Como não repetir o ciclo do minério de ferro com terras raras, lítio e grafite

Da riqueza mineral às cadeias de valor, como um plano de Estado fará a diferença na indústria nacional

Por Hudson Zanin, Leonardo Morais da Silva e Thiago Santos

 Em 2026, o Brasil chega a uma encruzilhada estratégica que definirá sua posição na economia global das próximas três décadas. O país detém algumas das maiores reservas mundiais dos três minerais que sustentarão a transição energética:  terras raras (segunda maior reserva do planeta, 21 milhões de toneladas), lítio (cerca de 540 mil toneladas, com produção que cresce rapidamente no Vale do Jequitinhonha) e grafite natural (segunda maior reserva mundial, 74 milhões de toneladas). A questão que se coloca para os planos 2030 e 2050 traz a preocupação se o país vai repetir, com esses minerais críticos, o padrão que adotou com o minério de ferro, ou seja, exportar matéria-prima bruta e importar produtos manufaturados; ou vai estruturar, desta vez, uma cadeia industrial integrada, com plano de Estado, segurança jurídica de longo prazo e atração das fábricas que transformem essas matérias-primas em produtos de altíssimo valor agregado. Por mais otimista que sejamos, a percepção é de estarmos sem plano de Estado.

A lição do minério de ferro

O Brasil é o segundo maior exportador mundial de minério de ferro, com 377 milhões de toneladas embarcadas em 2024 (Ibram; USGS). É o segundo produto mais exportado do país, atrás apenas da soja, e responde por uma parte substancial do superávit comercial. Mais de 70% desse volume vai para a China. Apesar desse peso, o Brasil não conseguiu transformar a abundância de minério em liderança na cadeia do aço nem em insumos de maior valor agregado. Embora figure entre os dez maiores produtores mundiais de aço bruto, ocupa lugar marginal na fabricação de aços especiais, ligas de alta performance e produtos finais para os setores automotivo, aeronáutico e de energia. O resultado é um padrão clássico: exporta-se matéria-prima a preços relativamente baixos e importa-se de volta o produto manufaturado, com tecnologia embarcada e margem elevada.

O contraste comercial é relevante. Estudo do IEDI mostra que, enquanto a China leva mais de 70% do minério de ferro brasileiro, o Brasil gasta mais de US$ 9 bilhões em aço chinês. O minério segue para a Ásia, vira aço, vira motor, eletrônico, ímã, e volta para o consumidor brasileiro com valor agregado. Esse padrão tem origem histórica e é uma herança do modelo primário-exportador que se consolidou desde o período colonial, mas se aprofundou nas últimas décadas – justamente quando havia margem para reverter o ciclo. O custo dessa escolha foi econômico nas tragédias de Mariana (2015) e Brumadinho (2019) e explicitaram também o custo socioambiental de um modelo que prioriza volume bruto e captura de valor mínima no território. Como diz o jargão do futebol, “penalti para eles”.

A lição é clara e está sendo discutida com franqueza por institutos como Ipea, Ibram e think tanks setoriais. Ter grandes reservas não é condição suficiente para garantir altos patamares de produção, e produção primária não é sinônimo de protagonismo industrial. Um estudo recente do Ipea, de 2025, mostra que, mesmo com reservas expressivas, o Brasil viu sua produção de grafite cair 8,4% ao ano nos últimos sete anos, enquanto a produção global crescia 10,8%; nas terras raras, a produção brasileira recuou 6,4% ao ano, enquanto a global subia 19,4% no mesmo tempo. Apenas o lítio cresceu, mas em ritmo abaixo do mercado internacional. A janela para mudar de rota se fecha rapidamente.

A posição brasileira nos três minerais da transição energética

Antes de discutir mercados e estratégias, é preciso dimensionar o que o país tem em mãos.

A tabela 1 sintetiza a posição brasileira nos três minerais centrais para a próxima onda de industrialização global, com base em dados da U.S. Geological Survey (USGS), do Serviço Geológico do Brasil (SGB) e da Agência Nacional de Mineração (ANM).

Tabela 1 – Posição do Brasil em terras raras, lítio e grafite (2024–2025)

Mineral Reservas brasileiras Posição mundial em reservas Produção brasileira atual
Terras raras ~21 milhões de t (REO) 2ª (atrás da China) ~20 t em 2024; Serra Verde projeta 6.500 t/ano até 2027
Lítio ~540 mil a 730 mil t 5ª a 7ª (varia por ano) ~12 mil t em 2025; produção em forte expansão no Vale do Jequitinhonha
Grafite natural ~74 milhões de t 2ª (atrás da Turquia) ~68 mil t em 2024; 4º maior produtor mundial

Dados da U.S. Geological Survey (USGS), do Serviço Geológico do Brasil (SGB) e da Agência Nacional de Mineração (ANM).

