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Dossiê Fake News

Confio, logo compartilho

Por Alexandre Brasil Fonseca

Na relação entre fornecedor e consumidor, em muitas vezes o consumidor é intencionalmente desinformado. É inerente a essa relação uma situação de vulnerabilidade, e daí que se tem a necessidade de uma “defesa do consumidor”, já que este é o elo mais fraco por, exatamente, não ter acesso a todas as informações dos produtos, seja por ser informado parcialmente ou erroneamente. O relatório Caminhos da Desinformação reúne reflexões de pesquisa quantitativa que foi realizada no contexto desse primeiro esforço que tivemos em pensar a desinformação no Brasil a partir de um recorte religioso. A escolha pelo tema da religião teve relação com dois fatores. Primeiro a indicação de reportagens de que sites e influencers religiosos seriam destacados disseminadores de fake news. Um outro elemento que nos fez considerar esse segmento foi a compreensão de que um dos elementos mais importantes para a disseminação da desinformação é a sua circulação a partir de grupos orgânicos, fundamentados em relações pessoais e de confiança. Entre esses grupos destacam-se grupos ligados a comunidades religiosas e de fé. Continue lendo Confio, logo compartilho

Três mitos sobre a economia brasileira: a quem servem?

Por David Deccache

Este artigo abordará três mitos econômicos recorrentes, descrevendo não apenas os equívocos teóricos que carregam mas também revelando a que interesses servem. Os mitos que discutiremos, nesta ordem, são: (i) o Estado brasileiro quebrou e a austeridade fiscal é a única saída; (ii) os credores irão exigir altas taxas de juros se o Estado não seguir as políticas econômicas que o mercado propõe; (iii) a emissão de moeda gera, necessariamente, inflação.  Continue lendo Três mitos sobre a economia brasileira: a quem servem?

Os falsos protocolos dos espertos de plantão

Por Peter Schulz

A prática de notícias falsas quando não existia a internet, muito menos as redes sociais, é iluminada por dois exemplos que nem sempre são lembrados como deveriam: o tabloide alemão anticomunista Bild Zeitung, criado em 1952, e o tristemente famoso Os protocolos dos sábios do Sião. Continue lendo Os falsos protocolos dos espertos de plantão

Fake news e a introdução de pseudociência na universidade e na mídia ‘séria’

Por Marcelo Takeshi Yamashita

Ilustração de Edu Oliveira

Além de veicular palavras de ordem contra as notícias falsas e o negacionismo é primordial que se faça periodicamente uma autoavaliação da abertura que as instituições públicas e a mídia dão para os conteúdos falsos. Seria, por exemplo, aceitável a introdução da astrologia, do terraplanismo ou do ET de Varginha em uma disciplina na universidade? É possível que a resposta seja sim desde que os temas apareçam no contexto de estudos socioantropológicos, históricos ou psicológicos. Por outro lado, não caberia uma disciplina em um curso de física ou geografia que ensinasse esses assuntos como fatos reconhecidos pela comunidade científica, desinformando abertamente o aluno. Manifestações contra fake news envolvendo os medicamentos ineficazes contra a covid-19, e para enfrentar os discursos negacionistas contrários ao uso de máscaras e outros protocolos de saúde apareceram aos borbotões nas universidades e na grande imprensa. Porém, um olhar mais acurado mostra que, com bastante frequência, o negacionismo inaceitável é somente aquele em que o outro acredita. Para a pseudociência de estimação existe sempre uma “justificativa plausível e sensata”. Continue lendo Fake news e a introdução de pseudociência na universidade e na mídia ‘séria’

Combate à desordem informacional na pandemia de covid-19

Por Luiz Carlos Dias

O negacionismo científico, movimento que afronta a ciência e coloca vidas em risco, adota estratégias de comunicação que espalham notícias falsas e deixam as pessoas com medo. Essas notícias falsas assassinas são cruéis, repugnantes, irresponsáveis, afetam a vida das pessoas, provocam incertezas e representam um enorme desserviço para a saúde pública. Nós precisamos combatê-las com firmeza. Precisaremos de investimento em alfabetização científica, alfabetização e letramento digital, além de cobrar uma atuação mais efetiva das plataformas sociais e mapear perfis de influenciadores digitais responsáveis por ampliar o alcance de conteúdo antivacinas e de dados falsos sobre doenças, sempre respeitando a liberdade de expressão, mas desde que não interfira na segurança de políticas públicas e não traga riscos para a coletividade. Nós também precisamos garantir que agentes públicos sejam responsabilizados pela propagação e legitimação de desinformação. Continue lendo Combate à desordem informacional na pandemia de covid-19

Demi Getschko: Assim como a liberdade de expressão, responsabilidade deve ser ampla e total

Por Ludimila Honorato

Pioneiro da internet no Brasil, o engenheiro Demi Getschko avalia que o Marco Civil da Internet, implementado há sete anos, é uma forte ferramenta para combater fake news, mas alguns pontos precisam ser revisados. O principal, segundo ele, é definir melhor quem são os provedores de conteúdo e quais seus direitos e deveres. Continue lendo Demi Getschko: Assim como a liberdade de expressão, responsabilidade deve ser ampla e total

Moderação de conteúdo nas redes sociais: projeto de lei pede passe livre para a desinformação

Por Dimítria Coutinho e Greta Garcia

Debate sobre o tema avança em todo o mundo, mas proposta do presidente vai na contramão do que é recomendado por especialistas Continue lendo Moderação de conteúdo nas redes sociais: projeto de lei pede passe livre para a desinformação

Pessoas e máquinas aprendem com professores a reconhecer fake news

Por Renan Augusto Trindade 

Projetos de ciência da computação auxiliam na identificação das notícias falsas

Imagem: Henrique Fontes/Assessoria de Comunicação ICMC/USP  Continue lendo Pessoas e máquinas aprendem com professores a reconhecer fake news