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Mineração, emprego e desigualdade: quem ocupa os postos qualificados na RI-Carajás?

Nos municípios mineradores, os trabalhadores brancos ocupavam 19,9% dos vínculos qualificados – mas alcançavam 32,7% das posições na faixa superior, acima de 8 salários mínimos. Em contrapartida, a população parda, que concentrava 72,9% do estoque qualificado, reduzia-se a 57,9% no estrato de maior renda. Na prática, a chance de um profissional branco ocupar uma posição de alta remuneração na mineração é cerca de duas vezes superior à de um pardo com idêntica titulação, disparidade que não se atribui a diferenças de escolaridade.

Por Tássio Raulim Câmara e Maria Amélia Enríquez

A RI-Carajás, sudeste do Pará, é composta por 12 municípios e tem na mineração um vetor econômico central, com destaque para ferro, cobre, ouro e manganês (Seplad, 2023). Em 2025, a região gerou um valor da produção mineral (VPM) por volta de R$ 90 bilhões (33% do total nacional) e Compensação Financeira pela exploração de Recursos Minerais (CFEM) em torno de R$ 2,9 bilhões (39% da quantia nacional) (ANM,2026). Esse resultado decorre do fato de que os mineradores concentram os grandes empreendimentos extrativos e a cadeia de serviços associada, gerando também postos de trabalho mais bem remunerados. Os municípios não mineradores, por seu turno, assentam-se em base econômica menos dinâmica, normalmente agricultura de base familiar e agropecuária extensiva. A conversão da mineração em emprego de qualidade depende de como ele se distribui entre municípios, gêneros, raças e faixas de remuneração. Analisamos o estoque de vínculos formais como unidade de análise. O objetivo é estabelecer parâmetros comparativos, entre mineradores e não mineradores, o estoque de vínculos com ensino superior (entre 2020-2024), em quatro dimensões: trajetória demográfica, concentração territorial per capita, estratificação por remuneração e desigualdades de sexo e raça/cor. 

Metodologia

A pesquisa é quantitativa e descritiva, fundamentada nos microdados da RAIS acessados via plataforma Base dos Dados, e o vínculo ativo em 31 de dezembro; estoques anuais não são somáveis, mas comparáveis entre níveis. A base empregada abrange a totalidade do emprego formal, contemplando tanto o setor privado sob o regime da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) quanto a administração pública, composta por servidores estatutários, comissionados e contratados temporários. Para fins comparativos, pontuam-se eventuais divergências em relação aos painéis interativos de navegação da RAIS mantidos pelo MTE (Power BI), visto que tais ferramentas oficiais priorizam o filtro do segmento celetista privado. São mineradores os municípios os quais a receita advinda da mineração tem peso elevado (+ de 20%) na receita pública municipal, no PIB, nas exportações e nos empregos, é ocaso de Canaã dos Carajás, Curionópolis, Marabá e Parauapebas. Os demais oito municípios (Bom Jesus do Tocantins, Brejo Grande do Araguaia, Eldorado do Carajás, Palestina do Pará, Piçarra, São Domingos do Araguaia, São Geraldo do Araguaia e São João do Araguaia) constituem o grupo dos não mineradores.

Os vínculos com ensino superior foram estratificados por ano, sexo, raça/cor e remuneração em salários-mínimos (até 4 SM, de 4 a 8 SM e acima de 8 SM), preservando a comparabilidade intertemporal; as variáveis de sexo e raça/cor seguem a codificação oficial da RAIS. A densidade ocupacional é dada pelo número de vínculos qualificados por mil habitantes estimados pelo IBGE. Cabe registrar que a série apresenta descontinuidade metodológica em 2022, sendo 2024 o último ano-base analisado. Por fim, declara-se o uso de ferramentas de inteligência artificial generativa (Gemini e Claude) como suporte metodológico auxiliar para apoio na construção de consultas SQL e no auxílio ao tratamento e tabulação dos microdados, permanecendo os autores como únicos responsáveis pela curadoria, validação empírica e  interpretação científica dos resultados.

População e densidade do emprego qualificado

Entre 2020-2024, a população dos mineradores passou de 553.067 para 694.855 habitantes (+25,6%), e a dos não mineradores recuou de 138.231 para 130.259 (-5,8%): trajetórias opostas. Parte decorre da revisão censitária de 2022, mas a divergência indica fluxo migratório para os municípios de base mineral (Furtado, 2007 [1959]). Em 2024, os quatro mineradores concentravam 32.237 vínculos com ensino superior completo, contra 3.224 nos oito não mineradores, razão de dez para um estável no período, equivalentes a 4,6% da população residente do primeiro grupo e 2,5% do segundo.