Os números mostram que o Brasil tem posição geológica privilegiada nos três minerais. Em terras raras, é o segundo país com mais reservas, perdendo apenas para a China. Em grafite natural, ocupa também a segunda posição mundial, com reservas estimadas em 74 milhões de toneladas e produção atual de cerca de 68 mil toneladas, o que ainda assim coloca o país entre os quatro maiores produtores. Em lítio, a posição é mais modesta em reservas (5ª a 7ª colocação, dependendo da metodologia), mas a produção cresce rapidamente: passou de cerca de 944 mil toneladas de minério em 2024 (quase quatro vezes o volume de 2023) para projeções que envolvem investimentos de R$ 6,3 bilhões e milhares de empregos diretos no Vale do Jequitinhonha (Secretaria de Desenvolvimento Econômico de Minas Gerais). Importante: cada um desses minerais é insumo crítico para um conjunto distinto de cadeias industriais, e isso muda completamente a estratégia de adensamento produtivo.

Terras raras

O mercado dos óxidos e metais de elementos de terras raras (ETRs) em si, ou seja, o que sai das minas e refinarias, gira em torno de US$ 4 a 7 bilhões por ano (Grand View Research; Fortune Business Insights; MarketsandMarkets), com produção mundial de cerca de 390 mil toneladas em 2024, das quais aproximadamente 70% saem da China. Esse mercado, embora estreito, alimenta produtos intermediários e finais cujo valor é de uma a duas ordens de grandeza superior. O Gráfico 1 mostra a divisão da demanda global por aplicação.

Gráfico 1:  Demanda global de terras raras por aplicação (2024)

Fonte: Fonte: Grand View Research (2025); Natural Resources Canada (2024); Fact.MR e USGS (2025).

Os ímãs permanentes lideram com folga (47,6% da demanda) e concentram a maior parte do valor. Os catalisadores ocupam o segundo lugar (15,7%), com aplicações no refino de petróleo (catalisadores de craqueamento, FCC) e em conversores catalíticos automotivos. Os pós de polimento (10,5%) atendem vidro óptico, lentes, monitores e semicondutores. Metalurgia, vidro, cerâmicas e fósforos somam o restante, e ligas de bateria propriamente ditas representam apenas 1,6% – o uso massivo de ETRs no setor de mobilidade elétrica passa pelos ímãs dos motores, não pelos eletrodos das baterias.

O ponto crítico é que o mercado de ímãs permanentes (todos os tipos) é estimado em US$ 24 a 32 bilhões em 2025, com projeção de US$ 38 a 56 bilhões até 2032–2035 (Fact.MR; Fortune Business Insights). Os ímãs NdFeB (neodímio-ferro-boro) representam cerca de 51% desse mercado, com receita estimada entre US$ 16,7 e US$ 32,7 bilhões em 2025. A China detém entre 75% e 90% da produção mundial. Cada veículo elétrico consome 1 a 2 kg de NdFeB no motor; cada turbina eólica de 3 MW utiliza cerca de 600 kg; turbinas offshore de 15 MW podem requerer várias toneladas. O concentrado mineral vale uma fração do óxido separado, que vale uma fração do ímã, que vale uma fração do motor – e cada elo multiplica o valor por 5 a 20 vezes.

Lítio

O mercado global de lítio foi estimado entre US$ 16,5 e US$ 37 bilhões entre 2024 e 2025 e deve atingir entre US$ 78 bilhões e US$ 174 bilhões até 2035 (Fortune Business Insights; Grand View Research; Fact.MR; Straits Research). Mas, como nas terras raras, o tamanho real da oportunidade não está na matéria-prima, e sim nas baterias. O mercado global de baterias de íons de lítio era de US$ 116 a US$ 134 bilhões em 2025 e deve alcançar entre US$ 426 bilhões e US$ 865 bilhões até 2033–2035 (Precedence Research; Fortune Business Insights; MarketsandMarkets). Em 2025, a demanda mundial por baterias de íon-lítio foi de 1,59 TWh, alta de 29% no ano (Benchmark Mineral Intelligence).

