Mulheres em conflitos territoriais e comunitários na Amazônia: em memória de Dilma, Nilce e Jane

Por Laura dos Santos Rougemont

Falar de conflito implica, quase que necessariamente, falar de violência. E conflito e violência são temas que têm aparecido cotidianamente para qualquer um/a que acesse os meios de comunicação e as redes sociais.  Os primeiros meses de 2022 têm demonstrado uma profusão de conflitos, violências e guerras em várias escalas. Um dos casos mais evidentes é o conflito protagonizado por Ucrânia e Rússia, com bastante cobertura midiática, reacendendo os riscos de uma Terceira Guerra Mundial. Podemos citar também a guerra cotidiana que o povo preto e periférico enfrenta nas favelas cariocas, com brutais e inexplicáveis assassinatos de jovens negros/as, como foi o caso de Jonathan Ribeiro, 18 anos, morto no Jacarezinho por um policial militar. Conflito e violência também perpassam a guerra imposta pelos garimpeiros aos indígenas Yanomami no estado de Roraima, fronteira com a Venezuela. É ali é onde o povo indígena está sendo dizimado e, como numa espécie de releitura da colonização, vem sendo vítima de uma série de crimes em decorrência do garimpo ilegal que invadiu seu território com o incentivo do próprio governo federal. Na TI Yanomami, indígenas, dentre crianças e adolescentes, sofrem com a contaminação por mercúrio, desnutrição, ameaças, alcoolismo, bem como com crimes de cunho sexual, como assédios e estupros. Aliás, mais uma jovem indígena de apenas 12 anos acaba de morrer vítima de estupro por parte de garimpeiros. Continue lendo Mulheres em conflitos territoriais e comunitários na Amazônia: em memória de Dilma, Nilce e Jane

Dicionário dos negacionismos no Brasil

Por Fabíola Mancilha Junqueira

Lançado em abril, o Dicionário dos negacionismos no Brasil (Editora Cepe) figurou entre os cinco mais vendidos pela Amazon na categoria jornalismo. Organizado por José Szwako, professor e pesquisador do Instituto de Estudos Sociais e Políticos da Universidade Estadual do Rio de Janeiro, e José Luiz Ratton, professor e pesquisador do Programa de Pós-Graduação em Sociologia da Universidade Federal de Pernambuco, o dicionário conta com 112 especialistas brasileiros e internacionais na discussão dos verbetes. Continue lendo Dicionário dos negacionismos no Brasil

Ações afirmativas: linha do tempo

1993 – Movimento pelas Reparações Já estima* que 3,6 milhões de africanos foram trazidos à força ao Brasil, gerando em quase 400 anos uma força de trabalho escravizada de 30,7 milhões de pessoas, com “vida útil” média de 20 anos, gerando 6,14 trilhões de dólares de receita aos escravizadores; considerando que em 1993 havia 60 milhões de descendentes de africanos escravizados (40% da população total do Brasil estimada pelo IBGE), a indenização justa por pessoa deveria ser de 102 mil dólares.

* partindo dos estudos de João Luís Ribeiro Fragoso e Manolo Florentino em O arcaísmo como projeto (editora Civilização Brasileira, 1958) Continue lendo Ações afirmativas: linha do tempo

_revista de jornalismo científico do Labjor