REVISTA ELETRÔNICA DE JORNALISMO CIENTÍFICO
Poema
Quincas Borba revisitado
Por Carlos Vogt
10/06/2013

Vi escrito numa camiseta:

“Seja a pessoa que seu cachorro pensa

que você é”.

Perguntei-me se eu fazia jus

ao que os meus pensam de mim,

tentando entender, decifrar, ler

as intenções de seu humor e de suas

manifestações de afeto, de alegria, de espera

de impaciência, de necessidades e desejos,

seus silêncios e alaridos.

Não sei se interpretei bem

e me equivoco ao traduzir

para a linguagem humana

a sintaxe ruidosa e o espalhafato sonoro

da expressão de um sentido tão bobo e singelo

que era melhor não dizê-lo,

mas que, provocado pela insistência

do olhar e a mansidão do barulho,

que me recebem quando chego em casa,

é melhor dizê-lo do que guardá-lo, para perdê-lo:

─ Se ainda não é, você tem a obrigação de ser

a pessoa que, com prazer, pensamos que você é!