 Gráfico 2:  Demanda global estimada de lítio por aplicação (2025)

Fonte: elaboração própria com base em Grand View Research, Fact.MR e USGS (2025).

A concentração da demanda está em baterias automotivas (cerca de 64%) e baterias estacionárias (cerca de 12%), ou seja, 75% do lítio vai para baterias, o que o torna o mineral símbolo da transição energética. Eletrônicos portáteis, vidros e cerâmicas, lubrificantes especiais e aplicações farmacêuticas (estabilizadores de humor) compõem o restante. No Brasil, o setor avança rapidamente em volume com Sigma Lithium, Atlas Lithium, Lithium Ionic, AMG Brasil e a Companhia Brasileira de Lítio (CBL), que operam ou desenvolvem projetos no Vale do Jequitinhonha, mas a maior parte do que se produz sai como concentrado de espodumênio para refino na China, Coreia do Sul e Estados Unidos. O Brasil é, portanto, exportador de matéria-prima e importador do produto final: bateria, motor, veículo elétrico. É exatamente o ciclo do minério de ferro se repetindo, com a China controlando cerca de 80% da capacidade global de refino e produção de baterias.

A diferença entre exportar concentrado de lítio e fabricar baterias localmente é de uma ordem de grandeza no valor capturado. Se incluído o motor elétrico e o veículo, são duas ordens de grandeza. A BYD em Camaçari, a fábrica de baterias da BYD em Manaus e o anúncio de novas plantas por GWM e Volkswagen mostram que há, neste momento, uma janela rara de oportunidade para ancorar essa cadeia no território nacional.

Grafite

O grafite é talvez o mineral mais subestimado na conversa pública sobre minerais críticos no Brasil, mas é tão importante quanto o lítio para a indústria de baterias. Cada bateria de íon-lítio precisa de um ânodo, e o grafite responde por 90% a 95% do peso desse ânodo. Cada veículo elétrico consome 50 a 70 kg de grafite, o que é várias vezes mais que o lítio contido na mesma bateria. Apesar disso, o tema raramente entra com peso adequado nos debates sobre política industrial.

O mercado global de grafite (natural e sintético combinados) é estimado entre US$ 11,5 bilhões e US$ 31,6 bilhões em 2025, dependendo da metodologia, e deve crescer para US$ 18 a US$ 65 bilhões até 2032–2034 (Grand View Research; Mordor Intelligence; Precedence Research; Persistence Market Research). A China responde por cerca de 78% da produção mundial de grafite natural e por cerca de 95% do refino global, concentração ainda maior do que no caso das terras raras, segundo o Ipea. O Gráfico 3 mostra a divisão da demanda por aplicação.

Gráfico 3:  Demanda global estimada de grafite por aplicação (2025)

Fonte: Mordor Intelligence (2025); Grand View Research (2025).

Baterias (41%) e eletrodos para fornos elétricos a arco na siderurgia (36%) dominam a demanda. Refratários e fundição (12%), lubrificantes (4%) e outras aplicações (freios, lápis, grafite expandido) somam o restante. A demanda por grafite em grau de bateria deve triplicar até 2030, segundo a IEA. O Brasil, com a segunda maior reserva mundial e produção atual de 68 mil toneladas, exporta a maior parte como concentrado bruto. Destes, boa parte vai para a Coreia do Sul, que importa bilhões de dólares em grafite anualmente para alimentar suas fábricas de baterias. O paralelo com o minério de ferro é, mais uma vez, evidente.

Visão integrada dos três mercados

A Tabela 2 consolida os tamanhos dos três mercados em níveis distintos da cadeia. O quadro deixa claro que o valor agregado se multiplica drasticamente à medida que se sobe na cadeia produtiva.

Tabela 2 – Comparativo dos três mercados em níveis da cadeia (2025)

Mineral Mercado da matéria-prima (2025) Mercado intermediário-chave Multiplicador de valor estimado
Terras raras US$ 4–7 bi Ímãs permanentes: US$ 24–32 bi Concentrado → ímã: 5–20×
Lítio US$ 17–37 bi Baterias íon-lítio: US$ 116–134 bi Concentrado → bateria: 5–10×
Grafite US$ 11–32 bi Anodos para íon-lítio (parte das baterias acima) Concentrado → ânodo grau bateria: 5–8×

Quando se avança até o produto final (motor elétrico, veículo, turbina), o multiplicador chega facilmente a 50 ou 100 vezes em relação ao concentrado mineral. O mercado global de veículos elétricos, por exemplo, supera os US$ 700 bilhões anuais. O de turbinas eólicas, somado ao de geradores e equipamentos auxiliares, ultrapassa US$ 100 bilhões. É nesse universo que se decide quem captura riqueza com a transição energética e quem a vê passar.

