Arquivo da categoria: resenha

Mercadores da dúvida: cientistas contra a ciência

Por Camila P. Cunha

O livro Merchants of doubt: how a handful of scientists obscured the truth on issues from tobacco smoke to global warming descortina as táticas de poucos e renomados cientistas, que emprestaram fama para, com apoio de empresários, lobistas e políticos, semear dúvidas e postergar ou evitar medidas regulatórias que impactariam a qualidade de vida. Os cientistas, nesta história, são salvação e vilão; uma leitura obrigatória para pesquisadores, divulgadores de ciência e espectadores pegos no fogo cruzado. Continue lendo Mercadores da dúvida: cientistas contra a ciência

História concisa da música clássica brasileira, de Irineu Franco Perpetuo

Por Fernando Hashimoto

Escrever sobre música para o grande público é uma atividade desafiadora para qualquer autor. Os motivos são muitos porém o principal é a evidente constatação que a linguagem musical não é dominada e codificada pela grande maioria da população. Ao tratar especificamente da história da música erudita brasileira, a qual é um objeto de análise extremamente amplo, tanto com relação ao longo período de tempo a ser coberto como também com relação ao grande volume de produção, há o agravante de termos diversas lacunas documentais a serem preenchidas ou em fase de pesquisa. Continue lendo História concisa da música clássica brasileira, de Irineu Franco Perpetuo

Complexidade econômica, de Paulo Gala

Por Ricardo Whiteman Muniz

Autor explora as descobertas do Atlas da complexidade econômica, o mais relevante banco de dados de big data em economia da atualidade. Com essa criação do físico Cesar Hidalgo e do economista Ricardo Hausmann numa parceria MIT-Harvard, a abordagem empírica veio dar uma força aos que quebram a cabeça para entender a antiquíssima questão da riqueza das nações e forneceu evidência hard science para reforçar o ponto de vista dos estruturalistas, aqueles que consideram não ser assim tão vantajoso (como dizem por aí) um país se especializar na exportação de alpiste. Continue lendo Complexidade econômica, de Paulo Gala

(R)Evolução [Homo] sapiens: de oprimidos a tiranos

Por Camila P. Cunha

A unificação de toda a humanidade em um globo sem barreiras ou fronteiras é a tendência, consequência das ondas imperialistas, do dinheiro e da religião e começou há 2.500 anos. Hoje, nossa união se fortalece na crença pela pesquisa científica: solução de todas as mazelas, quiçá o aquecimento global. E, na era das ciências biológicas, apoiados pelos avanços da biotecnologia e da medicina que prometem a cura de doenças, além da possibilidade de reverter os efeitos de acidentes paralisantes pelo uso de interfaces cérebro-máquina, poderemos finalmente transformar o homem mortal e imperfeito em deus: eterno e onisciente. Continue lendo (R)Evolução [Homo] sapiens: de oprimidos a tiranos

O caminho entre as senzalas e os palcos

Por Heloísa M. Buttini/ Especial da Editora da Unicamp

O objeto de estudo da autora é como se deu a divulgação das músicas que transcenderam o contexto da escravidão e se tornaram mercadoria nos palcos do mundo, com todas as contradições que se constituíram durante o processo. Continue lendo O caminho entre as senzalas e os palcos

SBPC publica obra multidisciplinar sobre a expulsão dos ribeirinhos de Belo Monte

Por Graziele Souza

O livro A expulsão dos ribeirinhos de Belo Monte foi elaborado pelas antropólogas Manuela Carneiro da Cunha e Sônia Barbosa Magalhães, e traz em suas 448 páginas contribuições de especialistas das mais variadas áreas, como sociologia, direito, biologia e engenharia. Começa com uma reconstituição da história da ocupação da região, passa pelas questões jurídicas relacionadas às remoções e termina apresentando recomendações para reverter violações e restaurar o meio ambiente dos territórios ribeirinhos. Continue lendo SBPC publica obra multidisciplinar sobre a expulsão dos ribeirinhos de Belo Monte

Violência subjetiva, objetiva e da linguagem em Žižek

Por Ricardo Whiteman Muniz

A violência é chocante, aprisiona a atenção do respeitável público e dá audiência. Como um sinal da onda anticivilizatória que nos assola, são casos e mais casos por semana, ferindo sensibilidades e rendendo enxurradas de posts indignados no Facebook – tudo isso sem contabilizar as desgraças nas periferias das cidades e do mundo, para as quais, sejamos francos, a maioria não dá a mínima. Violência – Seis reflexões laterais (editora Boitempo) tenta chamar a atenção para dois tipos de violência além da subjetiva, a que faz a festa dos programas policiais de TV. Elas estão convenientemente invisíveis e são: (1) a simbólica, da linguagem enquanto tal – “a imposição de um certo universo de sentido” e (2) a sistêmica – as consequências catastróficas do “funcionamento normal” dos sistemas econômico e político. Continue lendo Violência subjetiva, objetiva e da linguagem em Žižek

A história da ciência para quem tem pressa

Por Graziele Souza

Quarto título da série “Para quem tem pressa” da editora Valentina apresenta de forma breve e leve as descobertas dos grandes cientistas desde os tempos antigos até a era moderna.  Continue lendo A história da ciência para quem tem pressa

“A chegada”: ficção científica contemporânea e a temática do tempo e do futuro

Por Maria Cristina Couto

Os filmes de ficção científica procuram projetar o futuro da humanidade a partir de dimensões diversas: os cenários, os objetos e as personagens. Essa projeção, em A chegada, além de referir-se ao futuro de maneira objetiva, aponta também para questões amplas da humanidade, como a incerteza, quais seriam as possibilidades a partir do conhecimento do tempo futuro e ainda qual a importância da linguagem e das comunicações nesse contexto. Continue lendo “A chegada”: ficção científica contemporânea e a temática do tempo e do futuro

“Onde está, afinal, a civilização?”: A intimidade imaginada de Oswaldo Cruz em “Sonhos tropicais”, de Moacyr Scliar

Por Gustavo Steffen de Almeida

Mesmo a existência de microrganismos era questionada, e não só entre o povo pobre e sem instrução. Em alta à época, o positivismo tinha grande presença entre políticos e intelectuais brasileiros e, apesar de favorável à ciência, demonstrava um moralismo acentuado. Teixeira Mendes, notória figura política e adepto do pensamento de Comte, teria dito: “Os sanitaristas desconhecem a natureza moral do problema higiênico e reduzem tudo a questões materiais, visando assim a manter seus empregos bem remunerados”. Continue lendo “Onde está, afinal, a civilização?”: A intimidade imaginada de Oswaldo Cruz em “Sonhos tropicais”, de Moacyr Scliar