirmou que o projeto é a garantia da segurança hídrica do semi-árido e, ao contrário das tentativas anteriores está “livre de ideologias”. Para a construção dos dois canais: eixo Norte e eixo Leste, os recursos são exclusivamente da União – cerca de R$ 4,5 bilhões. Depois de prontos, a gestão e operacionalização dos canais estarão a cargo da Companhia Hidrelétrica do São Francisco (Chesf). Gomes garantiu que o consumo atual de água na bacia é de apenas 5% do total que o rio despeja no Atlântico e que “revitalizar antes de transpor”, como muitos defendem, não é uma opção sensata, pois a revitalização é um processo de mudança cultural que deverá abranger uma geração inteira e o Nordeste precisa de água a curto prazo. Quanto à cobrança da água, o ministro garante que ela só terá custos para os setores produtivos industriais ou agroindustriais e grandes consumidores urbanos per capita, sendo que à população mais pobre, a água será oferecida a custo quase zero.

ComCiência - Sabemos que o Projeto de Integração da Bacia do Rio São Francisco às Bacias do Nordeste Setentrional é tão antigo quanto a seca no semi-árido nordestino. O que o teria inviabilizado até agora? Por que os governos anteriores não executaram o projeto? Foram razões econômicas, políticas, técnicas ou de outra natureza?
Ciro Ferreira Gomes – A idéia de integrar a bacia do Rio São Francisco às dos rios intermitentes do Nordeste Setentrional vem do tempo do Império. Ela é hoje, como já foi no passado, motivada pela necessidade de garantir segurança hídrica a uma área densamente habitada do semi-árido nordestino. As tentativas anteriores foram inviabilizadas por erros de concepção, pela paixão que o tema suscita, pela desinformação e, também, pela ideologização da questão. Logo após tomar posse da presidência da República, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva instruiu o vice-presidente José Alencar para levantar a literatura existente a respeito do assunto, incluindo as diferentes propostas técnicas, e ainda ouvir as partes interessadas em cada um dos estados que integram a bacia hidrográfica do São Francisco. Durante cerca de cinco meses, Alencar reuniu-se no Nordeste e em Minas Gerais, berço do rio, com as partes interessadas, recolhendo subsídios técnicos, comentários e opiniões para a elaboração da nova concepção do projeto, agora adequado às condições hidrológicas do São Francisco. O que no passado mais recente inviabilizou o projeto foram alguns claros erros técnicos de concepção. Por exemplo: estimou-se uma captação contínua de 300 metros cúbicos de água por segundo. No projeto atual, a captação contínua – estabelecida pela Agência Nacional de Águas (ANA), à qual cabe, por lei, a outorga do uso da água, e aceita pelo Comitê de Gestão da Bacia do São Francisco – será de apenas 26 metros cúbicos por segundo, ou seja, 1% do volume que o rio despeja no mar. Nos anos hidrologicamente favoráveis, quando estiver cheia a barragem de Sobradinho, a jusante da qual será feita a captação, esse volume será ampliado para a média de 63,5 metros cúbicos por segundo. Também inviabilizou as propostas anteriores a completa desinformação da sociedade nordestina sobre a questão.

ComCiência - Qual o valor total estimado para a obra completa e em quanto tempo ela será concluída? Qual será a fonte de recursos para financiar a obra? O dinheiro é privado, público ou de empréstimo internacional? O plano prevê algum sistema de concessão ou o próprio governo administrará o projeto?
Ciro Gomes – A primeira fase do projeto – que prevê a construção do Canal Leste, que levará água para o agreste e o sertão de Pernambuco e da Paraíba, e o Canal Norte, que demandará aos estados do Ceará e Rio Grande do Norte e ao alto sertão paraibano – tem um custo estimado em R$ 4,5 bilhões, recursos exclusivamente oriundos do orçamento da União. O governo construirá e operará o projeto. A idéia é de que, quando o projeto estiver concluído, a Companhia Hidrelétrica do São Francisco (Chesf) assuma a sua operação e gestão, desde a fiscalização da faixa de domínio dos dois canais, até a comercialização da água.

