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A atualidade de um editorial de 150 anos

Por Peter Schulz

A divulgação científica hoje faz parte da agenda de discussões sobre ciência com uma intensidade que parece inédita no contexto de negacionismo científico e ataques à ciência que presenciamos. No entanto, divulgação científica (ou popularização da ciência ou ciência popular) tem historiografia rica. Rica, mas em crise recente com debates sobre mudanças para um paradigma em que ciência e sua divulgação/popularização não deveriam ser categorias separadas, por tão entrelaçadas, embora diferentemente em distintos lugares e tempo. Continue lendo A atualidade de um editorial de 150 anos

As cores ao longo da ciência

Por Peter Schulz

A epidemia de Peste Bubônica, que assolou a Inglaterra entre 1665 e o ano seguinte, ficou conhecida como a Grande Praga de Londres[i], mas espalhou-se também por várias cidades menores, inclusive Cambridge, onde se encontrava o jovem Isaac Newton. O Trinity College da universidade local interrompeu as atividades em agosto de 1665 e o recém-formado e já promissor filósofo natural se refugiou em Woolsthorpe, sua cidadezinha natal. Para a História da Ciência o período da epidemia ficou conhecido como Anni Mirabilis, devido às contribuições de Newton ao conhecimento humano realizadas durante seu isolamento. Uma das contribuições é uma Teoria das Cores, cujo ponto de partida foi a observação da decomposição de um feixe de luz branca nas cores do arco íris ao passar por um prisma. Continue lendo As cores ao longo da ciência

Livros personagens de livros

Por Peter Schulz

“É clássico aquilo que permanece como rumor mesmo onde predomina a atualidade mais incompatível”. Esta é a última das quatorze proposições sobre o que seriam clássicos na introdução de Por que ler os clássicos de Italo Calvino. Portanto, clássico é mais amplo do que a ideia de cânone e uma das coisas que surgem como rumor são os livros (ou bibliotecas) como personagens ou cenário principal de si mesmos, ou melhor, de outros livros. Livros que contam também as estranhas relações entre pessoas e livros. Por isso lembro o erudito Peter Kien, protagonista de Auto de fé de Elias Canetti, isolado das pessoas e avesso aos encantos da academia, devotado apenas aos livros. Kien declara no início de sua penitência a possibilidade de livros serem quase humanos: Continue lendo Livros personagens de livros

A urgência da universidade necessária

Por Peter Schulz

A universidade necessária de Darcy Ribeiro completa 50 anos. Lançado em 1969, o livro é composto por textos escritos nos dois anos anteriores. Remete, portanto, a tempos difíceis, precisando ser relembrado agora, novo momento complexo para a educação em nosso país. O livro é sobre a universidade pública para uma América Latina atolada no subdesenvolvimento e mergulhada em ditaduras durante a Guerra Fria de então. Hoje, o contexto parece diferente e, apressadamente, pode-se dizer que as questões colocadas na obra seriam então anacrônicas. Hipótese que se revela falsa, pois muitas das questões continuam em aberto e, assim, persistem e permanecem atuais. Continue lendo A urgência da universidade necessária

Einstein ainda precisa provar sua inocência?

Por Peter Schulz

Por que essa insistência em anunciar em manchete uma descoberta científica como sendo mais uma prova de que Einstein estava correto? A teoria não precisa de mais provas, ela já é aplicada no cotidiano. Mas há outra insistência, que talvez explique a primeira: por que ainda tem gente que insiste que Einstein estava errado? O eclipse de 1919 não escapa, um século depois. Algumas medidas realizadas à época foram colocadas em dúvida, dando origem à “denúncia” de Richard Moody Jr. sobre a “conspiração” de Sobral e Príncipe. Mas em ciência, resultados importantes são reproduzidos para confirmar ou aparar arestas. E, no caso, foram repetidos inúmeras vezes (em particular durante eclipses em 1922, 1953 e 1973) por grupos diferentes. Confirmando sempre o mesmo resultado. Continue lendo Einstein ainda precisa provar sua inocência?

O todo e a celebridade

Por Peter Schulz

“Nós aprendemos a falar. E nós aprendemos a ouvir. A fala tem permitido a comunicação de ideias, permitindo aos seres humanos trabalhar em conjunto. Para construir o impossível. As maiores conquistas da humanidade surgiram em decorrência da fala. E os maiores fracassos pela falta dela. Não precisa ser desta forma! Nossas maiores esperanças poderiam se tornar realidade no futuro”. Continue lendo O todo e a celebridade

Falsa ciência e pós-ciência?

Por Peter Schulz

Fake science existe já há um bom tempo sob o nome de pseudociência, algo que quer se passar por ciência sem ter o seu estatuto. Existem critérios para diferenciar a pseudociência da ciência, pois, como diz o filósofo da ciência Bruno Latour, “o objetivo da ciência não é produzir verdades indiscutíveis, mas discutíveis”. As verdades discutíveis são refutáveis e “verdades” indiscutíveis são pós-verdades, “verdades” da pseudociência. No entanto, em tempos pós-verdadeiros, a atividade científica é também ameaçada pela falta de rigor nos mesmos cuidados necessários para identificar as fake news cotidianas. Continue lendo Falsa ciência e pós-ciência?

Fim da gratuidade no ensino superior não tornaria educação brasileira menos desigual, afirmam especialistas

Por Suzana Petropouleas

Pesquisadores de educação e economia comentam alternativas para o ensino superior Continue lendo Fim da gratuidade no ensino superior não tornaria educação brasileira menos desigual, afirmam especialistas

Embrapa e Unicamp debatem pós-verdade e jornalismo científico em 14 de novembro

4º Encontro Mídia e Pesquisa, no Centro de Convenções da Universidade de Campinas, trará convidados como Maurício Tuffani (Direto da Ciência), Roberto Romano (Unicamp), Jorge Duarte (Embrapa), Carlos Alberto Zanotti (PUC-Campinas), Daniel Bramatti (O Estado de S. Paulo) e Ângela Pimenta (USP) Continue lendo Embrapa e Unicamp debatem pós-verdade e jornalismo científico em 14 de novembro

A ciência é mais do que a soma de seus indicadores

Por Peter Schulz

No início dos anos 1990 e da minha carreira docente, costumava ir à biblioteca do Instituto de Física da Unicamp todos os dias, por necessidade ou por ritual. Na sala de referências encontravam-se as revistas mais recentes, que chegavam, quando tínhamos sorte, com apenas alguns meses de atraso em relação às bibliotecas no hemisfério norte. Na mesma sala eram guardadas (ainda são) as edições anuais do Science Citation Index do Institute for Scientific Information (ISI): uma base de dados bibliográficos em milhares de folhas de papel com letras minúsculas. Continue lendo A ciência é mais do que a soma de seus indicadores