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A fome continua presente

Por Walter Belik

Na Guerra Fria o uso da fome como arma de dissuasão se disseminou e os Estados Unidos fizeram uso de boicotes alimentares inúmeras vezes: contra Cuba em 1962, seguindo com embargos contra a antiga União Soviética em 1973 e 1980 e, mais recentemente, contra a Venezuela (2017) e o Irã (2018). Os dois últimos são casos clássicos de geração de crises artificiais visando a derrubada de governos, mas existem outros exemplos provocados “de forma natural”, pelas chamadas leis da economia. Continue lendo A fome continua presente

A crise brasileira

Por Carlos Vogt

Conversas na crise: depois do futuro foi uma iniciativa do Instituto de Estudos Avançados da Unicamp (IdEA), da TV Cultura e, posteriormente, do UOL. Nasceu, em 2019, como um ciclo de conferências sobre a crise brasileira, organizado pela reitoria da Unicamp e pelo IdEA, com convidados de destaque que refletiram e expuseram seus comentários, análises e interpretações da gravidade da situação econômica, ambiental, política, social e cultural vivida no país, antes mesmo de seu agravamento, em 2020 pela pandemia da Covid-19. Continue lendo A crise brasileira

Claudio Giordano, um recuperador de textos antigos preocupado com nossa memória

Por Mateus Bravin Constant Lopes

Claudio Giordano fundou a Editora Giordano em 1990. Em parceria com editoras universitárias, Editora Ateliê, Loyola, entre outras, editou obras no intuito de “recuperar nossa memória”, desenvolvendo um acervo próprio de livros do passado, escrito por “aventureiros” que o antecederam. Recusa a denominação de bibliófilo, pois não se vê como amante dos livros. Para ele o livro sempre foi uma companhia, “alguém para dialogar”.

Em 1999, Giordano recebeu o prêmio Jabuti de tradução pela obra cavaleiresca de Joanot Martorell, Tirant lo blanc, traduzida diretamente do catalão. No mesmo ano criou a Oficina do Livro Rubens Borba de Moraes, publicou dezenas de títulos – algumas edições de caráter artesanal. Giordano deu continuidade aos projetos de sua antiga editora, com destaque para a Coleção Memória, segmentada em memória brasileira, portuguesa e universal, com 40 títulos entre 1991 e 2006.

Passou a ser reconhecido pelo seu trabalho entre editores e bibliófilos e chegou a receber uma doação de 10 mil livros brasileiros editados entre 1900 e 1950, que somada a outras doações e aquisições, constituía um acervo de 40 mil itens. Por dificuldade financeira, doou o acervo à Biblioteca Central César Lattes da Unicamp, disponível para consulta desde 2008. Continue lendo Claudio Giordano, um recuperador de textos antigos preocupado com nossa memória

Laboratório de Genômica e bioEnergia (LGE) da Unicamp lança série de vídeos

A série de vídeos curtos “Ciência em série”, que traz jovens cientistas do Laboratório de Genômica e bioEnergia (LGE) da Unicamp falando de suas pesquisas de forma simples e fácil, foi lançado este mês. Continue lendo Laboratório de Genômica e bioEnergia (LGE) da Unicamp lança série de vídeos

Universidade pública e para todos os públicos

Por José Alves de Freitas Neto

 A realização de provas únicas (os famosos vestibulares) indica que a universidade, tão criativa em seu interior, é pouco original na seleção de seus futuros alunos. O imperativo de que o acesso deva ocorrer por um sistema universal de disputa de vagas mascara as diferenças escolares e sociais existentes e produz um ambiente muito homogêneo, perfil que contribui para o distanciamento. A universidade fechada em si mesma é um equívoco que remonta ao modo naturalizado de ingresso. Por quem e para quem é a universidade pública? A resposta é simples: para todos os públicos, de todas as rendas e de todas as experiências escolares. Ali, a experiência muda a vida dos mais vulneráveis socialmente, mas também das elites. Para além dos conhecimentos, aprende-se regras para a cidadania e o combate à cultura de privilégios. A universidade é um laboratório para o convívio democrático. Continue lendo Universidade pública e para todos os públicos