Tabela 1 – RI-Carajás: emprego formal qualificado (nível superior) por mil habitantes, por grupo de municípios, 2020-2024

Ano Mineradores Não mineradores Acima de 8 SM: mineradores Acima de 8 SM: não mineradores
2020 31,6 12,0 8,52 0,14
2022 32,6 19,6 8,26 0,34
2024 46,4 24,8 9,85 0,52

Fonte: elaboração própria a partir dos microdados da RAIS e do IBGE. Nota: 2020, estimativa populacional; 2022, Censo Demográfico; 2024, estimativa sobre a nova base censitária.

Em 2024, os mineradores registraram 46,4 vínculos qualificados por mil habitantes, contra 24,8 nos não mineradores, razão de dois para um. Nas posições mais bem remuneradas a distância se amplia para dezenove para um: 9,85 vínculos acima de 8 SM por mil habitantes contra 0,52. Não é que os mineradores empreguem mais por serem maiores, mas que concentram um tipo específico de posição quase inexistente no restante da região.

Estrutura remuneratória: expansão com achatamento

Entre 2020 e 2024, o estoque qualificado (nível superior) nos municípios mineradores cresceu 84,5%, passando de 17.474 para 32.237 vínculos. Essa expansão não foi homogênea entre as faixas salariais: a faixa de até 4 SM avançou 156,7%, enquanto as de 4 a 8 SM e acima de 8 SM cresceram 40,7% e 45,2%, respectivamente. Como resultado, o topo remuneratório (acima de 8 SM) encolheu de 27,0% para 21,2% do total, caracterizando um achatamento relativo da estrutura salarial, já que a densidade do estrato superior subiu de 8,52 para 9,85 vínculos por mil habitantes, porém em ritmo inferior ao crescimento populacional e das faixas de menor renda. Nos não mineradores, o estrato acima de 8 SM passou de 1,2% para 2,1% (de 20 para 68 vínculos), evidenciando que, em 2024, um em cada cinco empregos qualificados dos mineradores ocupava o topo salarial, contra apenas um em cada cinquenta no restante da região, dinâmica que dialoga com as reflexões de Leone (2026) sobre a precariedade no mercado de trabalho.

Gradiente de gênero

A análise do perfil de gênero no emprego qualificado revela dinâmicas contrárias entre as economias minerais e não minerais da RI-Carajás. Ao analisar os dados restritos ao mercado celetista privado, verifica-se que, nos municípios mineradores, a presença masculina é superior no nível graduado (cerca de 51%), fruto da demanda por quadros técnicos e operacionais na cadeia extrativa. Essa relação se inverte quando se incorpora a base ampla da RAIS, englobando o setor público, o que eleva a participação feminina qualificada para 56,7% no grupo minerador em 2024, impulsionada pelas redes públicas de ensino e saúde.  Nos municípios não mineradores, por sua vez, a liderança feminina no segmento qualificado manifesta-se mesmo na estrutura estritamente celetista: em 2024, as mulheres representavam 53,9% dos vínculos privados com ensino superior, somando 185 das 343 vagas formais registradas. A Tabela 2 sintetiza a evolução dessa presença feminina na base ampla da RAIS por faixa remuneratória.

Tabela 2 – RI-Carajás: participação feminina (%) no emprego qualificado, por faixa de remuneração e grupo de municípios, 2020 e 2024

Faixa de remuneração Min. 2020 Min. 2024 Não min. 2020 Não min. 2024
Até 4 SM 63,6 62,8 70,1 62,3
Acima de 4 até 8 SM 60,1 55,9 68,7 70,0
Acima de 8 SM 39,2 43,0 35,0 51,5

Fonte: elaboração própria a partir dos microdados da RAIS.

Os dados da Tabela 2 evidenciam que a hegemonia feminina no emprego com ensino superior demonstrando a maior qualificação das mulheres. Porém, no caso dos mineradores sofre forte afunilamento salarial: em 2024, as mulheres respondiam por 62,8% dos vínculos até 4 SM, reduzindo-se a 55,9% na faixa de 4 a 8 SM e a 43,0% no estrato superior, acima de 8 SM. Já nos não mineradores, a maioria feminina sustentou-se ao longo de todas as faixas de rendimento, alcançando 51,5% no topo salarial. Embora esse último dado exija cautela devido à reduzida escala absoluta do topo nos não mineradores (68 vínculos), o contraste reafirma que o afunilamento de gênero no estrato de alta renda é uma característica própria da estrutura ocupacional criada pela mineração.

Gradiente racial e cobertura da informação

A proporção de vínculos sem raça/cor identificada apresentou expressiva queda entre 2020 e 2024. Nos municípios mineradores, a ausência dessa informação no estoque qualificado recuou de 50,5% para 44,7% em 2022, 17,0% em 2023 e 10,1% em 2024; no grupo dos não mineradores, a subnotificação média caiu de 84,9% para 14,9%. Essa melhoria no preenchimento, concentrada no biênio 2022-2023, inviabiliza a comparação intertemporal direta entre o início e o fim da série histórica. Por essa razão, as análises da Tabela 3 utilizam exclusivamente os vínculos com raça/cor declarada no ano-base de 2024.