ComCiência - A imprensa já divulgou que um montante de R$ 250 milhões teriam sido destinados ao projeto em 2004. Onde foram aplicados? E o que será feito de imediato com o R$ 1 bilhão destinado ao projeto em 2005 pelo governo?
Ciro Gomes – Eu desconheço as informações sobre a aplicação desse montante de recursos, mesmo porque o Projeto de Integração da Bacia do São Francisco ainda está em discussão pela sociedade. É preciso deixar claro que esse projeto é só um item do Programa de Desenvolvimento Sustentável do Semi-Árido do Nordeste, elaborado pelo Ministério do Meio Ambiente em parceria com o Ministério da Integração Nacional. Esse programa tem ainda outro projeto destacado, que é o de Revitalização do Rio São Francisco, cujas ações, já iniciadas, envolvem vários ministérios. O das Cidades, por exemplo, está investindo cerca de R$ 650 milhões na implantação de projetos de abastecimento de água e de esgoto sanitário em 86 cidades localizados na Bacia do São Francisco. Por sua vez, o Ministério da Integração Nacional, por meio da Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba (Codevasf), em parceria com o governo de Minas Gerais, executa ações de reflorestamento, controle da erosão e monitoramento ambiental das principais sub-bacias de afluentes do Rio São Francisco, o que contribui diretamente para a melhoria da qualidade de suas águas. Em 2004, os ministérios do Meio Ambiente e da Integração Nacional investiram R$ 26 milhões em ações de revitalização do rio. No exercício de 2005, o orçamento dos dois ministérios dispõe de R$ 100 milhões para o mesmo objetivo: promover ações de revitalização do São Francisco, cujas prioridades serão indicadas pelo Comitê de Gestão de sua Bacia.

ComCiência - O Comitê da Bacia do Rio São Francisco está sendo consultado pelo governo e tem participado da elaboração do projeto? De que maneira?
Ciro Gomes – O Comitê da Bacia do Rio São Francisco só começou a operar efetivamente no ano de 2003 e passou os últimos meses daquele ano e os primeiros sete meses de 2004 elaborando, discutindo e aprovando o Plano Decenal de Recursos Hídricos da Bacia. Esse plano fez um diagnóstico da situação do rio São Francisco, estabelecendo diretrizes para a revitalização da bacia hidrográfica. Foi um importante avanço, pois verificou-se que o consumo atual de água na bacia é de cerca de 5% da vazão garantida do rio na foz, mesmo nos anos de hidrologia crítica. Isso significa que há disponibilidade hídrica no rio, por muitas décadas, para promover o desenvolvimento sustentável do Vale do São Francisco e do semi-árido nordestino, pois não podemos desconhecer que 70% da água da região estão no São Francisco, enquanto a maior parte da população do Polígono das Secas encontra-se fora de sua bacia hidrográfica. Haverá água para todos, felizmente.

A discussão sobre o quanto de água é possível transferir para outras bacias tem sido feita pelo Comitê, que em princípio concorda com a retirada de água para a segurança da demanda humana. Serão 26 m³/s, que garantirão o suprimento da demanda humana de água. A Agência Nacional de Águas propôs que se aproveitem as águas do rio nos anos chuvosos, transferindo-as do reservatório de Sobradinho, quando este estiver cheio e vertendo, para os açudes dos rios intermitentes, por meio dos quais poderão ter uso múltiplo. Ninguém perderá com isso, pois esse excesso de água iria para o mar sem qualquer uso útil.

Embora alguns setores presentes no Comitê advoguem que é primeiro preciso revitalizar o Rio São Francisco para depois fazer a integração de bacias, essa opção, a nosso ver, não é sensata, pois uma coisa independe da outra. Os estudos de impacto ambiental do Projeto demonstraram que ele não impacta os usuários do São Francisco, com exceção de uma pequena perda de energia na produção da Chesf. Ninguém na bacia será prejudicado, e parte dela será beneficiada pelo projeto, pois o estado de Pernambuco, que pertence à bacia, receberá 1/3 da água do projeto. Por outro lado, a revitalização é um processo também de mudança cultural, demorado, e levará uma geração para ser totalmente concretizada. Não é justo prejudicarmos nordestinos que precisam de água em curto prazo, mesmo porque o problema do Rio São Francisco não é falta de água, especialmente depois da barragem de Sobradinho, onde se farão as captações do projeto de integração.

