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Armazenamento de energia via novas tecnologias de baterias

Por Gustavo Doubek, Chayene Gonçalves Anchieta e Thayane Carpanedo de Morais Nepel

Muito embora hoje, em tempos pandêmicos, toda a atenção no que diz respeito ao desenvolvimento científico tem sido focada na melhor compreensão sobre o Sars-Cov-2 e sobre as inúmeras iniciativas de novas vacinas, há outras questões que requerem grandes esforços e se mostram como desenvolvimentos fundamentais para o futuro da humanidade. Um grande exemplo disso é a transição energética que silenciosamente busca substituir os motores a combustão da equação da mobilidade pela tração puramente ou parcialmente elétrica. Porém, a transição energética é algo ainda muito mais profundo do que somente isso. Ela busca uma mudança maior sobre as fontes primárias de nossa matriz energética, hoje muito baseada em fontes fósseis como óleo e carvão. Nesse cenário, o Brasil é uma feliz exceção, graças a sua grande matriz hidroelétrica quando comparada a outros países, porém ainda com um enorme potencial inexplorado em energia solar. Continue lendo Armazenamento de energia via novas tecnologias de baterias

O documentário ‘Sol de norte a sul’

Por Rafael Revadam

Na cidade de Juazeiro, na Bahia, Lucineide Silva ganha a vida subindo em casas. Ela não imaginava que suas travessuras de criança, escalando pés de umbuzeiro e caju, lhe renderiam o primeiro emprego com carteira assinada. Lucineide instala placas solares em um conjunto habitacional do programa Minha Casa, Minha Vida. A 2.900 km dali, no município de Rancho Queimado, em Santa Catarina, a Escola Municipal Roberto Schutz entrou para a história como a primeira do país a receber painéis solares. Isso engajou os alunos da instituição, que passaram a cobrar dos pais, dos professores e dos políticos locais mais medidas ambientais. Continue lendo O documentário ‘Sol de norte a sul’

Sobre saberes decoloniais

Por Francielly Baliana

imagem: Mural Presencia de América Latina, de Jorge González Camarena (1964 – 1965) | Casa del Arte, Universidad de Concepción, Chile

Desde a década de 1990 na América Latina, estudos conduzidos principalmente pelo sociólogo peruano Aníbal Quijano e pelo semiólogo argentino Walter Mignolo levaram a uma sistematização cada vez maior de pesquisas que revisitam a noção de poder conceituada a respeito da modernidade e também a partir dela. Ao analisar as manifestações históricas em relação a essa perspectiva, além de suas continuidades e descontinuidades em uma atualidade de virada de século, Quijano (2010) conceitua a ideia de colonialidade do poder para dar nome ao que entende como um padrão de dominação global, uma espécie de face oculta das chamadas civilizações modernas, que tem origens na conquista da América em conformidade com a constituição do modo de produção capitalista. Continue lendo Sobre saberes decoloniais

A perspectiva negra decolonial brasileira: insurgências e afirmações intelectuais

Por Maria Clara Araújo dos Passos

foto: Juca Martins/Olhar Imagem. “Manifestação durante a reunião da SBPC, Salvador, BA, 1981”. Arquivo Edgard Leurenroth/Unicamp

Em um momento de emergência da decolonialidade enquanto projeto teórico-prático que apresenta para o Brasil e toda América Latina e Caribe novas condições de poder, saber e ser, a perspectiva negra decolonial brasileira[1] deve ser posicionada como uma agenda epistêmica que tem descolonizado nossas teorias e práticas educacionais. Continue lendo A perspectiva negra decolonial brasileira: insurgências e afirmações intelectuais

Moda como cultura no Brasil: descolonizar o olhar é preciso

Por Hanayrá Negreiros

Foto: Silvana Mendes | “Atlânticos – Kamafêu de Oxossí” (2019)

O vestir para além das roupas e das tendências das passarelas, quase sempre inalcançáveis pelo grande público, está cada vez mais sendo repensado. Arrisco dizer que a moda, para alguns campos e linhas de pensamento, já está posta em um lugar para se pensar história, cultura e sociedade. Gilda de Mello e Souza[1] em o Espírito das roupas: a moda no século dezenove, de maneira pioneira e amparada pelos conhecimentos da Estética e da Sociologia, nos conduz a ampliar o conceito de moda, nos possibilitando entendê-la como um valioso dispositivo para compreendermos relações de classe e gênero na patriarcal e colonial sociedade euro-norte-centrada do século XIX, dentro e fora do Brasil. Continue lendo Moda como cultura no Brasil: descolonizar o olhar é preciso