Arquivo da categoria: artigo

Exploração comercial infantil na internet: direitos e privacidade de dados na era da convergência

A exploração comercial infantil fundada na mineração de dados pessoais traz consigo inúmeros riscos e prejuízos aos direitos infantis, sendo urgente e necessário o debate sobre formas de combatê-la efetivamente e garantir um ambiente digital alinhado ao melhor interesse das crianças.    

Maria Mello e João Francisco de Aguiar Coelho

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Primeiro contato das crianças Karipuna com a escola

Imagem: Unifap/Escola indígena Jorge Iaparrá

Os primeiros anos das crianças indígenas Karipuna da aldeia Espírito Santo nas escolas mostram o momento de transição de um espaço livre, sem muitas regras, para o espaço escolar e suas regras. O momento em que elas vão para a escola é especial e delicado para a família, quando se faz necessário observar as relações das crianças e o espaço escolar.

As crianças Karipuna são criadas de acordo com a cultura e os costumes de seus antepassados, desde muito cedo são ensinadas a respeitar não só as pessoas, mas tudo que faz parte do seu habitat, sejam eles seres vivos e não vivos, lugares sagrados que tem um significado muito importante para o seu povo.

Toda a comunidade se envolve na criação, assegurando e garantindo o seu desenvolvimento como criança, cercando-a de atenção e carinho. Ter professores indígenas formados para trabalhar, principalmente com as séries iniciais nas escolas, é importante para garantir a alfabetização das crianças em língua indígena e, com isso, preservar a língua materna e facilitar a adaptação ao espaço escolar.

Por Janina dos Santos Forte Continue lendo Primeiro contato das crianças Karipuna com a escola

Sobre as ‘lives’, para ler ouvindo ‘Fala’, dos Secos & Molhados

Ou ouvindo ‘Fala tu que eu tô cansado’, por Jovelina Pérola Negra, composição de Edésio Só

 Por Ricardo Muniz Continue lendo Sobre as ‘lives’, para ler ouvindo ‘Fala’, dos Secos & Molhados

Grande ausência, grande anormalidade

Por Artur Araújo

Por que a maior anormalidade do presente é a grande ausência das manifestações populares, quer como opinião consolidada, quer como mobilização em defesa de seus interesses e exigindo a reversão da situação presente? Não faltam hipóteses explicativas, que vão desde uma “culpabilização do povo” – que teria se transformado em uma horda majoritariamente reacionária e que age contra seus próprios interesses materiais – até ao discurso autoindulgente, do “estamos fazendo o que dá, mas a mídia esconde”. Continue lendo Grande ausência, grande anormalidade

O médico que é o monstro

Por Carlos Orsi

Em O Estranho Caso de Dr. Jekyll e Sr. Hyde, a poção efervescente criada pelo médico produz uma transformação, uma libertação ou apenas oferece uma cobertura, um disfarce? Se for um disfarce: para os olhos da sociedade, ou para os do espelho? É uma indefinição que transcende a maior parte das adaptações e interpretações fáceis da novela, mantém a alegoria de Stevenson viva – e torna-a especialmente relevante neste momento em que uma efervescência de outro tipo revelou tantos médicos (e políticos, e militares, e jornalistas) com monstros dentro de si. Continue lendo O médico que é o monstro

O sucesso que gera desgraça

Por Ladislau Dowbor

“A maldade desta gente é uma arte”
(Ataúlfo Alves)

Temos o dinheiro, temos a tecnologia, temos estatísticas detalhadas sobre cada drama, em cada canto da terra. Temos até instruções passo a passo nos 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da ONU para 2030. Mesmo assim, apenas olhamos e balançamos a cabeça. Nossos problemas não são econômicos, são uma questão de organização social e política. É uma questão de mudança cultural. Sentimo-nos institucionalmente desamparados. E a ética tem muito a ver com os desafios. Continue lendo O sucesso que gera desgraça

A face de Ricardo Salles na home do UOL e a extensão do cinismo jornalístico

Por Alceu Castilho

É preciso sempre recordar a frase do Godard sobre imprensa televisiva: “Cinco minutos para Hitler, cinco minutos para os judeus”. Quando é pior que isso: são 30 minutos para Hitler, 30 minutos para Bolsonaro, 30 minutos para Salles, 30 minutos para todo o resto do planeta — e os excluídos só aparecerão embalados em formatos que não ameacem as estruturas. Continue lendo A face de Ricardo Salles na home do UOL e a extensão do cinismo jornalístico

Religiosos como agentes da maldade e como a teologia tenta entendê-la

Por Ricardo Wesley M. Borges

“Qualquer mal que os caluniadores do mundo possam praticar, o mal que os bons praticam é o mal mais nocivo”

Friedrich Nietzsche

A desumanização do outro costuma estar presente na maldade que é infligida a alguém. A teóloga Fleming Rutledge toca nesse ponto quando menciona a familiar dinâmica humana “onde é prática comum desumanizar e até mesmo demonizar outros humanos que pretendemos excluir ou matar”. Com frequência, são justamente os que estão imbuídos de um senso de religiosidade, atrelado a uma autopercepção de superioridade moral, os que potencialmente podem provocar maior dano no mundo. Continue lendo Religiosos como agentes da maldade e como a teologia tenta entendê-la