O entendimento dos cidadãos sobre o funcionamento democrático é fundamental para salvaguardar o regime. Estudos sobre educação para a cidadania na democracia contemporânea, como os realizados pela socióloga Maria Victoria de Mesquita Benevides Soares, do Departamento de Filosofia da Educação e Ciência da Educação (USP), e também de outros pesquisadores, mostram que a escola é o lugar de destaque para refletir e promover a educação para a democracia por meio da formação de cidadãos. Continue lendo Educação para a cidadania é fundamental para garantir a qualidade do regime democrático, ressaltam pesquisadores→
Os exemplos dos Estados Unidos e da Alemanha mostraram que boas escolas – e as universidades entre elas – são parte decisiva da infraestrutura de desenvolvimento de um país. Tanto ou mais do que estradas, redes de energia ou comunicação via satélite. Mas, assim como esses outros investimentos infraestruturais, o retorno é lento e pouco focalizado em beneficiários diretos. Por isso, dizia o especialista Richard Nelson, fica longe do necessário se deixado a cargo exclusivamente da decisão privada. É preciso preservar, na investigação acadêmica, um espaço diversificado de áreas de interesse. A universidade precisa pairar acima da aplicação prática mais evidente – outra dificuldade para o investimento privado, cada vez mais marcado pelo “curto-prazismo”.Continue lendo Ensino superior, universidade e desenvolvimento: ensinamentos da experiência internacional→
A universidade necessária de Darcy Ribeiro completa 50 anos. Lançado em 1969, o livro é composto por textos escritos nos dois anos anteriores. Remete, portanto, a tempos difíceis, precisando ser relembrado agora, novo momento complexo para a educação em nosso país. O livro é sobre a universidade pública para uma América Latina atolada no subdesenvolvimento e mergulhada em ditaduras durante a Guerra Fria de então. Hoje, o contexto parece diferente e, apressadamente, pode-se dizer que as questões colocadas na obra seriam então anacrônicas. Hipótese que se revela falsa, pois muitas das questões continuam em aberto e, assim, persistem e permanecem atuais. Continue lendo A urgência da universidade necessária→
A concepção de educação superior de Clark Kerr, presidente da Universidade da Califórnia entre 1958 e 1967, serviu à estruturação de sistemas organizados de forma verticalizada, estratificada e hierarquizada por diferentes instituições de modo a preservar uma pequena elite de instituições de pesquisa e pós-graduação no topo da estrutura e instituições de ensino na base que pudessem responder às necessidades de massificação. No Brasil, a diferenciação que protege as instituições de pesquisa não decorre de um plano diretor como o da Califórnia, mas da separação entre oferta pública e privada de educação superior.Continue lendo A expansão de universidades públicas e os fins da educação→
A realização de provas únicas (os famosos vestibulares) indica que a universidade, tão criativa em seu interior, é pouco original na seleção de seus futuros alunos. O imperativo de que o acesso deva ocorrer por um sistema universal de disputa de vagas mascara as diferenças escolares e sociais existentes e produz um ambiente muito homogêneo, perfil que contribui para o distanciamento. A universidade fechada em si mesma é um equívoco que remonta ao modo naturalizado de ingresso. Por quem e para quem é a universidade pública? A resposta é simples: para todos os públicos, de todas as rendas e de todas as experiências escolares. Ali, a experiência muda a vida dos mais vulneráveis socialmente, mas também das elites. Para além dos conhecimentos, aprende-se regras para a cidadania e o combate à cultura de privilégios. A universidade é um laboratório para o convívio democrático.Continue lendo Universidade pública e para todos os públicos→