A era da (des)informação

Por Tássia Biazon

A internet mudou a dinâmica da transmissão de informações, e mais facilmente fatos se misturam com meias-verdades e inverdades, já que é um ambiente em que qualquer pessoa tem capacidade de produzir, acessar ou difundir uma heterogeneidade de informações. O que, de um lado, oferece maior democratização do conhecimento, por outro, facilita a disseminação do equívoco. Continue lendo A era da (des)informação

Judith Butler: ‘Boa parte de teoria queer foi dirigida contra o policiamento da identidade’

Eu também fiquei desorientada com o surgimento dos estudos queer como uma afirmação de ‘identidades queer’ que ocorreu em certos lugares na Europa. Agora as pessoas dizem: ‘eu sou queer’, e no momento que a teoria começou, tenho bastante certeza de que quase todos achavam que ‘queer’ não deveria ser uma identidade, mas sim nomear algo da trajetória incapturável ou imprevisível de uma vida sexual. Talvez a afirmação ‘eu sou queer’ deva ser a exibição pública de um paradoxo sobre o qual as outras pessoas devem pensar. Entendo que, em certos contextos, a demanda por reconhecimento dentro de estruturas institucionais e públicas é grande, e que uma forma de conseguir isso é estabelecendo uma identidade.” Continue lendo Judith Butler: ‘Boa parte de teoria queer foi dirigida contra o policiamento da identidade’

Algumas considerações acerca do trabalho de campo numa pesquisa sobre o poliamor no Brasil

Por Antonio Cerdeira Pilão

Este artigo apresenta algumas reflexões sobre a pesquisa de campo realizada no mestrado e no doutorado entre 2011 e 2017 no Programa de Pós Graduação em Sociologia e Antropologia (PPGSA) da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

O termo poliamor, criado nos anos 1990 nos Estados Unidos[1], refere-se à possibilidade de estabelecer múltiplas relações afetivo-sexuais de forma concomitante, consensual e igualitária. É possível classificar três modelos básicos de relação poliamorista que se dividem em “abertas” e “fechadas”. Isto é, no primeiro caso, há a possibilidade de novos amores e, no segundo, temos a “polifidelidade”, ou seja, a restrição das experiências amorosas: Continue lendo Algumas considerações acerca do trabalho de campo numa pesquisa sobre o poliamor no Brasil

Toda nudez será castigada? – Tecnologia, corpo e gênero na era das mídias digitais

Por Richard Miskolci

Aplicativos como o Grindr revelam-se não apenas tecnologias comunicacionais mas também de gênero, já que erotizam o homossexual que passa por hétero incentivando que seus usuários se apresentem de forma convencional. Assim, podem ser encarados como tecnologias contemporâneas de reprodução do gay másculo.

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Nem dentro, nem fora: notas sobre a experiência prisional de estrangeiras em São Paulo

Por Bruna Bumachar

Quando entrei pela primeira vez na Penitenciária Feminina da Capital, na capital paulista, em meados de 2008, deparei-me com uma população que girava em torno de 800 presas, sendo cerca de quase metade composta por não nacionais e a outra metade por brasileiras. Lá se encontravam estrangeiras de mais de 60 nacionalidades, com perfis variados, falantes de mais de 30 línguas, mas que traziam em comum, em 76% dos casos, a maternidade, e, em 95% dos casos, o tráfico de drogas como causa do encarceramento, todas na função de mula. A maioria maciça era primária no sistema carcerário (ao menos no brasileiro), residia anteriormente em seus países de origem e não falava português, único idioma dominado pela quase totalidade de presas brasileiras e funcionários. Continue lendo Nem dentro, nem fora: notas sobre a experiência prisional de estrangeiras em São Paulo

_revista de jornalismo científico do Labjor

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