ComCiência - Como o governo pretende tratar os pontos negativos do EIA-Rima, uma vez que eles não foram suficientemente convincentes ao governo para inviabilizar ou alterar o projeto?
Ciro Gomes – O Relatório de Impacto ao Meio Ambiente, cuja íntegra se encontra à disposição no sítio do Ministério da Integração Nacional, mostra que os impactos ambientais serão reduzidos e localizados, sendo que o próprio Rima apresenta medidas mitigadoras e compensatórias para cada um deles, garantindo a viabilidade ambiental do empreendimento. É importante destacar que não há impactos previstos sobre o ecossistema da bacia doadora – a do Rio São Francisco – mas apenas nas bacias receptoras, as dos rios intermitentes do Nordeste Setentrional. Mesmo assim, eles são de pequena monta. O Rima lista 24 programas ambientais que serão executados ao longo e após toda a implementação do empreendimento. Destaco entre eles a proposta de criação de 1 milhão de hectares em Unidades de Conservação de Proteção Integral no Bioma Caatinga, o que multiplicará por dois a área atualmente protegida. O Rima, é importante que se diga, foi preparado por uma equipe de 40 cientistas e técnicos de alto nível, os quais, em sua quase totalidade, não têm ligações com o governo. Esse documento, técnica e politicamente isento, defende a realização do empreendimento, diz que ele é ambientalmente viável e acentua que ele assegurará a oferta permanente de água para o consumo de uma população estimada em 12 milhões de pessoas.

ComCiência – De que forma a água oferecida vai chegar a essa população de 12 milhões de pessoas vítimas da seca?
Ciro Gomes - A região a ser beneficiada já conta com uma infra-estrutura de reservação de água em açudes de médio a grande porte, a partir dos quais existe uma rede de adutoras implantadas, em implantação e planejadas, responsável pelo abastecimento das principais cidades. Tal infra-estrutura de reservação, apesar de seu porte, não oferece garantia de fornecimento de água no caso de secas mais intensas o que ocasiona, como visto no passado recente, riscos de colapso no abastecimento das cidades mais populosas. Esta falta de garantia no fornecimento de água ocorre porque reservatórios barram rios intermitentes e a água que acumulam destina-se a garantir o abastecimento da população em um ano de seca. Ou seja, o uso dessa água não é otimizado, porque quanto maior for a área do espelho dágua do reservatório, maior é a sua perda pela evaporação. Como o projeto garantirá a oferta permanente de água, não será mais necessário que esses reservatórios permaneçam cheios. A consequência positiva será o uso contínuo da água represada, o que reduzirá em até 50% a perda pela evaporação. Ou seja, o projeto representa uma garantia da oferta hídrica nos grandes açudes, que permitirá não só uma melhor gestão dos recursos hídricos locais, mas também uma substancial redução das perdas. Para que essa oferta hídrica garantida se transforme em benefício para a população os estados terão de 1) implementar um processo eficiente de gestão da água; 2) construir um sistema de integração de suas próprias bacias; 3) dar continuidade ao planejamento e implantação de uma malha de adutoras (tubulares ou não) que transporte a água até as redes de distribuição.

ComCiência – A água passará a ter algum custo? Ele será maior ou menor do que o de hoje?
Ciro Gomes – Sim, mas esse custo é inferior a outras alternativas de obtenção de água, como por exemplo a dessalinização. Infelizmente, a área beneficiada não comporta mais a construção de grandes açudes, que possam aumentar substancialmente a oferta hídrica regional. Alguma água subterrânea poderá também ser obtida de forma sustentável. Mas o aumento da oferta não satisfaz às necessidades decorrentes da obtenção de condições para o desenvolvimento sustentável da região. Daí a necessidade de integrar as bacias, o que está sendo feito em nível interno pelos estados do Ceará e da Paraíba, mas que pode ser potencializada com a integração ao Rio São Francisco. Isso porque haverá ganhos de água nos açudes receptores, com águas locais, decorrentes de perdas hídricas que deixarão de existir com a integração. Esse ganho, denominado sinergia hídrica, tornará a água ainda mais barata para os estados receptores.

Os estados serão induzidos a cobrar pela água para que possam pagar ao operador do projeto de integração. Essa cobrança será feita aos setores produtivos, industriais ou agroindustriais, e aos grandes consumidores urbanos per capita, com o que se permitirá que a água continue a ser ofertada às populações mais pobres, dos meios urbano e rural, a custos subsidiados ou, no limite, a custo zero.

