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É armadilha entoar hinos à democracia sem definir a qual democracia se refere

Por Roberto Romano

[na foto, o intelectual italiano Luciano Canfora, autor de A democracia – História de uma ideologia]

A democracia é uma palavra embreagem, no sentido a ser extraído de E. Benveniste: surge quando o discurso não tem condições de seguir uma linha lógica e factual consequente. Aí, a “embreagem” faz a narrativa seguir a marcha, deixando de lado terrenos perigosos, muito perigosos. Saliento neste artigo o elo entre as formas democráticas e as lideranças, algo que preocupa os analistas dos autoritarismos eleitos nos EUA, na Europa e no Brasil. Tal assunto mereceria um grande simpósio internacional e brasileiro, mas ele fica para quando a universidade assumir um papel de vanguarda na luta pela clarificação das falas políticas, uma das insuspeitadas fontes da tirania que surge, ameaçadora, no horizonte planetário. Continue lendo É armadilha entoar hinos à democracia sem definir a qual democracia se refere

‘Dizer o passado, conhecer o presente, prever o futuro: tal é a luta’: Nós e Maquiavel

Por Roberto Romano

Regis Debray escreveu para a revista Les temps modernes um artigo relevante, ainda para os nossos dias (1). Ele discute o tempo histórico , unido à ordem política, numa crítica severa e pouco exata de Antonio Gramsci. Segundo Debray quem acata o materialismo histórico se conforma diante das condições “objetivas” mundiais. Após o apocalipse revolucionário de 1917, os que desejavam acabar com a dominação capitalista sucumbiram às urnas, cujo perfume doutrinário exala o historicismo. Dado que o Final é definido –a sociedade sem alienações– o esforço reside em seguir as leis evolutivas obedecendo a aritmética do “mais” e do “menos”. Perder uma eleição afastaria o movimento do alvo, ganhar o aproximaria. Tudo é questão de tempo. Continue lendo ‘Dizer o passado, conhecer o presente, prever o futuro: tal é a luta’: Nós e Maquiavel

Roberto Romano: Privatização sem freios e populismo anti-imigração são faces da mesma moeda

Por André Gobi, Erica Mariosa e Marcos Botelho Jr.

Enquanto a primeira distribui desemprego e miséria, o segundo encontra os culpados nos imigrantes. É a receita que gerou o nazismo no século XX, e provavelmente fará renascer o fascismo no mundo, e no Brasil. O domínio capitalista gera nas massas urbanas já estabelecidas imensos exércitos de reserva e, sem emprego, o medo aumenta entre os “negativamente privilegiados”. É a hora das receitas milagrosas: na economia, a privatização enquanto remédio universal, aplicado segundo critérios do “mercado”, abstração rendosa para os que possuem a quase totalidade das riquezas. De outro lado, temos o populismo que promete o retorno “dos velhos e bons tempos” quando os brancos pobres seriam amparados e teriam emprego, perdido com o advento dos “inferiores” negros, árabes, latinos. Continue lendo Roberto Romano: Privatização sem freios e populismo anti-imigração são faces da mesma moeda

Embrapa e Unicamp debatem pós-verdade e jornalismo científico em 14 de novembro

4º Encontro Mídia e Pesquisa, no Centro de Convenções da Universidade de Campinas, trará convidados como Maurício Tuffani (Direto da Ciência), Roberto Romano (Unicamp), Jorge Duarte (Embrapa), Carlos Alberto Zanotti (PUC-Campinas), Daniel Bramatti (O Estado de S. Paulo) e Ângela Pimenta (USP) Continue lendo Embrapa e Unicamp debatem pós-verdade e jornalismo científico em 14 de novembro