Ciência e sociedade do Antropoceno: transição a partir do Holoceno*

Por Jan Zalasiewicz

É fácil pensar que somos especiais e que o momento presente marca um ponto especial no tempo simplesmente por causa de nossa presença. Porém, na escala geológica do tempo, e supondo-se que “nós” significa a espécie humana, a realidade é que podemos estar no limiar de uma nova era – uma idade que os geólogos estão chamando de Antropoceno. Como geólogo, Jan Zalasiewicz, da Universidade de Leicester, explica que se trata de uma era criada por nós mesmos. Tradução de Amin Simaika.

O Antropoceno tornou-se parte de um discurso científico internacional em uma reunião do Programa Internacional de Geosfera-Biosfera (IGBP, do inglês International Geosphere-Biosphere Program) no México, em 2000. Paul Crutzen, químico atmosférico ganhador do prêmio Nobel, irritou-se quando seus colegas cientistas que estavam à mesa falavam das mudanças climáticas contemporâneas no Holoceno, época que marca o tempo desde que a Terra emergiu da última Idade do Gelo. Crutzen não conseguiu mais se conter. Explodiu e afirmou que não estamos mais vivendo no Holoceno, mas sim (e aqui ele fez uma pausa para buscar uma palavra apropriada) no Antropoceno.

Foi uma palavra que ele improvisou naquele momento, mas causou repercussão. Os cientistas presentes naquela reunião começaram a discutir o que poderia significar. O próprio Crutzen prosseguiu com a ideia e checou se mais alguém havia empregado o termo. Encontrou Eugene Stoermer, ecologista norte-americano estudioso de lagos e especialista em diatomáceas (um tipo de alga microscópica que fabrica um esqueleto com sílica). Em conversas, Eugene Stoermer tinha utilizado a mesma palavra durante alguns anos para refletir mudanças generalizadas em lagos, que deduziu terem acontecido durante as últimas décadas.

Crutzen convidou Stoermer para reunir-se a ele e escreverem um breve artigo científico. Stoermer aceitou e em 2000 o trabalho foi publicado no boletim do IGBP, onde atingiu vários milhares de cientistas envolvidos nesse programa.

Em seguida, em 2002, Crutzen reiterou o argumento em um artigo curto e vívido, de uma só página, no periódico Nature, alcançando assim uma audiência muito mais ampla de cientistas no mundo inteiro. Embora os dois nunca tivessem se encontrado, sua breve colaboração teria profundas consequências no que se refere à análise científica da história da Terra.

A premissa básica era que as mudanças causadas pelo homem aconteciam agora em tal escala a ponto de nos desviar das condições de referência do Holoceno, entrando em condições de referência diferentes de uma nova época geológica emergente. Essas mudanças causadas pelo homem e globalmente disseminadas incluem a transformação de grande parte da superfície da Terra em matéria-prima para os seres humanos, a reengenharia da maioria dos principais rios do mundo e o enorme aumento no uso de energia, principalmente a queima de hidrocarbonetos e as consequentes alterações na atmosfera e no clima.

A ideia e o termo se propagaram rapidamente entre a comunidade que trabalha em mudança global contemporânea. A ciência do sistema terrestre, que considera a Terra inteira como um sistema complexo e integrado, era a disciplina central. Participavam químicos atmosféricos como o próprio Crutzen, ecologistas como Stoermer, oceanógrafos, glaciologistas e outros cientistas. O termo começou a ser amplamente usado e publicado. Também começou a se divulgar mais amplamente entre as comunidades das ciências sociais, artes e humanidades, já que a ideia parecia reconfigurar fundamentalmente a conexão entre os seres humanos e a natureza.

