Longe de ser apenas uma organização de caráter administrativo, a jornada se revela, segundo pesquisadores, um mecanismo de interdição da cidadania, que recai sobre grupos específicos e historicamente prejudicados.
Nos municípios mineradores, os trabalhadores brancos ocupavam 19,9% dos vínculos qualificados – mas alcançavam 32,7% das posições na faixa superior, acima de 8 salários mínimos. Em contrapartida, a população parda, que concentrava 72,9% do estoque qualificado, reduzia-se a 57,9% no estrato de maior renda. Na prática, a chance de um profissional branco ocupar uma posição de alta remuneração na mineração é cerca de duas vezes superior à de um pardo com idêntica titulação, disparidade que não se atribui a diferenças de escolaridade.