ComCiência – Quais os resultados previstos pelo governo, após a execução do projeto, com relação à irrigação? O benefício chegará tanto para pequenos como para grandes produtores? Qual o percentual de distribuição (consumo humano, irrigação, indústria...)? A agricultura familiar será beneficiada?
Ciro Gomes – Estima-se que o projeto viabilizará, direta e indiretamente – pela melhoria da gestão dos recursos hídricos locais e pela sinergia hídrica – a inserção de cerca de 100 mil hectares e a criação de 186 mil empregos de novas áreas irrigadas, bem como a inserção/viabilização de cerca de 24.400 hectares irrigados nas áreas ao longo do traçado dos canais e de mais 20 mil hectares ao longo das várzeas dos rios receptores. Nas áreas ao longo dos canais, os beneficiados serão pequenos agricultores e assentamentos do Incra [Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária] já instalados na região, além de novas áreas destinadas à reforma agrária que já se encontram em estudos pelo Incra. Nos projetos de irrigação planejada uma parcela dos lotes é usualmente ocupada por pequenos produtores habilitados.
Em relação à vazão média bombeada, as demandas projetadas possíveis de ser atendidas são:
a) a demanda prioritária para o consumo humano (urbana e rural)e dessedentação animal, de 26 m³/s, representa cerca de 41% da vazão média bombeada;
b) as demandas rurais diversas, inclusive a irrigação voltada para a agricultura familiar, de 28,5 m³/s, representa 45% da vazão média bombeada.
c) o restante (14%) pode ser destinado ao suprimento da demanda industrial, que exige segurança hídrica.
Isso significa que os itens (a) e (b), prioritários socialmente, seriam garantidos com águas do Rio São Francisco. Os usos econômicos seriam atendidos com águas locais dos açudes. É preciso lembrar que é no interior do sertão que a oferta hídrica para produção de alimentos básicos é mais escassa.

ComCiência – Há divergências políticas entre os estados envolvidos ao projeto? Como o Ministério tem tratado a questão dentro do contexto da integração do território nacional?
Ciro Gomes – O governo federal trata das divergências estaduais com muito respeito e naturalidade, reconhecendo que se trata de mais um conflito distributivo. O governo está implementando o Programa de Revitalização do São Francisco, cujas ações efetivas já foram iniciadas. Entretanto, está convencido de que o projeto de integração de bacias é necessário e oportuno, e que o rio São Francisco é um recurso da nação brasileira, que deve beneficiar a todos, distribuindo de forma eqüitativa entre a população nordestina a água que é essencial à vida do cidadão, como já se faz com a energia que é gerada neste mesmo rio.

ComCiência – A partir de que momento e de que maneira deverão ser implantadas as cisternas e os poços subterrâneos mencionados no EIA-Rima como alternativas complementares à seca? Quantas cisternas estão previstas? Quantos poços poderão ser utilizados?
Ciro Gomes – O governo federal e também os governos estaduais aplicam recursos em pequenos projetos hídricos no Nordeste. Pequenos açudes, adutoras, poços e cisternas, além do saneamento básico, têm sido financiados pelo poder público. Ocorre que a região abriga uma população dispersa expressiva e muitas vezes as obras estruturantes não conseguem atendê-las. As cisternas são usadas em outras partes do mundo para suprimento de água não potável, por causa do risco de contaminação, quando não há uma manutenção correta, com aplicação de produtos químicos que eliminam as bactérias e microorganismos que proliferam no ambiente da cisterna. Por isso, o Programa de 1 Milhão de Cisternas tem sido ampliado cuidadosamente, para o suprimento de água potável para as populações dispersas do semi-árido.
Paralelamente, o programa de adutoras do semi-árido, denominado Proágua, tem sido priorizado e já construiu cerca de 2 mil km de adutoras, que abastecem boa parte da população urbana da região. Esse programa continuará a ser implementado para as áreas ainda carentes de infra-estrutura de distribuição de água. As fontes hídricas dessa água são os grandes açudes da região e, por isso, é preciso garantir que eles sejam alimentados mesmo no caso das grandes secas plurianuais. Portanto, não basta construir adutoras, é preciso garantir as fontes de água para alimentá-las com segurança. Também se constroem atualmente canais de integração de bacias, possibilitando a interligação de açudes. Atualmente, o Estado do Ceará está construindo um canal com cerca de 200 km, integrando o açude Castanhão aos açudes que alimentam a cidade de Fortaleza. Também há o programa de poços e dessalinizadores, que está sendo ampliado na medida em que seja garantido o uso público e não privado da fonte e também haja certa segurança quanto à sustentabilidade do lençol subterrâneo supridor, para que não se perca o investimento em milhares de poços secos, como no passado.

Concluindo, a integração de bacias é parte de um conjunto de medidas estruturantes para o setor hídrico do Nordeste. Visa garantir água para grande parte da população, em conjunto com as demais obras, mas também propiciar uma melhor gestão da oferta hídrica, aproveitando a diversidade hidrológica entre bacias e a segurança que somente as fontes perenes de água podem garantir, numa região com secas prolongadas e freqüentes.

Atualizado em 10/02/2005

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