Despertando o interesse dos geólogos
A resposta da comunidade geológica foi muito mais lenta, o que, de muitas formas, não surpreende. Os geólogos passam suas vidas profissionais mergulhados no passado profundo de milhões, até bilhões de anos, em que as escalas de tempo humanas parecem infinitamente pequenas. Nessas escalas de tempo geológicas, a Terra mudou acentuadamente: na realidade, a Terra não tem sido tanto um planeta, mas sim uma sucessão de diferentes planetas, cada um com seu próprio tipo de atmosfera, clima, geografia e conjunto de organismos vivos. Durante os dois séculos desde que a geologia surgiu como disciplina, ocasionalmente surgiram ideias alegando que os seres humanos tinham afetado a geologia da Terra, mas todas as vezes tais ideias foram recebidas com rejeição e até algum grau de zombaria. Como algo aparentemente breve e efêmero como a cultura humana poderia ser colocado no mesmo plano que, por exemplo, a abertura e destruição de oceanos ou o surgimento e erosão de cordilheiras gigantes?

Havia outro problema: os termos referentes a tempo geológico tais como Jurássico ou Pleistoceno ou Holoceno não perdem nem ganham validade simplesmente pelo nível de seu uso ou falta de uso, diferentemente do que ocorre com as palavras costumeiras de nossa linguagem. Em vez disso, os termos geológicos são construções intensivamente formais. São palavras avaliadas e decididas, geralmente ao longo de décadas de estudo e debate, por não menos que quatro níveis de hierarquia burocrática científica, dentro do ramo da geologia chamado de estratigrafia.

Nessa disciplina, a estratigrafia, a história da Terra pode ser revelada por rochas acessíveis ainda hoje. O que, em uma determinada rocha, pertence a uma parte do passado geológico e o que pertence a uma outra era? Um pedaço de rocha na Terra pode ter sofrido muitos ou poucos eventos geológicos, cada um deles de um estágio diferente da história da Terra, deixando marcas de variados graus de diferenciação na fisicalidade [ou materialidade] da rocha. Em outras palavras, a estratigrafia no campo é um pouco como arqueologia, com a diferença que explora eventos ao longo de uma escala de tempo infinitamente maior e sem foco próximo nas questões de uma única espécie de humanóides.

Tempo profundo
O tempo geológico possui estrutura específica e exclusiva. O período Jurássico, abrangendo muitos milhões de anos, tem um sistema jurássico paralelo, composto dos estratos, minerais e fósseis que representam esse período inimaginavelmente longo. Esse tipo de tempo, uma substância física, composto de rochas, é chamado de cronoestratigrafia.

Dessa forma, em geologia, há uma conceitualização dupla de tempo e um procedimento fixo para combinar a fisicalidade dentro de unidades formais de tempo. O Antropoceno surgiu fora desse tipo de compreensão, tanto filosófica como burocrática. Uma vez que seu uso se generalizou em círculos científicos de mudança global, surgiu uma questão central: era um absurdo, geologicamente? Ou poderia possuir significado em termos geológicos – talvez a ponto de um dia ser formalmente acrescentado à Escala de Tempo Geológico? Seria um passo muito grande para os geólogos, para quem a Escala de Tempo Geológico é a estrutura central definidora da ciência, uma estrutura que mantém a união do restante dela? Seria um passo muito grande no que se refere ao significado inerente do Antropoceno, conferindo a ele significância em uma escala de muitos milhões de anos – o que é quase inconcebivelmente maior do que qualquer escala humana, social ou política?

Primeiro passo para uma nova era
O primeiro exame geológico do termo ocorreu oito anos depois do arroubo de improvisação de Paul Crutzen e vários anos depois que a palavra tinha começado a ser empregada na literatura científica. Uma comissão de estratígrafos especialistas da Sociedade Geológica de Londres considerou seu significado. Essa sociedade era apenas uma agência nacional e, portanto, sem poder sobre a Escala de Tempo Geológica (que é decidida por órgãos internacionais). No entanto, podia examinar a questão e emitir seu parecer, o que de fato fez.

