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A grande inversão: militares e ‘reinicialização do Estado’ no Brasil atual

Por Piero Leirner

É “fato” amplamente espalhado pela imprensa que Bolsonaro provoca constantes “intervenções” nas Forças Armadas, e que há “militares bolsonaristas” que ajudam a produzir uma “polarização” interna em relação aos “legalistas”. Pouco se percebe que Bolsonaro é um biombo, produzido justamente pelo comando das Forças Armadas para que os raios caiam sempre em um mesmo lugar conveniente. O que será dele ainda não sabemos, mas é possível falar com alguma segurança que o processo de “reinicialização” do Estado em “modo de segurança” com militares atuando como “administradores do sistema operacional” ainda está em curso. Continue lendo A grande inversão: militares e ‘reinicialização do Estado’ no Brasil atual

Tenentes vs. Bacharéis: a primeira onda do tenentismo e o começo do conflito entre os militares e o sistema jurídico no Brasil

Por Douglas Oliveira Donin

Sem a Constituição o nomeando defensor, o militar perde sua essência, torna-se um pistoleiro ou mercenário qualquer. Por isso é estranho, ou ao menos deveria ser estranho, o pensamento que uma força armada possa aspirar existir fora do sistema constitucional – como se pairasse acima dele, imune aos seus desígnios. Uma força externa, que o tutela de fora – que o aceita quando e se quiser, ao sabor da discricionaridade do comando. Seria, no mínimo,  uma contradição. Continue lendo Tenentes vs. Bacharéis: a primeira onda do tenentismo e o começo do conflito entre os militares e o sistema jurídico no Brasil

Mulheres em conflitos territoriais e comunitários na Amazônia: em memória de Dilma, Nilce e Jane

Por Laura dos Santos Rougemont

Falar de conflito implica, quase que necessariamente, falar de violência. E conflito e violência são temas que têm aparecido cotidianamente para qualquer um/a que acesse os meios de comunicação e as redes sociais.  Os primeiros meses de 2022 têm demonstrado uma profusão de conflitos, violências e guerras em várias escalas. Um dos casos mais evidentes é o conflito protagonizado por Ucrânia e Rússia, com bastante cobertura midiática, reacendendo os riscos de uma Terceira Guerra Mundial. Podemos citar também a guerra cotidiana que o povo preto e periférico enfrenta nas favelas cariocas, com brutais e inexplicáveis assassinatos de jovens negros/as, como foi o caso de Jonathan Ribeiro, 18 anos, morto no Jacarezinho por um policial militar. Conflito e violência também perpassam a guerra imposta pelos garimpeiros aos indígenas Yanomami no estado de Roraima, fronteira com a Venezuela. É ali é onde o povo indígena está sendo dizimado e, como numa espécie de releitura da colonização, vem sendo vítima de uma série de crimes em decorrência do garimpo ilegal que invadiu seu território com o incentivo do próprio governo federal. Na TI Yanomami, indígenas, dentre crianças e adolescentes, sofrem com a contaminação por mercúrio, desnutrição, ameaças, alcoolismo, bem como com crimes de cunho sexual, como assédios e estupros. Aliás, mais uma jovem indígena de apenas 12 anos acaba de morrer vítima de estupro por parte de garimpeiros. Continue lendo Mulheres em conflitos territoriais e comunitários na Amazônia: em memória de Dilma, Nilce e Jane

As comissões de heteroidentificação, as cotas e as identidades coringas dos pardos

Por Dagoberto José Fonseca

O fenômeno das identidades negras estimuladas pelas ações do movimento negro e pelas do Estado tem ganhado cada vez mais espaço na sociedade brasileira. Muitas pessoas, especialmente jovens e adolescentes, que no final da década de 1990 não se consideravam negros, isto é nem pretos e nem pardos, nos primeiros anos do século XXI se afirmam negros. Continue lendo As comissões de heteroidentificação, as cotas e as identidades coringas dos pardos

A qualidade e equidade da educação infantil em uma perspectiva curricular

Por Daniel Domingues dos Santos e Camila Martins de Souza Silva Continue lendo A qualidade e equidade da educação infantil em uma perspectiva curricular

A família construída por laços afetivos da adoção

Uma criança encaminhada para a adoção certamente sofreu perdas e rupturas abruptas, e que seguramente farão para sempre parte de sua história. Entretanto há de se destacar que o rompimento com a família consanguínea pode significar esperança ao possibilitar um novo encontro com uma família que ofereça afeto, segurança e um ambiente seguro e propício para seu desenvolvimento. A adoção – apesar de visar ao bem maior da criança – proporciona tanto uma família a ela quanto também um filho aos pais/mães a partir de um processo de parentesco construído e ligado por laços afetivos.

 Por Jéssika Rodrigues Alves, Camila Aparecida Peres Borges e Martha Franco Diniz Hueb Continue lendo A família construída por laços afetivos da adoção