Cabe ressaltar que a taxa de omissão da informação racial não se distribui de maneira uniforme entre os níveis de rendimento. No estrato superior (acima de 8 SM) dos municípios não mineradores, a ausência de declaração atingiu 32,4% em 2024, percentual superior à média geral do grupo. Por essa razão, a base da Tabela 3 contempla 46 vínculos com raça/cor identificada nesse estrato, perante um universo total de 68 vínculos existentes na faixa.

Tabela 3 – RI-Carajás: composição racial (%) do emprego qualificado por faixa de remuneração e grupo de municípios, 2024 (sobre vínculos com raça/cor declarada)

Raça/cor Mineradores

até 4 SM

Mineradores

acima de 8 SM

Não mineradores

até 4 SM

Não mineradores

acima de 8 SM

Parda 79,7 57,9 57,6 60,9
Branca 14,6 32,7 33,0 32,6
Preta 4,2 7,3 6,6 6,5
Amarela e indígena 1,5 2,0 2,8 0,0
Base (n) 15.304 5.543 2.158 46

Fonte: elaboração própria a partir dos microdados da RAIS.

A estratificação racial se evidencia no contraste entre a participação de cada grupo no topo salarial e sua presença na base do emprego qualificado. Em 2024, nos municípios mineradores, os trabalhadores brancos ocupavam 19,9% dos vínculos qualificados declarados, mas alcançavam 32,7% das posições na faixa superior, acima de 8 SM. Em contrapartida, a população parda concentrava 72,9% do estoque qualificado, reduzindo-se a 57,9% no estrato de maior renda. Na prática, a chance de um profissional branco ocupar uma posição de alta remuneração na mineração é cerca de duas vezes superior à de um pardo com idêntica titulação, disparidade que não se atribui a diferenças de escolaridade (Costa et al., 2020).

No grupo dos não mineradores, por outro lado, esse gradiente de desigualdade praticamente se anula: a presença de brancos situa-se em 33,0% na faixa de até 4 SM e em 32,6% na superior, enquanto a de pardos varia de 57,6% para 60,9%, reproduzindo de forma próxima a composição média daquele mercado de trabalho. Como os grupos territoriais partem de estruturas demográficas distintas, a análise foca nos padrões internos de cada economia. Embora a amostragem do topo nos não mineradores seja reduzida (46 vínculos com raça declarada), o contraste reforça que o afunilamento racial é uma marca característica do segmento de alta renda criado pela atividade mineradora. Por fim, os dados dos mineradores revelam um comportamento atípico entre os trabalhadores pretos, cuja participação cresce progressivamente ao longo dos estratos salariais, passando de 4,2% na faixa inferior para 7,3% no topo. Esse resultado sugere que a agregação convencional na categoria negros pode ocultar dinâmicas divergentes entre pretos e pardos na região, efeito potencialmente associado a políticas de inclusão e metas corporativas de diversidade.

Sexo e raça/cor combinados

O cruzamento de sexo e raça/cor na faixa acima de 8 SM evidencia que nenhuma dimensão descreve isoladamente a estrutura do topo. A Tabela 4 exclui 2020-2021 e informa, por ano, a proporção sem declaração na faixa, para separar composição de cobertura.

Tabela 4 – RI-Carajás, municípios mineradores: composição (%) do emprego na faixa acima de 8 SM por sexo e raça/cor, 2022-2024 (sobre vínculos com raça/cor declarada)

Sexo e raça/cor 2022 2023 2024
Homem pardo 41,3 39,6 36,0
Homem branco 28,0 21,9 21,1
Mulher parda 13,1 18,6 21,9
Mulher branca 8,5 11,0 11,6
Homem preto 5,4 5,0 4,9
Mulher preta 1,5 1,7 2,4
Demais categorias 2,2 2,2 2,1
Base (n) 3.061 4.713 5.543
Sem declaração na faixa (%) 41,3 25,9 19,0

Fonte: elaboração própria a partir dos microdados da RAIS.

Em 2024, homens pardos e brancos respondiam por 57,1% das posições de alta remuneração, e mulheres pardas e brancas por 33,5%. Entre 2022-2024, mulheres pardas mais avançaram (13,1% para 21,9%) e homens brancos mais recuaram (28,0% para 21,1%), concentrado em 2022-2023, quando a proporção sem declaração caiu de 41,3% para 25,9%, sugerindo atribuir parte à melhoria do registro. Entre 2023-2024, com cobertura estável, o movimento persiste em magnitude menor: mulheres pardas vão de 18,6% para 21,9%, homens brancos, de 21,9% para 21,1%. A categoria mulher, isoladamente, esconde que o avanço no topo foi conduzido por mulheres pardas (Leone, 2026). Uma hipótese a verificar em futuros estudos é a possibilidade de as mineradoras assumirem compromissos e protocolos quanto a equidade gênero/raça.