Talvez para surpresa da agência, 21 de 22 desses especialistas (selecionados por sua experiência técnica e geralmente não vistos como pessoas de atitude radical) consideraram que o termo Antropoceno “tinha mérito” como potencial termo formal de tempo geológico e deveria ser estudado com mais profundidade. O fraseado era tipicamente cuidadoso. No entanto, o parecer preliminar, quando publicado logo depois pela Sociedade Geológica da América, atraiu bastante atenção. Entre as repercussões, estava um convite para formar um órgão internacional, o Grupo de Trabalho do Antropoceno (AWG, do inglês Anthropocene Working Group), cuja tarefa era – e ainda é – analisar o potencial que o termo teria para passar a fazer parte da Escala de Tempo Geológico, e, no momento oportuno, apresentar evidências relevantes e fazer recomendações apropriadas.

O AWG em si não tem poder de decisão – isso cabe a todos os níveis hierárquicos acima dele: sucessivamente, a Subcomissão de Estratigrafia Quaternária, a Comissão Internacional de Estratigrafia e a União Internacional de Ciências Geológicas. Todos têm que concordar que o termo não somente possui validade geológica, mas que também possui valor para ser estabelecido formalmente. Há uma diferença entre validade e utilidade: há um número de termos de tempo geológico que são amplamente empregados, mas que são informais – o Pré-Cambriano é um deles.

Os construtores
O AWG foi estabelecido e permanece como um órgão exclusivo dentro da extensa burocracia estratigráfica que supervisiona a Escala de Tempo Geológico. Todos os outros grupos de trabalho e subcomissões são totalmente formados por especialistas de unidades particulares de estratos e intervalos de tempo: paleontólogos, geoquímicos e geocronologistas. A Escala de Tempo Geológico é construída por geólogos para geólogos. Outras comunidades simplesmente aceitam os resultados – se ao menos chegam a notá-los – e não têm nada a opinar sobre a questão.

Um novo começo
Com o Antropoceno, as coisas são diferentes. Em primeiro lugar, muitas das consequências geológicas em torno desse conceito têm causas ou propulsores humanos de uma forma ou de outra: são consequências (em grande medida não intencionais) de atividades sociais, econômicas, industriais, políticas, militares e outras. Isso leva a geologia para um terreno que é desconhecido para a maioria dos geólogos.

Em segundo lugar, o profundo interesse no conceito de Antropoceno e sua adoção por parte de uma vasta gama de comunidades das ciências e humanidades significavam que essa questão não poderia mais ser um problema geológico interno, a ser discutido e resolvido exclusivamente por geólogos. E, em terceiro lugar, por causa das diferentes perspectivas a partir das quais o Antropoceno está sendo estudado, estão surgindo diferentes Antropocenos. Diferentes comunidades atribuíram significados bem diferentes ao termo, ou o termo foi reinterpretado, recebendo novas denominações como “Capitaloceno”, “Piroceno” e assim por diante.

Aqui havia um problema de natureza multidimensional a ser solucionado. O AWG engloba não só geólogos, mas também cientistas do sistema terrestre, arqueólogos, geógrafos, cientistas do solo, cientistas polares – e até um advogado especialista em direito internacional, mas sua alçada permanece a mesma que para todos os outros intervalos de tempo sendo analisados. O Antropoceno que está sendo considerado pelo AWG é o que alguém poderia chamar de “Antropoceno geológico” ou, mais especificamente, “Antropoceno estratigráfico”. A questão é se o Antropoceno, conforme foi concebido por Crutzen e Stoermer – que ocorreu fora da comunidade geológica e, portanto, não foi formulado conforme as normas e procedimentos daquela comunidade, pode funcionar em termos geológicos clássicos como uma unidade de tempo e de estratos, e, além disso, se pode ser considerado útil (se for assim formalizado) para aquela comunidade.

