Arquivo da tag: inteligência artificial

Inteligência artificial e feminismo: vinculação necessária

A epistemologia feminista propõe o conceito de “ponto de vista feminista” como uma ferramenta crítica capaz de revelar que a objetividade científica é, na verdade, construída a partir de posições sociais específicas, geralmente masculinas, brancas e ocidentais, que foram naturalizadas como universais.

A crítica feminista à IA não se reduz a um apelo à inclusão de mulheres no campo tecnológico, mas sim à reestruturação profunda das bases epistemológicas e políticas que sustentam a produção. Trata-se de questionar quem define o que é inteligência, quem projeta os sistemas, com quais dados, com quais objetivos e a serviço de quais interesses. É nesse horizonte que se coloca a relevância de um projeto de IA feminista e decolonial, que reconheça os marcadores de gênero, raça, classe e território como elementos estruturantes na concepção, desenvolvimento e aplicação das tecnologias.

Por Mirlene Fátima Simões Wexell Severo Continue lendo Inteligência artificial e feminismo: vinculação necessária

Da neutralidade à IA decolonial

Por Nina da Hora

A ciência nunca esteve isenta das influências e construções históricas e sociais do colonialismo. Enquanto a Revolução Industrial é frequentemente retratada como o catalisador do avanço tecnológico, é crucial reconhecer que essa narrativa está profundamente enraizada em uma perspectiva ocidental que muitas vezes ignora ou minimiza as contribuições e inovações de culturas não ocidentais. A Revolução Industrial, que começou no final do século XVIII, coincidiu com o auge do colonialismo europeu. Esse período viu a rápida expansão das tecnologias de manufatura, transporte e comunicação, principalmente nas nações ocidentais. No entanto, esse progresso foi amplamente alimentado pela exploração de territórios e povos colonizados, criando um ciclo de avanço tecnológico e expansão colonial que reforçou a dominância ocidental nos campos científico e tecnológico. Continue lendo Da neutralidade à IA decolonial

Aplicação de ciência de dados e inteligência artificial para o futuro em transição energética

Uma transição energética realizada da maneira correta evita custos, replanejamento e alcança melhores resultados. A ciência de dados entra nesse contexto oferecendo um conjunto de ferramentas matemáticas que permitem analisar dados do passado, consolidar informações de diversas fontes e até mesmo prever tendências. Podemos usar essa abordagem para entender, por exemplo, como ações de instalação de novos sistemas de iluminação ou mudanças nos preços das tarifas podem afetar o consumo de energia

Hildo Guillardi Júnior e Marcelo Stehling de Castro Continue lendo Aplicação de ciência de dados e inteligência artificial para o futuro em transição energética

Inteligência artificial: a revolução ainda não aconteceu

Por Michael Jordan

Precisamos compreender que o atual diálogo público sobre inteligência artificial (IA)  — que se concentra em um estrito subconjunto da indústria e um estreito subconjunto da academia —  corre o risco de nos cegar para os desafios e oportunidades que são apresentados pelo escopo total de IA, aumento de inteligência (AI) e infraestrutura inteligente (II). Traduzido do original “Artificial intelligence – The revolution hasn’t happened yet”, publicado em 19 de abril de 2018, por Amin Simaika. Continue lendo Inteligência artificial: a revolução ainda não aconteceu

A inteligência artificial vai matar a criatividade?

Por Maghan McDowell, publicado originalmente no site The Business of Fashion em 14 de maio de 2018, tradução de Amin Simaika

A criatividade humana não é algorítmica, é ilógica e abstrata. Mas é possível usar inteligência artificial para superar as limitações da mente. Continue lendo A inteligência artificial vai matar a criatividade?

Revolução tecnológica, automação e vigilância

Por Sérgio Amadeu da Silveira

Sim, a confluência de tecnologias – da impressão 3D com a internet das coisas (IoT), da robótica com a neurociência, da inteligência artificial com a biologia sintética – poderá trazer produtos e serviços superiores. Mas não há indícios de que os produtos e serviços da quarta revolução industrial vão alterar a tendência de concentração econômica. A automação elimina postos de trabalho e cria outros: há quem indique um ganho líquido nesse processo. Ainda assim, também ganha força o debate sobre a necessidade de vincular a nova revolução a uma renda básica universal e de preservar os serviços públicos da invasão da “algoritmização” privada. Continue lendo Revolução tecnológica, automação e vigilância