Arquivo da tag: Artur Araújo

Viralatismo reverso, um vírus tabajara

Por Artur Araújo

Um país como o Brasil, com moeda soberana bastante estável há décadas, com mercado interno de grandes proporções, com razoável diversificação de parque produtivo, com abundância de insumos básicos, com fortes vantagens demográficas, territoriais e climáticas – e que só não transforma esses vetores em desenvolvimento com acelerada redução de desigualdades e clara orientação de sustentabilidade por força de travas ideológicas austericidas autoimpostas – é um país que tem que ser um dos líderes do novo arranjo do capitalismo que se esboça. Porque pode ser e porque precisa ser. Continue lendo Viralatismo reverso, um vírus tabajara

Virtualidade sem virtude: a realidade do capital fictício

Por Artur Araújo

À medida que as finanças se descolam de seu papel histórico e positivo – adiantar fundos para que produção, consumo, investimento possam ser antecipados – e passam a ditar todo o processo econômico, a dinâmica das sociedades é brutalmente subvertida. Uma economia mundial que tem por centro a virtualidade do capital fictício é refém de crises também virtuais e fictícias, porque desencadeadas, muito subitamente e sem sinalizadores prévios claros, por fenômenos mais afetos ao campo da psicologia de massas. Efeito manada, esquemas de pirâmide, deslocalização geográfica, especulação via manipulação de informações assimétricas, comando do noticiário e da formação de sensos comuns e de terrores coletivos, todas são características do planeta das finanças desreguladas. A virtualidade das finanças desvirtua as funções do Estado e torna as sociedades nada virtuosas, já que as maiorias pagam os efeitos deletérios do grande cassino em que joga um oxímoro ambulante, a ‘minoria esmagadora’. Continue lendo Virtualidade sem virtude: a realidade do capital fictício

Breves considerações sobre o mercado futuro de gás lacrimogêneo

Por Artur Araújo

Sociedades hiperdualizadas desequilibram catastroficamente as condições de exercício da democracia política, que tem um “limite máximo de elasticidade” frente ao nível de desigualdade entre os eleitores. Só podem se manter coerentes com crescente apelo ao gás lacrimogêneo, às cercas eletrificadas, aos capacetes, aos escudos, aos canhões de água e aos cassetetes. Como frisava Karl Polanyi, foi o século liberal britânico, com pleno domínio da alta finança sobre tudo e todos, que resultou em duas guerras globais, separadas no tempo por profunda crise no centro do sistema. Continue lendo Breves considerações sobre o mercado futuro de gás lacrimogêneo