A questão se a potencial formalização do Antropoceno em geologia precisa levar em conta comunidades mais amplas – ou as implicações sociais e humanas dessa mudança geológica – ainda está para ser debatida; é uma situação nova e complicada para essa ciência.

O primeiro passo para se considerar um Antropoceno formal
Após um trabalho de vários anos, o AWG publicou duas constatações preliminares e recomendações no último Congresso Geológico Internacional ocorrido na Cidade do Cabo [África do Sul] em agosto de 2016. Descobriram que o Antropoceno era geologicamente real, tanto em relação ao funcionamento do sistema terrestre como, crucialmente, uma unidade de estratos muito recentes que é bem distinta dos estratos anteriores.

A ciência
Desde a “grande aceleração” global – aceleração do crescimento populacional, da industrialização e da globalização – de meados do século XX, as camadas de sedimentos no fundo do mar, fundos de lagos e pântanos e em leitos de rios são marcadas por radionuclídeos artificiais originários de testes com bombas atômicas das décadas de 1950 e 1960, por plásticos, alumínio e concreto, por novos pesticidas e outros poluentes orgânicos persistentes, e por cinzas volantes como subprodutos da queima de hidrocarboneto.

Também nessa época, as mudanças nas comunidades animais e vegetais do mundo – que foram modificadas pelos seres humanos desde a Idade da Pedra – se aceleraram notavelmente. As taxas de extinção de espécies e invasões aumentaram à medida que mais habitats naturais eram substituídos por terras para agricultura ou conurbações. Os restos desses organismos modificados são um sinal paleontológico: futuros fósseis, que são ainda mais um sinal de profunda mudança do sistema terrestre.

Aceleração
A escala e a proporção dessa mudança são extraordinárias. Vejamos o exemplo do aumento no dióxido de carbono na atmosfera. Trata-se de uma mudança no sistema terrestre, o tipo de fato enfatizado por Paul Crutzen e seus colegas cientistas que estudam a mudança global. O ar pode parecer uma coisa insubstancial em comparação com uma rocha, mas é preservado diretamente dentro de um tipo de rocha – camadas anuais de gelo polar, como bolhas encapsuladas – e, indiretamente, dentro de outras, como sinais químicos associados à queima de combustível fóssil.

Ambos os registros mostram que a taxa de aumento desse gás na atmosfera é superior às mudanças típicas entre as fases glaciais e interglaciais das Idades do Gelo recentes, e ocorreu mais de cem vezes mais rápido. Não há precedente conhecido na história da Terra e os efeitos sobre o clima já são evidentes, embora ainda em seus estágios iniciais.

Duas coisas são significativas aqui.

Em primeiro lugar, a enorme liberação de energia a partir da queima de combustíveis fósseis desde meados do século XX potencializou muitas das outras mudanças do Antropoceno, desde a construção de megacidades até a produção de fertilizantes de nitrogênio que mantêm viva aproximadamente metade da população terrestre, mas que consome energia intensamente.

A nova trajetória da Terra
Em segundo lugar, essa liberação de energia fóssil, e tudo que se associa a ela, ainda está ocorrendo; portanto o Antropoceno não é um estado novo e estável, como eram essencialmente os 11.700 anos precedentes da era do Holoceno. É um alvo móvel, rumo a algum novo estágio estável que provavelmente surgirá num futuro geológico distante. A Terra está em uma nova trajetória, muito diferente de qualquer uma das mudanças anteriores das Eras do Gelo, o que tem implicações para a definição científica do Antropoceno, mas também tem claramente uma significância mais vasta para as comunidades humanas colhidas nessa mudança planetária em progresso.

