Arquivo da categoria: entrevista

Bianca Kremer: O que é rentável e comercializável na Internet tem cor, raça, e gênero muito bem definidos

Por Fernanda Pardini Ricci e Maíra Torres

As tecnologias são majoritariamente produzidas por pessoas que têm raça e classe bem definidas e, geralmente, compreensões de mundo distintas em relação a pessoas negras. Na prática, mesmo que essa tecnologia erre, ela está acertando alguém, de um grupo muito bem definido, perpetuando o processo de persecução penal de pessoas negras e de super encarceramento dessa população no Brasil. Continue lendo Bianca Kremer: O que é rentável e comercializável na Internet tem cor, raça, e gênero muito bem definidos

Ecólogo David Lapola comenta lacunas científicas sobre conservação, captura de carbono, emissões por degradação florestal e adaptação

Por Leandro Magrini

O ecólogo e meteorologista David Lapola pesquisa há quase duas décadas o tema das mudanças climáticas e a questão do tipping point da Amazônia – “ponto de não-retorno” ou “ponto irreversível”. Doutor pelo Instituto Max Planck de Meteorologia da Alemanha, onde investigou a questão de modelagem de desmatamento e mudança climática, tem como interesses de estudo os impactos de mudanças climáticas na Amazônia – não só na floresta, mas também sua reverberação sobre sistemas humanos. Neste ano David completou 20 anos do início de suas pesquisas na Amazônia, comemorados durante uma excursão científica com parte de seu grupo para iniciar um novo estudo em regiões que ainda desconhecia – como o extremo oeste da Amazônia brasileira, já próxima da fronteira com Peru e Colômbia. Continue lendo Ecólogo David Lapola comenta lacunas científicas sobre conservação, captura de carbono, emissões por degradação florestal e adaptação

Jung Mo Sung: ‘Lógica que gerou avanço evangélico é a mesma que leva a seu caráter autoritário’

Por Ricardo Whiteman Muniz

Com a chamada Teologia da Prosperidade, ocorre uma profunda inversão na compreensão cristã sobre dinheiro e ostentação. “Agora pobre não é mais objeto de cuidado, mas visto como amaldiçoado por Deus”, diz professor da pós-graduação em ciências da religião da Universidade Metodista de São Paulo. “O sistema já existia antes de Bolsonaro e vai existir depois. Esse tempo de Bolsonaro é o ápice de uma mentalidade que tem uma certa coerência, mesmo que eticamente errada.” Continue lendo Jung Mo Sung: ‘Lógica que gerou avanço evangélico é a mesma que leva a seu caráter autoritário’

José Arbex Jr.: ‘Se não entendermos a importância da guerra pelas redes sociais, estamos ferrados’

Por Ricardo Whiteman Muniz

Para jornalista, grande imprensa contribui há pelo menos uma década para consolidação da ameaça fascista à democracia e “bolsonarismo” em si não existe, sendo expressão circunstancial de um Brasil arcaico, machista e identificado com o legado do escravismo. Continue lendo José Arbex Jr.: ‘Se não entendermos a importância da guerra pelas redes sociais, estamos ferrados’

ARQUIVO (2014): ‘Gás natural associado ao óleo do pré-sal vai dotar o Brasil de independência em petroquímica e autossuficiência em fertilizantes’, diz Guilherme Estrella

“Soberania verdadeira só se materializa com investimentos permanentes em educação e pesquisa, que se realizam em instituições nacionais, públicas ou privadas. Empresas cujos centros de decisão localizam-se no exterior não farão isso”, afirmava há 8 anos o pai do pré-sal Continue lendo ARQUIVO (2014): ‘Gás natural associado ao óleo do pré-sal vai dotar o Brasil de independência em petroquímica e autossuficiência em fertilizantes’, diz Guilherme Estrella

Maria Júlia Kovács: ‘Estamos em luto coletivo longo, com um presidente que fala coisas que nos horrorizam’

Por Letícia Naísa

crédito da imagem: Cris Vector

“O luto é um processo singular e próprio de cada pessoa, mas guerras, grandes desastres, naturais ou não, e a pandemia, que é uma grande crise sanitária e virou um desastre, atinge a todos. Nesse sentido, é coletivo sim. Dentro desse coletivo, temos nossas próprias formas de lidar com as circunstâncias. A pandemia não nos afetou igualmente, alguns de nós perdemos pessoas, outras não perderam ninguém por morte, mas perderam situações de vida significativas, como a casa, o emprego. Em um contexto como esse, a gente se comove com a situação de outras pessoas também, como quem perdeu alguém, pessoas que sofreram muito com a doença, ficaram com sequelas, mesmo que sejam pessoas que a gente nunca tenha visto na vida.” Continue lendo Maria Júlia Kovács: ‘Estamos em luto coletivo longo, com um presidente que fala coisas que nos horrorizam’

Ubiraci Pataxó: Viver o luto já está comum, mas a gente transformou em ‘vai nos dar força’

Por Dimítria Coutinho

Nascido e criado na comunidade indígena Coroa Vermelha, em Santa Cruz Cabrália (BA), aprendiz de pajé e pesquisador no grupo Saúde Coletiva, Epistemologias do Sul e Interculturalidades, da Universidade Federal do Sul da Bahia, fala sobre o sentido do tratamento comunitário dos povos indígenas. Continue lendo Ubiraci Pataxó: Viver o luto já está comum, mas a gente transformou em ‘vai nos dar força’

Patricia Pinho: ‘Na crise climática estamos sob a mesma tempestade, mas com barcos diferentes’

 Por Leandro Magrini

Cientista do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (IPAM) ressalta em entrevista que status socioeconômico, cor da pele ou lugar de moradia tem muito a ver com o grau de exposição e vulnerabilidade às mudanças do clima. “Todo mundo vai ser afetado, mas algumas populações estão na linha de frente, as populações mais vulneráveis. A marginalização é a geografia onde os riscos se projetam, se materializam”, diz a doutora em ecologia humana pela Universidade da Califórnia. “São justamente os países subdesenvolvidos do Sul Global – que pouquíssimo ou praticamente nada contribuíram para o agravamento da crise climática – que estão sofrendo os maiores impactos.” Continue lendo Patricia Pinho: ‘Na crise climática estamos sob a mesma tempestade, mas com barcos diferentes’

Naomar de Almeida: Além de acesso, ações afirmativas devem transformar currículos

Por Ricardo Muniz

O epidemiologista Naomar de Almeida Filho, reitor da Universidade Federal da Bahia (UFBA) de 2002 a 2010 e reitor pro-tempore responsável pela implantação, entre 2013 e 2017, da Universidade Federal do Sul da Bahia (UFSB), chama atenção para um transbordamento da política de inclusão de negros e negras na graduação, além de indígenas e quilombolas, que é a demanda por reestruturação radical de currículos e arquiteturas curriculares. Em sua avaliação, é urgente que as instituições avancem para que essas mudanças não sejam tópicas, apenas relacionadas ao acesso. “As universidades continuam com modelos curriculares muito atrasados e não se prepararam para receber esse contingente de pessoas que vem de histórias familiares e sociais distantes da cultura universitária.” Continue lendo Naomar de Almeida: Além de acesso, ações afirmativas devem transformar currículos