As baratas de Moscou

Por Néri de Barros

Guerras são eventos catastróficos. Em decorrência do desenvolvimento tecnológico, as mais terríveis aconteceram no século XX. A Segunda Guerra Mundial (1939-1945) teve tantos mortos que nunca se saberá seu número exato. Talvez 80 milhões, sendo 50 milhões civis. Entre suas muitas atrocidades se destaca a carnificina do cerco de Stalingrado. A este respeito, a escritora ucraniano-bielorussa, Svetlana Aleksiévitch anota, em A guerra não tem rosto de mulher, um depoimento curioso: “Não me lembro de gatos nem de cachorros na guerra, lembro dos ratos… Nem no pior filme eu vi mostrarem como os ratos saíam da cidade antes do fogo da artilharia. Isso não foi em Stalingrado… Foi ainda perto de Viazma… De manhã, bandos de ratos andavam pela cidade em direção ao campo. Eles farejavam a morte. Eram milhares… Pretos, cinzentos… As pessoas olhavam horrorizadas para esse espetáculo sinistro e se apertavam contra as casas. E exatamente na hora em que os ratos sumiram da nossa vista começou o bombardeio. Os aviões atacaram. No lugar das casas e dos porões só restou uma areia pedregosa.” Continue lendo As baratas de Moscou

O eclipse de 1919 e as disputas pela ciência

Por Danilo Albergaria

A história da produção e da interpretação dos dados observacionais em 1919 constitui um cenário muito mais complicado do que o encontrado nas narrativas triunfalistas. O primeiro e mais persistente mito sobre a construção da ciência em nossa cultura é o de que os dados experimentais e observacionais constituem base objetiva para o teste e a avaliação das teorias. O segundo, mais novo, é o de que a produção e a interpretação dos dados empíricos são determinadas pelos vieses teóricos, ideológicos ou metafísicos dos cientistas envolvidos. Afirma-se, assim, um lugar-comum oposto ao da objetividade. Ambas são formulações perniciosas e jogam água no moinho da incompreensão sobre o funcionamento da ciência. Estudos posteriores mostraram que a confiança nos resultados de 1919 favoráveis à relatividade geral era justificada. Continue lendo O eclipse de 1919 e as disputas pela ciência

Relatividade no cotidiano

Por Carolina M. Idelfonço

A relatividade geral é a teoria moderna que descreve a gravidade e a conexão existente entre espaço e tempo. Seus conceitos de dilatação temporal e contração espacial parecem elementos de filmes de ficção científica, mas na verdade são recorrentes no dia a dia e aplicados em discos rígidos, microondas, aparelhos de ressonância magnética e sistemas de GPS. Continue lendo Relatividade no cotidiano

Robótica pedagógica

Por João d’Abreu Vilhete e Julio Cesar dos Reis

[Este artigo é versão de capítulo do livro Tecnologia e Educação – passado, presente e o que está por vir, organizado por José Armando Valente, Fernanda Maria Pereira Freire e Flávia Linhalis Arantes]

No mundo repleto de dispositivos dotados de tecnologias digitais em que vivemos na atualidade, a cada momento surgem novidades, aprimoramentos e aperfeiçoamentos na maneira como acessamos informações e percebemos o nosso entorno. A forma como executamos determinadas tarefas, sobretudo as de natureza repetitiva, altera-se a cada dia. É neste contexto que a robótica pode ser inserida como uma área de conhecimento voltada ao uso de recursos de software, hardware e circuitos eletrônicos que, quando combinados, possibilitam automatizar inúmeras tarefas que fazem parte do nosso dia a dia. Ampliar a utilização da robótica para o contexto educacional é o propósito da robótica pedagógica (RP) que aqui apresentamos. Há mais de três décadas a RP vem enriquecendo a forma de se ensinar conceitos científicos/tecnológicos. A metodologia de implantação de RP no ensino pode envolver desenvolvimento de projetos que visam a formação de professores para seu uso integrado ao currículo. Continue lendo Robótica pedagógica