Por enquanto, a definição é conservadora. O Antropoceno está sendo considerado como uma época potencial, uma unidade de nível modesto dentro do quadro da escala de tempo geológico – ao mesmo nível do Holoceno – com base nas mudanças que ocorreram até hoje. Caso continue com uma abordagem “de praxe” com respeito a fatos como queima de hidrocarbonetos e perda de habitat, o próximo século ou os dois próximos muito provavelmente testemunharão aquecimento global a níveis não observados há milhões de anos e um evento de extinção em massa comparável ao evento que levou à extinção dos dinossauros. Se for assim, o Antropoceno ocorreria na escala de um período ou de uma era – geologicamente um evento muito maior, do tipo que só acontece a cada dezena ou centena de milhões de anos.

Situando a fronteira
Essa consideração do nível hierárquico formal da Escala de Tempo Geológico é um tipo de ciência que atualmente está sendo realizada em torno do Antropoceno. É uma questão formal, abstrata até certo ponto – assim como a questão associada de quando e onde se deve situar o início do Antropoceno (algum ponto em meados do século XX parece o nível mais pragmático geologicamente, mas determinar exatamente onde ainda é trabalho em andamento).

A resolução dessas questões é um trabalho de base, técnico e detalhado, assim como a determinação do comprimento exato do metro, ou da velocidade do som. Não levará a grandes revoluções conceituais, mas é absolutamente necessária para prover uma base sólida para trabalhos mais ambiciosos. E trata das consequências geológicas do fenômeno, categorizando a natureza dos estratos que estão formando o Antropoceno.

Transição
A ciência mais emocionante e de maior alcance trata dos processos que descrevem o modo como o Antropoceno emergiu dos milênios longos e estáveis do Holoceno: inicialmente e devagar durante a Revolução Industrial, e depois mais rápido durante a grande aceleração, uma aceleração que ainda continua. A sociedade humana se desenvolvia e as civilizações cresciam e decaíam, muitas vezes ao longo dos milênios que decorriam no Holoceno, sem alterar o caráter fundamental do sistema terrestre. É a própria agudeza das mudanças recentes que torna funcional o Antropoceno como unidade geológica. Mas o que causou esse extraordinário aumento que está transformando a geologia do planeta – e empurrando o planeta rumo a um tipo diferente de futuro?

A resposta está claramente em algum ponto na intersecção de política, economia, desenvolvimento tecnológico, mudança social e outros fatores, tendo como fator primordial a evolução cada vez mais rápida da tecnologia até o ponto que se sugeriu que essa resposta reside no coração da “tecnosfera”, um novo sistema terrestre, com sua própria dinâmica (e com os seres humanos mais como componentes do que como propulsores), que brotou – e que agora se pode dizer que é parasita – da biosfera. Determinar essa infinidade de forças e descobrir como e por que elas são agora as principais causadoras da mudança geológica na Terra, é nisso que as comunidades de humanidades, de ciências sociais e de artes precisam trabalhar em conjunto com as comunidades de ciências físicas.

Entender o processo é uma coisa. Levando-se em conta que as condições de um Antropoceno imprevisível e em evolução afetarão todas as nossas vidas por muitas gerações no futuro, é preciso encontrar um meio de modificar seu curso (ou seja, evitar as possibilidades mais extremas e letais das condições do sistema terrestre) e viver, na medida do possível, dentro dos parâmetros que surgirão. Provavelmente não será fácil viver durante a travessia de uma fronteira estratigráfica ativa.

Jan Zalasiewicz é professor de paleobiologia da Universidade de Leicester (Reino Unido). É autor, entre outros, de The planet in a pebble:  A journey through earth history e The Earth after us: The legacy that humans will leave in the rocks (ambos publicados pela Oxford University Press).

 

 

 

* Este artigo foi traduzido para o português por Amin Simaika. A versão original da língua inglesa está em depósito legal na British Library. A citação para o artigo original é:

Zalasiewicz J (2016). "Science and society of the Anthropocene: Transition from the Holocene". Science, people & politics, pp. 9-16, Edição 2 Abr. - Jul. V VIII. Publicado em 26 de maio.

http://www.sciencepeopleandpolitics.com/mag.html