Plano de Estado exige coordenação

Construir essa cadeia integrada não exige, necessariamente, que o Estado coloque dinheiro direto. Exige, sim, que faça aquilo que só ele pode fazer: arcabouço regulatório estável, segurança jurídica de longo prazo e sinalização clara de prioridades industriais. A China não construiu sua dominância em terras raras, lítio e grafite com subsídios isolados, mas com uma sequência consistente de planos quinquenais por mais de três décadas, articulando licenciamento ambiental, política tributária, política comercial, compras públicas e financiamento estatal. Austrália, Coreia do Sul e, mais recentemente, Estados Unidos (com o Inflation Reduction Act) e União Europeia (com o Critical Raw Materials Act) seguem caminhos análogos, todos com horizonte de duas a três décadas.

Para o Brasil, um plano de Estado coerente para os três minerais precisaria contemplar, no mínimo, seis frentes articuladas. A primeira é o licenciamento ambiental ágil e previsível dos novos projetos minerais e de suas plantas industriais associadas, com clareza sobre prazos e critérios. A segunda é o estímulo à instalação de capacidade de separação química, refino e fabricação de produtos intermediários – etapa em que a China hoje detém entre 80% e 95% da capacidade global e no Brasil é praticamente inexistente. A terceira é a coordenação tributária entre União, estados e municípios para que a verticalização interna seja mais atrativa que a exportação primária; o atual regime fiscal frequentemente premia o oposto. A quarta é a integração com setores demandantes já instalados no país, como WEG (motores elétricos), Embraer (aeroespacial), Vestas e Siemens Gamesa (eólica), BYD, GWM e Volkswagen (veículos elétricos), e fabricantes brasileiros de equipamentos industriais formando âncoras de demanda local. A quinta é uma política de compras públicas e financiamento estruturado de longo prazo via BNDES, fundos soberanos e debêntures incentivadas, sem necessidade de transferência fiscal direta. A sexta é a cooperação científica e tecnológica internacional sem entrega de ativos estratégicos.

Na lógica de grupos empresariais verticalizados, é razoável aceitar margens menores em um elo da cadeia em troca de margens maiores em outros. Uma fábrica de baterias pode operar com margem reduzida se o mesmo grupo captura margem maior na fabricação de veículos, na operação de eletropostos ou em serviços de mobilidade. Foi assim que BYD, CATL e LG Energy Solution se tornaram gigantes globais. Para que grupos brasileiros privados ou em joint ventures possam operar nessa lógica, o Estado precisa garantir as condições sistêmicas. A energia limpa e relativamente barata o Brasil já tem; falta o restante.

Em 2026, o Brasil tem uma combinação rara de reservas geológicas de classe mundial nos três minerais que mais importarão até 2050, matriz energética predominantemente limpa, presença industrial em setores demandantes e uma janela política favorável, com USA e Europa buscando explicitamente alternativas à dependência chinesa. O capital internacional está olhando para o Brasil como peça da reorganização global das cadeias críticas. A pergunta para os planos 2030 e 2050 é: o Brasil vai virar este jogo ou é mais uma batalha perdida?

Hudson Zanin é professor na Feec/Unicamp, especialista em tecnologias-chave da transição energética.

Leonardo Morais da Silva é professor titular na UFVJM e especialista em eletroquímica aplicada a dispositivos de armazenamento e conversão de energia.

Thiago Santos da Silva é doutorando que pesquisa em transição energética e mineração pelo Programa de Planejamento de Sistemas Energéticos – FEM/Unicamp.

Fontes consultadas
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Iedi – Instituto de estudos para o desenvolvimento industrial. Brasil-China: comércio bilateral e dependência tecnológica. São Paulo, 2025.
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IEA  – International  energy agency. Global EV outlook 2025. Paris, 2025.
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Ipea – Instituto de pesquisa econômica aplicada. Qual a importância do Brasil na cadeia global de minerais críticos da transição energética? Brasília, 2025.
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Marketsandmarkets. Lithium-ion battery market report 2025–2033. 2025.
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Precedence research. Graphite market size to hit USD 65,60 billion by 2034. 2025.
Precedence research. Lithium-ion battery market size to hit USD 555,15 billion by 2035. 2025.
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