Arquivo da categoria: artigo

Estudo de comunicação de ciência: O que ocorre em seguida? Experiências na University of the West of England (UWE)

Por Clare Wilkinson

Nos últimos anos vem acontecendo uma explosão de opções para estudantes que estejam interessados em desenvolver suas habilidades de comunicação de ciência, mas será que você precisa de um curso em comunicação de ciência? Desde Dance seu doutorado, passando por um breve curso de verão sobre comunicação de ciência, até estudar um módulo dentro de estudos universitários, há todos os tipos de caminhos que podem levar um estudante a uma carreira de comunicação de ciência. Como poderá ser essa carreira? Continue lendo Estudo de comunicação de ciência: O que ocorre em seguida? Experiências na University of the West of England (UWE)

Villa-Lobos revisitado

Por Harry Crowl

Nos últimos anos temos visto um crescente interesse pela obra do mais celebrado compositor brasileiro tanto no Brasil quanto no exterior.No presente artigo, examinaremos dois ciclos de obras contrastantes e seminais na produção do compositor, os “Chôros” e as Sinfonias. Estes ciclos, que nas suas versões integrais nunca tinham sido contemplados até o final do século XX, vêm recebendo atenção por parte de importantes orquestras sinfônicas oficiais através de ambiciosos projetos de gravações. É o caso tanto das sinfonias quanto a série dos “Chôros”, cuja singularidade sempre a tornou um desafio imenso de ser realizado. Continue lendo Villa-Lobos revisitado

Algumas notas sobre jornalismo e música clássica

Por Camila Fresca

O jornalismo passa, há alguns anos, por uma mudança drástica em sua forma de produção, graças à revolução digital promovida pela internet. Ainda que estejamos no meio do processo e sem saber exatamente para onde ele irá nos levar, sentimos diariamente seu impacto em nosso trabalho. Continue lendo Algumas notas sobre jornalismo e música clássica

Um sentido para o jornalismo musical

Por João Luiz Sampaio

No final dos anos 1990, a equipe do Caderno 2 do jornal O Estado de S. Paulo reunia-se semanalmente para debater pautas futuras. Cada repórter dizia no que estava trabalhando, as ideias eram discutidas por toda a equipe, matérias eram programadas. De tempos em tempos, no entanto, chegava a notícia de que naquele dia a reunião seria “conceitual”, o que acontecia sempre que o editor Evaldo Mocarzel sentia a necessidade de repensar a proposta do caderno. Eram reuniões longas, seguiam noite adentro, com debates acalorados entre os repórteres, críticos e colaboradores freelancers, que eram convocados às pressas para a conversa. Continue lendo Um sentido para o jornalismo musical

‘Maneco Músico’, pai e mestre do maestro Carlos Gomes

Por Lenita W. M. Nogueira

Uma das vertentes da musicologia, ciência que estuda os diversos aspectos envolvidos no fazer musical, é a exploração da vida musical em determinada região. No caso específico deste artigo, trataremos de Manuel José Gomes (Santana do Parnaíba, 1792-Campinas, 1868), o Maneco Músico, que, apesar de viver grande parte de sua vida em Campinas, SP, teve uma atividade representativa da prática musical do Brasil no século XIX. Continue lendo ‘Maneco Músico’, pai e mestre do maestro Carlos Gomes

Affetto e a atualidade de um princípio musical

Por Leonardo Martinelli

Ao longo de diversos períodos, estilos e práticas de diferentes tradições musicais no Ocidente, a relação entre a música e a expressividade ocupou lugar de destaque tanto na investigação teórica de cunho estético-filosófico quanto em questões de ordem prática, relacionadas ao cotidiano de intérpretes e criadores. Historicamente, do ponto de vista da teoria da música, os desdobramentos dessa relação direcionaram-se para um amplo debate em torno da semanticidade da música, o que por sua vez fomentou o desenvolvimento de uma noção da música enquanto linguagem que reverberou de forma intensa na própria prática musical. Continue lendo Affetto e a atualidade de um princípio musical

A tecnologia não diminuiu a qualidade social de se ouvir música

Por Daniel A. Gross, ilustração de Ellen Weinstein, tradução de Amin Simaika.
Publicado originalmente na revista Nautilus

Em uma noite do fim do verão de 2015, no South Street Seaport, uma quadra na extremidade sul de Manhattan (Nova York), centenas de pessoas colocavam fones de ouvido para mergulhar em seus próprios mundos. Era uma noite clara, perfeita para uma caminhada, mas elas não estavam interessadas nas lojas ou restaurantes. Estavam muito ocupadas sintonizando e curtindo uma “discoteca silenciosa”. Continue lendo A tecnologia não diminuiu a qualidade social de se ouvir música

Quarta revolução industrial – Adaptar-se à nova tecnologia ou perecer (mas é isso mesmo?)

Por Steven Poole

No livro de Klaus Schwab, fundador do Fórum Econômico Mundial, o termo chave é “adaptar-se” ao mundo novo que a tecnologia criará. A ideia raramente é contestada, mas, na verdade, é uma atualização velada do darwinismo social, segundo o qual as pessoas que sobreviverem ao dilúvio robótico que se aproxima terão sido o tempo todo, por definição, os mais aptos. O apelo para nos adaptarmos implica que as circunstâncias em mutação que Schwab prevê são como forças inexoráveis da natureza. Mas, obviamente, não são. Continue lendo Quarta revolução industrial – Adaptar-se à nova tecnologia ou perecer (mas é isso mesmo?)

Revolução tecnológica, automação e vigilância

Por Sérgio Amadeu da Silveira

Sim, a confluência de tecnologias – da impressão 3D com a internet das coisas (IoT), da robótica com a neurociência, da inteligência artificial com a biologia sintética – poderá trazer produtos e serviços superiores. Mas não há indícios de que os produtos e serviços da quarta revolução industrial vão alterar a tendência de concentração econômica. A automação elimina postos de trabalho e cria outros: há quem indique um ganho líquido nesse processo. Ainda assim, também ganha força o debate sobre a necessidade de vincular a nova revolução a uma renda básica universal e de preservar os serviços públicos da invasão da “algoritmização” privada. Continue lendo Revolução tecnológica, automação e vigilância

Blockchain: além da bolha do Bitcoin

Por Steven Johnson

O que Satoshi Nakamoto (ninguém sabe quem ele é ou se na verdade é um coletivo de programadores) introduziu no mundo em 2008 foi uma maneira de concordar com o conteúdo de um banco de dados que não tivesse ninguém “no comando”, e uma forma de compensar as pessoas por ajudar a tornar esse banco de dados mais valioso, sem que essas pessoas estivessem numa folha de pagamento oficial ou detivessem ações numa entidade corporativa. Juntas, essas duas ideias resolveram o problema do banco de dados distribuído e o problema de financiamento. De repente havia uma forma de suportar protocolos abertos não disponíveis na infância do Facebook. A ideia do blockchain propõe soluções não estatais para excessos capitalistas como monopólios de informação. Todos devem ter direito a um armazenamento de dados privado, onde todas as várias facetas de sua identidade online sejam mantidas. Esses protocolos de identidade seriam desenvolvidos no blockchain, fonte aberta. Ideologicamente falando, aquele depósito de dados privados seria um verdadeiro esforço em equipe: construído como um ‘intellectual commons’, financiado por especuladores de ‘tokens’, apoiado por regulamentação do Estado. Continue lendo Blockchain: além da bolha do Bitcoin