Considerações finais

Ao longo de quatro anos, os dois grupos de municípios seguiram trajetórias demográficas opostas, reafirmando o caráter estrutural da concentração do emprego qualificado. Em 2024, a densidade ocupacional no estrato acima de 8 SM alcançou 9,85 vínculos por mil habitantes nos mineradores, perante apenas 0,52 nos não mineradores, em contraste com a razão de dois para um observada no estoque total. A assimetria regional não reside, portanto, na capacidade de geração do emprego de nível superior, mas na virtual inexistência de posições de alta remuneração fora das economias minerais. Contudo, mesmo no grupo minerador, esse topo salarial perdeu peso relativo frente à expansão de 84,5% concentrada na faixa de até 4 SM, evidenciando que a mera expansão do emprego qualificado não assegura a melhoria geral do padrão remuneratório.

Os gradientes de gênero e raça/cor operam de maneira marcante entre trabalhadores de mesma escolaridade, mas revelam-se uma dinâmica exclusiva dos municípios mineradores. No grupo dos não mineradores, as mulheres mantiveram-se como maioria inclusive na faixa salarial superior, representando 51,5% dos vínculos em 2024, ao passo que a composição racial do topo reproduziu a estrutura da base. Nos mineradores, por sua vez, verificou-se expressivo afunilamento salarial para mulheres e trabalhadores pardos no topo remuneratório, demonstrando que essa desigualdade é um traço característico da estrutura ocupacional criada pela mineração. A partir dessa constatação, emergem três direcionamentos de política pública e gestão: o fortalecimento de oportunidades de emprego qualificado nos municípios não mineradores para além da absorção pública; o monitoramento contínuo da expansão do emprego mineral desagregado por faixas de rendimento; e o aprofundamento das políticas corporativas de diversidade e inclusão, visando combater as barreiras de ascensão às faixas de alta renda.

O estudo apresenta três limitações centrais. Em primeiro lugar, a evolução na cobertura da variável raça/cor impõe risco de viés de composição nas análises intertemporais, razão pela qual o recorte racial foi ancorado em 2024 e a série interseccional em 2022. Em segundo lugar, a ausência de informações sobre ocupação específica, área de formação e tempo de experiência impede a replicação da decomposição salarial proposta por Costa et al. (2020). Por fim, ressalta-se a reduzida dimensão absoluta do estrato superior nos municípios não mineradores, que somou 68 vínculos totais e 46 com identificação racial em 2024. Recomenda-se, para agendas futuras de pesquisa, a incorporação da Classificação Brasileira de Ocupações (CBO) no detalhamento das trajetórias profissionais regionais.

Tássio Raulim Câmara é graduando em Economia (UFPA)
Maria Amélia Enríquez é professora da Faculdade de Ciências Econômicas e do Programa de Pós-Graduação em Direito e Desenvolvimento na Amazônia (UFPA)

Referências
Base dos dados. Relação Anual de Informações Sociais (RAIS). Disponível em: https://basedosdados.org. Acesso em: 2026.
Brasil. Ministério do Trabalho e Emprego. Relação Anual de Informações Sociais (RAIS): microdados de vínculos, 2020-2024. Disponível em: https://www.gov.br/trabalho-e-emprego. Acesso em: 2026.
Costa, M. V. da; Carrasco-Gutierrez, C. E.; Reis, C. V. S. “Diferencial de salários por cor e sexo no Brasil: uma análise por grandes regiões”. Economia Ensaios, Uberlândia, v. 35, n. 1, p. 291-312, jul./dez. 2020.
Enríquez, M. A; Ferraz, L. Mineração: dinâmicas socioeconômicas no Pará e alternativas para contrapor à maldição dos recursos. Florianópolis: Habitus, 2023.
Furtado, C. Formação econômica do Brasil. 34. ed. São Paulo: Companhia Editora Nacional, 2007 [1959].
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IBGE. Estimativas da população residente para os municípios e para as unidades da federação. Rio de Janeiro: IBGE, 2020-2024.
ICMM. Social progress in mining-dependent countries: analysis through the lens of the SDGs. Londres: ICMM, 2018.
Leone, E. T. “Precariedade e desigualdade de gênero e raça no mercado de trabalho”. Economia e Sociedade, Campinas, v. 35, n. 3 (88), e290591, 2026.
Seplad. Perfil socioeconômico e ambiental da Região de Integração Carajás. Secretaria de Estado de Planejamento e Administração, 2023.